Posts Tagged ‘refugiados’

O seguinte texto é uma narração das experiências que teve uma pessoa que trabalhou para uma Organização Não Governamental (ONG) que se dedica ao negócio lucrativo de reunir refugiados e imigrantes menores de idade em centros de internamento. Além das referências às condições de vida dos refugiados nestes centros de reclusão-negócios, são interessantes as referências ao vocabulário empregado por estas organizações, pela União Europeia, pelos meios de desinformação e o Poder, ao tratar este tema e temas semelhantes.

Um percurso pelo mundo das Organizações Não Governamentais e da “gestão de populações migratórias”

Sempre gostei de espiar as vitrines das lojas: Decorações excêntricas (extravagantes), olhares gelados de cópias de seres humanos, a dúvida constante que se nota nos movimentos dos corpos dos consumidores, os trabalhadores percorrendo o negócio de ponta a ponta sem parar. No entanto, a imagem que se vê atrás do vidro sempre é enganosa. A fantasmagoria da vitrine está montada para enganar até o cliente que se passa por conhecedor (consciente). Se não tocas a mercadoria com tuas próprias mãos, o logista é capaz de vender-te gato por lebre. Read the rest of this entry »

Neste post, publicamos o breve comunicado emitido pela okupa de teto para refugiados City Plaza depois de uma ação realizada na Acrópole de Atenas e no centro da cidade contra a política racista e anti-imigrante da União Europeia.

Ação política contra a política racista e anti-imigrante da União Europeia

Em 5 de setembro de 2017 fizemos uma intervenção (ação) na Acrópole de Atenas e, em seguida, na rua de pedestres mais comercial do centro da cidade (Ermú), exigindo o fim das mortes no Mediterrâneo e em todas as fronteiras.

A ação foi organizada pela okupa de teto para refugiados City Plaza, como parte da campanha internacional de “Welcome United”. Por causa da política da União Europeia e de seus sócios, somente em 2017 o número oficial de mortes é 2.365 pessoas inocentes, quando a cifra real é em verdade muito mais elevada. Exigimos o fim desta política que mata os seres humanos e condena as pessoas que vêm aqui para viver sob condições desumanas. Exigimos que abram as fronteiras e que passagens seguras sejam criadas para os humanos. Read the rest of this entry »

Texto da União Sindical Libertária de Tessalônica publicado por motivo da decisão racista da Associação de Pais e Alunos da escola de Oreokastro de fechar a escola da cidade, se os filhos dos imigrantes e refugiados que vivem na região se matriculem nela.

Na terça-feira, 13 de setembro, foi divulgado o comunicado da Associação de Pais e Alunos da escola de Oreokastro, na qual se falava do fechamento da escola caso se matriculem alunos que são imigrantes, ou no caso de estes alunos usarem o edifício da escola. Esta decisão sucedeu à do conselho municipal de Oreokastro e foi fortemente apoiada tanto pelo prefeito como pelos vereadores e os que presenciaram a sessão do conselho, que anda propagando seus delírios racistas e ultradireitistas. Tendo em vista que uma autoridade municipal não tem competência para indicar quem pode e quem não pode assistir a aulas em uma escola, o objetivo de tais decisões é gerar hostilidade e histerias conservadoras antes de que se tome qualquer decisão e se realize qualquer ação.

Vivemos juntos e trabalhamos juntos: A emigração foi e continua sendo uma necessidade constante dos oprimidos, dos operários, para reivindicar uma vida melhor. Na atual conjuntura muitas comunidades de pessoas pertencentes a várias etnias desarraigadas se veem obrigadas a amontoar-se em centros de reclusão e de espera situados em torno às cidades. Read the rest of this entry »

Alguns dias atrás, a okupa de abrigo para imigrantes da rua Notará, 26 (Exarchia, Atenas), recebeu um ataque incendiário criminoso. A seguir, o comunicado emitido pela assembleia aberta da okupa por ocasião do ataque.

Na quarta-feira, 24 de agosto, às 3h45, a okupa de abrigo para imigrantes da rua Notará, 26, recebeu um ataque incendiário criminoso. Para nós, a maneira de como os incendiadores agiram foi um claro ataque assassino, planejado para causar mortes, além de danos materiais graves. Esta ação covarde foi realizada em agosto pelos incendiadores por pensarem que os reflexos do movimento de solidariedade seriam baixos. No entanto, em vão…

Depois do ataque com coquetéis molotov e bombas incendiárias, o grupo de vigilância (salvaguarda) dos imigrantes e os solidários agiram imediatamente, usando os extintores da okupa. As mais de 130 vidas que corriam um sério perigo foram salvas exclusivamente pela reação imediata de todos os residentes, dos solidários, dos vizinhos e dos bombeiros, embora em seu comunicado de imprensa a okupa é citada como armazém, insinuando que não havia pessoas dentro.

Este episódio faz parte de uma série de ataques contra as okupas dos e das imigrantes, contra os refugiados e os centros sociais livres. Estes ataques foram feitos em conjunto pelo Estado e os aparatos paraestatais. Nesta colaboração o primeiro atua “legalmente” (como no caso das três okupas desalojadas em Tessalônica) e o segundo com práticas já bem conhecidas da máfia (como nos casos de várias okupas em Atenas), colocando na mira o movimento de solidariedade. Read the rest of this entry »

Texto da assembleia “Contagem Regressiva” (Antístrofi Métrisi) publicado em seu site.

“A praça da Vitória foi reocupada e entregue aos seus habitantes”, disse recentemente o protagonista das discriminações e da repressão, o Sr. Kaminis. O prefeito de Atenas, obcecado pelo Poder, que ordenou a remoção dos bancos (da praça) para que nenhum sem-teto dormisse neles, e mandou colocar barras em todas as bordas de calçadas, para que ninguém sentasse. O tecnocrata sem escrúpulos que generosamente ofereceu uma grande parte das praças aos patrões-donos de lojas, de modo que a ocuparam com mesas, cadeiras e barracas, satisfazendo-os plenamente. Apareceu, então, novamente, como protagonista da operação de evacuação da praça da Vitória. Se postou na frente dos e das imigrantes que se “refugiaram” temporariamente na praça, em seu caminho duro para a Europa.

O estado policial, imposto há duas semanas, continua proibindo a estadia dos imigrantes na praça. A presença de vans da chamada Polícia antimotim e de dezenas de policiais, lembra que não há cercas apenas nas fronteiras, mas também dentro das metrópoles ocidentais. Para ser um habitante deste bairro, você tem que ser branco, você tem que ter o bolso cheio de dinheiro, e sua presença na praça deve se limitar ao consumo em suas lojas. E, especialmente, se você é dono, é considerado mais habitante do que os demais. Read the rest of this entry »

YouTube Preview Image

Soli Café é um projeto coletivo auto-organizado alojado em uma okupa de uma casa na cidade de Quios. Ele foi criado no início de janeiro 2016 para apoiar e se solidarizar com os refugiados e os imigrantes que chegam na ilha, e, especialmente, para oferecer-lhes um lugar onde eles possam auto-organizar suas vidas. Ontem recebeu um ataque incendiário criminoso, após uma concentração fascista realizada na capital da ilha. Segue o comunicado da okupa, emitido algumas horas após o ataque. Read the rest of this entry »

Há alguns dias, Arás, um refugiado do Irã, chegou à Grécia em busca de asilo político junto ao Estado grego. Por ser homossexual foi torturado e preso no Irã, país onde a homossexualidade é um crime grave.

As aventuras de Arás começaram dez anos atrás, quando teve um caso com um homem. Assim que soube dessa relação, o pai do seu namorado os delatou às autoridades iranianas. Seu namorado negou que ele era gay. Durante três dias Arás foi submetido às torturas mais cruéis. Ele não suportou e admitiu sua homossexualidade. Quando as autoridades deixaram-no temporariamente em liberdade, ele ciente de que seu futuro seria sombrio no Irã, tomou a decisão de emigrar. Ele deixou o Irã e depois de várias aventuras chegou à Grécia, onde pediu asilo político, descrevendo às autoridades a tortura que tinha sofrido por sua sexualidade, e declarando que no Irã sua vida estaria em perigo.

Ele foi examinado por médicos gregos (psicólogos e psiquiatras), que comprovaram a realidade de suas palavras. No entanto, o Comitê de Asilos do Estado grego ignorou a decisão do comitê dos médicos que o examinaram, e rejeitaram o seu pedido de asilo. Neste momento está pendente o pedido de reconsideração desse caso. Read the rest of this entry »

Informações sobre a marcha em solidariedade com os refugiados e os imigrantes  No sábado, 21 de novembro, realizou-se no centro de Atenas uma marcha em solidariedade com os imigrantes e os refugiados (fotos). A marcha tinha sido convocada por mais de vinte coletividades, em sua grande maioria anarquistas e antiautoritárias. Aproximadamente 1.000 pessoas participaram do protesto. O número de participantes não foi pequeno, mas tampouco o esperado, dado o grande número de coletividades que haviam organizado a marcha.

Os manifestantes começaram a marcha a partir da praça Victoria, localizada em um bairro habitado por muitos imigrantes. Ela passou em uma boa parte das vias do centro de Atenas, parou na frente do Parlamento e dos escritórios da União Europeia, e terminou na estação de metrô de Evangelismos, no lado oposto do centro da cidade.

Na cabeça da marcha foi à faixa da Assembleia responsável pela organização, que dizia: “Os imigrantes são os párias da Terra. No mundo dos patrões todos somos estrangeiros”. Algumas das palavras de ordem gritadas: “A solidariedade é a arma do povo, guerra contra a guerra dos patrões”, “Na cerca no rio Evros e no fundo do mar Egeu se constrói a segurança de cada europeu” e a frase da faixa. Read the rest of this entry »

Atenas, 21 de novembro: Marcha em solidariedade com os refugiados e os imigrantesCartaz-chamada da coletividade anarquista Vogliamo tutto e per tutti para uma manifestação em solidariedade com os refugiados e os imigrantes, no sábado, 21 de novembro, em Atenas.

Na periferia capitalista…

O Oriente Médio e a África são os campos que se desdobram todos os antagonismos intercapitalistas entre os centros capitalistas poderosos (principalmente Estados Unidos, Rússia e União Europeia), com o fim de conseguir a exploração econômica, o controle e a imposição (de sua vontade). As intervenções econômicas e militares, os regimes autoritários-fantoches, a incitação ao fanatismo e o apoio de fundamentalistas religiosos (EI) compõem um sistema de desestabilização permanente. A guerra inexorável que está deixando para trás um milhão de mortes e cidades devastadas, a hemorragia econômica e a pilhagem das pessoas e da natureza, geram enormes ondas de imigrantes e de refugiados em busca da sobrevivência do mais ofensivo-implacável (ataque) do capitalismo.

Nas fronteiras sangrentas da Europa-Fortaleza…

Nas fronteiras da Europa-Fortaleza que está acontecendo à segunda parte da guerra. Cercas, mecanismos militares (Frontex), policiais e autoridades portuárias, traficantes de imigrantes, campos minados, centros de reclusão (campos de concentração) e as condições de Dublin compõem a verdadeira face da Soberania. Lágrimas de crocodilo e a máscara da caridade de altos funcionários e da burguesia não devem nos enganar (nos desorientar): O Estado, os mecanismos do Poder transnacionais e a elite econômica local e internacional, são os responsáveis pelo deslocamento forçado, da pilhagem e da morte de milhões de pessoas. Read the rest of this entry »

No sábado, 7 de novembro de 2015, um grupo de refugiados ocupou o edifício abandonado da antiga Casa do Obreiro, em Mitilene, capital da ilha de Lesbos. Nos últimos tempos o edifício, que pertence ao Instituto de Emprego e sequer tinha rede elétrica, foi indevidamente utilizado pelo partido “Comunista” (KKE) para armazenar objetos sem valor e acessórios utilizados em suas atividades públicas.

Após a ocupação do edifício, a iniciativa dos refugiados e dos imigrantes que haviam procedido a ela fez contato com vários solidários, que foram até lá para ajudá-los. Um pouco mais tarde, um grupo de quatro membros do autodenominado partido “Comunista” também foi para o edifício e começou a insultar aos solidários e aos refugiados, procurando “um grego para conversar”… Eles perguntaram por que os refugiados procederam à ocupação do edifício e não pediram para eles, insinuando que os refugiados tinham que pedir a permissão para o partido, apesar de que o partido está fazendo uso indevido do edifício. Eles disseram também… “tínhamos pensado” em abrir o edifício para alojamento dos refugiados que chegam diariamente em ondas para a ilha. Eles, então, saíram do edifício, carregando os acessórios de som e deixando o pouco de comida que tinham armazenado.

Meia hora depois, irrompeu no edifício uma pessoa que estava bêbada. Ela atacou um refugiado e exigiu a saída dos demais. Na sequência ele foi repelido pelos outros refugiados e pelos solidários, que naquele momento estavam dentro do edifício ocupado. Quando, nos dias seguintes, alguns dos solidários perguntaram a membros do partido “Comunista” se tal sujeito era um membro de seu partido, e eles disseram que não o conheciam. Read the rest of this entry »

Arquivo