Posts Tagged ‘polícia’

Testemunho de uma advogada que visitou na Direção-Geral da Polícia de Atenas alguns dos detidos na manifestação de 2 de dezembro, em solidariedade com a greve de fome do preso Nikos Romanós.

Há momentos que eu tenho vergonha de ser uma advogada. Um desses momentos foi ontem, quando fui a Direção-Geral da Polícia de Atenas para visitar alguns dos detidos da manifestação de ontem e vi os corredores do sexto andar cheios de sangue e de pessoas com pernas, braços, cabeças e costelas quebradas…

Testemunhos inequívocos de uma barbárie estatal, que você não terias nem o tempo nem a coragem de enfrentar, no âmbito sufocante das prioridades e dos procedimentos jurídicos, além de fazer uma denúncia. Tinha ouvido falar de tais imagens na época da Ditadura. Mas agora nós estamos na Democracia, certo? Ou talvez não?

(O comentário) é dedicado aos amantes (partidários) da Democracia, das instituições e da legalidade, uma vez que são questões da época presente. Não terão que se perguntar (estes partidários da Democracia), no entanto, sobre o que está por vir, como conseqüência natural, mas não necessária. Read the rest of this entry »

Comunicado de denúncia do “Movimento Antiautoritário (Corrente Antiautoritária) de Atenas”, emitido após a manifestação de 17 de novembro de 2014.

A marcha “habitual” deste ano no aniversário da revolta da Escola Politécnica em 1973 demonstrou manter certas características que tiram o seu caráter de “aniversário”. O novo totalitarismo estatal, cristalizado na criação de prisões de alta segurança, nos campos de concentração para imigrantes, e na existência de mais de cinquenta presos políticos, demonstra a continuidade histórica da repressão do Estado, bem como dos movimentos sociais que, em vão, estão tentando eliminá-lo.

O bloco do Movimento Antiautoritário (Corrente Antiautoritária) marchou com duas faixas: “Delegação e representação: Renúncia/Democracia Direta pelo contrapoder social” e “Contra a repressão e o estatismo/Universidade: Pública, gratuita, social”. A presença maciça de pessoas no bloco do Movimento Antiautoritário incomodou, por isso este bloco recebeu duas vezes a arremetida policial. Sem nenhuma razão, sem nenhum pretexto… Read the rest of this entry »

Comunicado de denúncia da Iniciativa Anarcosindicalista Rocinante, escrito em razão da orgia repressiva da polícia grega na manifestação de 17 de novembro, realizada segundo um plano premeditado e organizado.

“Loucura pode ser abandonar nossos sonhos (…) E a maior loucura de todas, é ver a vida tal como é e não como deveria ser (…) Mudar o mundo, amigo Sancho, não é uma loucura, nem utopia, senão justiça!”

Don Quijote de Miguel de Cervantes (1605 – 1615)

O Estado grego, cumprindo com suas piores tradições, na tarde de segunda-feira, 17 de novembro, quis ter mais um morto. O ataque criminoso, assassino, injustificado e premeditado ao bloco da Iniciativa Anarcosindicalista Rocinante, recordou dias de 1980 e de 1985, e foi um logro dos manifestantes evitar o pior, só graças a sua atitude sensata, determinante e valente. O mesmo é válido para a presença noturna da Polícia na praça do bairro de Exarchia, onde com sua prática habitual, a de um exército de ocupação, ameaçava aos moradores e aos transeuntes, maltratou a uma mulher jornalista, pegou um colega seu que protestou (como resultado de tudo isso os dois foram transferidos a um hospital), e destroçou uma banca de jornal.

De nossa parte, tivemos a sorte de confirmar as intenções da Polícia desde o começo. Já desde o início da manifestação, sem nenhum motivo em absoluto, nosso bloco foi rodeado por esquadrões da chamada Polícia antidistúrbios e por vários dos seus aliados, que impediam de uma maneira provocativa e sistemática a tarefa de nossa equipe de salvaguarda, a qual era forte e organizada. Próximo do Parlamento, segundo nos informaram testemunhas oculares e de ouvido, quando o líder do esquadrão que estava naquele local, o notório neonazi da Aurora Dourada Darío Lykiardópulos, informou a seu batalhão de assalto uniformizado que ”dobra a esquina a faixa da Rocinante, põe as máscaras e preparam-se”, a pressão em ambos os lados do bloco se voltou asfixiante. Read the rest of this entry »

Mais de 30.000 pessoas participaram na manifestação do 17 de novembro de 2014 em Atenas, no 41º aniversário da revolta da Escola Politécnica em 1973 contra a Ditadura da época. Antes do início da manifestação cerca de 7.000 policiais uniformizados e à paisana haviam sido espalhados no centro da cidade, lembrando-nos que “a Ditadura não acabou em 1973”, segundo um dos lemas gritados na marcha até a embaixada dos Estados Unidos.

Antes da manifestação, as forças repressivas do Regime haviam criado um ambiente de terrorismo, com dezenas de retenções preventivas de pessoas que se dirigiam aos pontos de concentração da manifestação, e com milhares de policiais alinhados em torno dos edifícios das faculdades do centro de Atenas, fechadas desde sexta-feira passada pela Democracia, especificamente, por ordem do reitor da Universidade de Atenas.

Durante a manifestação a Polícia confirmou com sua atitude o que tantas pessoas já comentavam no fim da semana passada: Que ela provocaria os manifestantes, e faria todo o possível para dissolver a marcha. E fizeram de uma forma descarada. Desde o início da marcha a presença da Polícia praticamente envolvendo todo o bloco anarquista esteve sufocante, e a atitude dos policiais foi descaradamente provocativa. Cerca de três horas após o início da marcha, e quando ela estava acontecendo de forma pacífica, de repente e sem o menor pretexto a Polícia fez um ataque contra o bloco anarquista. Durante esta arremetida policial brutal e totalmente injustificada, os policiais começaram a pegar os anarquistas e todos os manifestantes que naquele momento estavam em seu alcance. Read the rest of this entry »

Na quarta-feira, 12 de novembro de 2014, o reitor da Universidade de Atenas, apoiado pelo governo, ordenou o fechamento dos prédios da Universidade localizados no centro de Atenas. O documento oficial assinado pelo reitor (nem sequer pelo senado universitário) citou que os prédios da Universidade no centro de Atenas permaneceriam fechados desde quinta-feira, 13 de novembro, até terça-feira, 18 de novembro, com vista à celebração dos eventos comemorativos de 17 de novembro na Escola Politécnica de Atenas.

A cada ano acontecem eventos de comemoração e manifestações em memória da revolta estudantil e popular de 17 de novembro de 1973 contra a ditadura de então. Poucos dias antes da ordem do reitor, a assembleia dos estudantes da Faculdade de Direito (cujo edifício é um dos poucos localizados no centro da cidade e não no campus universitário) tomou a decisão de proceder a ocupação dos edifícios da Universidade desde sexta-feira, 14 de novembro.

Esta ordem do reitor da Universidade de Atenas vem poucos dias depois de as ocupações e mobilizações dos estudantes secundaristas em todo o território do Estado grego, e, certamente, após a decisão da assembleia dos estudantes universitários de ocupar o prédio da Faculdade de Direito. Read the rest of this entry »

Não o novo sistema. Não somos cobaias, somos estudantes

Não o novo sistema. Não somos cobaias, somos estudantes

Faz alguns dias que os estudantes secundaristas estão mobilizados em muitas cidades do território do Estado grego. Há três dias o próprio ministro da Educação admitiu que as escolas secundárias ocupadas eram mais de 500. Os alunos protestam contra a imposição da chamada “Nova Escola”, ou seja, de um plano de estudos exaustivo, o novo sistema de exame (igualmente exaustivo e intensificado) e a privatização da Educação.

Na segunda-feira, 3 de novembro, e na terça-feira, 4 de novembro de 2014, realizaram-se massivas manifestações e marchas estudantis em várias cidades. Ante esta situação perigosa para o Sistema, o Regime não ficou de braços cruzados. O governo conta com a ajuda de juízes, policias, diretores de escolas e paraestatais para reprimir a luta dos estudantes das escolas secundárias.

Na segunda-feira passada o diretor de uma escola secundária de Tessalônica tratou de impedir a participação dos alunos da escola em uma manifestação. Chamou a Polícia, mas nem os policiais nem o sujeito que os chamou lograram impedir que os jovens tomassem parte na manifestação. No mesmo dia, na cidade de Lamía o fiscal ordenou a detenção de nove jovens e de oito de seus pais dentro do recinto de uma escola secundária da cidade que estava ocupada. A Polícia, na presença do fiscal, invadiu a escola ocupada, deteve alunos e pais, e levou-os à delegacia da cidade, onde ficaram retidos até às 4 da madrugada. Read the rest of this entry »

Não nos dão medo. Solidariedade entre os estudantes!

Texto da coletividade “Anarquistas e comunistas dos bairros de Kipseli e Gyzi” distribuído estes dias nas escolas secundarias do centro de Atenas, em razão da recente repressão a balas pela Polícia de uma tentativa de estudantes secundaristas de ocupar a escola de Atenas.

Na madrugada da segunda-feira, 22 de setembro de 2014, uns alunos de duas escolas secundárias do bairro de Kesarianí, Atenas, trataram de ocupar sua escola, em protesto contra a realidade educativa vil e opressiva que experimentam diariamente.

Imediatamente chegam três carros patrulha da delegacia do bairro, e se colocam a perseguir aos alunos. Um dos pistoleiros valentão disparou três vezes contra os estudantes que estavam tentando fugir. Os demais policiais invadiram o pátio da escola secundária, e apontando (com suas armas) às cabeças dos estudantes-okupas, se puseram a soltar insultos e ameaças.

Os estudantes foram conduzidos à delegacia local, onde foram detidos até as primeiras horas da manhã, onde os policiais os ameaçaram, dizendo-lhes que não falassem dos disparos que haviam recebido. Read the rest of this entry »

Na madrugada do dia 22 de setembro de 2014, um grupo de estudantes do ensino médio tentou entrar nas instalações de uma escola no bairro ateniense de Kesarianí, com a intenção de ocupá-la. Depois de certo tempo os jovens foram atacados pela Polícia, que chegou à escola em três carros de patrulha. Um dos policiais disparou vários tiros em direção aos alunos, e, em seguida, os policiais prenderam os jovens, e os levaram para a delegacia local, com insultos e ameaças.

Há alguns meses, o Regime do “Big Brother” (Grande Irmão) concedeu a vigilância das escolas secundárias diretamente para sua guarda pretoriana. Desde setembro do ano passado, quando abriram as escolas, policiais patrulham as instalações das escolas de ensino médio do lado de fora durante todo o dia e a noite. O objetivo é óbvio: reprimir qualquer tentativa de ocupação ou de mobilização política dos estudantes, proibir a política nas escolas, silenciar aos que resistem e aterrorizar aqueles que pensam em resistir à imposição do totalitarismo, e em geral transformar as escolas em prisões modernas.

Entre os estudantes do ensino médio que desejam resistir aos planos do Poder há duas “tendências”. A primeira é aquela que está a favor da delegação da luta para os representantes eleitos, e da promoção de formas moderadas de luta. Esta tendência emitiu comunicados em Kesarianí após o incidente, mas não convocou qualquer manifestação em resposta à repressão armada contra a juventude do bairro que pretendia ocupar sua escola. Em um desses comunicados se faz uma referência abstrata para “ações organizadas e massivas ao lado do povo lutador”. Read the rest of this entry »

O totalitarismo e o Estado policial chegaram até as escolas secundárias. O regime da Democracia incumbiu à vigilância das escolas secundárias para a Polícia. A partir de agora a Polícia estará vigiando todas as escolas secundárias do país, ao longo do dia e nos dias que estão em funcionamento; e mesmo durante os fins de semana, quando as escolas estão fechadas.

Os policiais que vão realizar a vigilância nas escolas serão de vários órgãos da Polícia, e estarão patrulhadas fora delas a pé ou de motos. No entanto, o Estado policial será estendido para mais espaços públicos. Além das patrulhas diárias, eles estarão realizando constantemente controles fora e perto das escolas, em praças, parques, instalações desportivas, e em todos os espaços públicos ou não frequentados por jovens.

Estas novas medidas totalitárias vem poucos meses após a demissão de todos os guardas das escolas por parte do governo, de modo que são totalmente infundadas e absurdas as alegações dos porta-vozes do Regime, que afirmaram que esta medida foi tomada por “razões de segurança”. Por um lado, o Regime quer intimidar os alunos e reprimir diretamente qualquer resistência à transformação das escolas em prisões modernas, e qualquer mobilização combativa dos estudantes. Por outro lado, com esta medida avança a americanização da sociedade, e a criação da sociedade totalitária do grande irmão (“Big Brother”) que estará vigiando qualquer atividade humana. Read the rest of this entry »

Ontem foi publicada nos meios de comunicação uma foto do chefe de Polícia de Hydra, Georgios Kágalos, fazendo a saudação fascista na frente de símbolos nazistas no Museu Ferroviário e da Comunicação de Nuremberg. Não é a primeira vez que este oficial da Polícia grega expressa em público sua “ideologia”. Há alguns anos, no funeral do chefe da ditadura dos coronéis (1967-1974), o mesmo sujeito disparava para o ar com a sua “arma de serviço”.

O chefe de Polícia de Hydra, no entanto, não se limitou a posar fazendo a saudação fascista, disparando para o ar ou admitindo em público que é fascista e que sente saudade da ditadura militar. Anos atrás ele agrediu outro policial, por que o mesmo tinha atrasado a sua promoção na hierarquia da Polícia.

Pelo menos ele (ainda) não negou seu passado. O líder do partido neonazista Aurora Dourada, Mijaloliakos, que se apresenta como “patriota”, negando ser um nazista, na década de 80 cobrava 10 salários mínimos por seu serviço como “policial disfarçado” na Agência de Segurança Nacional. Aqui você pode ver várias fotos tanto do líder deste grupo criminoso, como de seus vices, Pappás e Kasidiaris, fazendo a saudação fascista na frente de símbolos nazistas e imagens de Hitler, e segurando a bandeira nazista. Read the rest of this entry »

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