Posts Tagged ‘movimento anarquista grego’

“Qualquer ousado intento de provocar uma grande mudança nas condições existentes, qualquer nobre visão de novas possibilidades para a raça humana, foram etiquetados como utópicos”.

Como anarquistas, cujo fim é a criação de uma sociedade diferente, agregamos uma arma nova em nosso arsenal: o discurso teatral. Concretamente, para nós o teatro constitui um meio de despertar consciências e de mantê-las despertas, tendo como objetivo a edificação de uma sociedade anti-hierárquica cujas leis sejam iguais para todos e na quais todos terão o mesmo valor. Em nossos dias, a arte em geral, e o teatro em específico, são produtos da exploração cada vez mais dura, da mercantilização e dos meios de manipulação. Os partidários de um teatro semelhante que semeia o racismo, o nacionalismo, o ódio, a homofobia e o patriarcado, enquanto que não deixam de elogiar o atual estado social e político da voracidade neoliberal como única alternativa existente. De tal maneira, como o pretexto da sátira, promovem a culpabilização do trabalhador de baixo nível econômico.

A coletividade teatral anarquista Hybris propõe a resistência e a luta contra a alienação e a decadência. Lutamos e criamos focos de ação e solidariedade. Opomos-nos a qualquer tipo de discriminação baseada na nacionalidade, religião, raça e sexo. Somos relutantes a qualquer relação de exploração, autoritária ou outra, procedente, reproduzida ou imposta e perpetuada pelos vários mecanismos de repressão estatal, direta ou indiretamente, e pelos que a exercem. Apoiamos todas as estruturas, okupas e coletividades que funcionem de uma maneira horizontal, anti-hierárquica, tendo em conta os princípios da solidariedade e da autogestão, contra os patrocinadores, as subvenções estatais e a União Europeia, bem como contra os interesses econômicos cujo fim é o lucro. O objetivo da coletividade teatral anarquista Hybris é ser parte integrante do movimento revolucionário, social e de classe. Read the rest of this entry »

O seguinte texto foi distribuído em 15 de outubro nas ruas do bairro ateniense de Exarchia, e foi publicado em várias páginas web.

É óbvio que as agressões que tem caráter de canibalismo social não são um fenômeno que se dá somente no bairro de Exarchia. Estas práticas constituem uma parte integrante da crise social, a qual se vê cada vez mais intensificada durante os últimos anos, conforme vai apodrecendo o capitalismo. A ausência de estruturas de solidariedade de classe e de organização política dos oprimidos nos bairros, e a incapacidade de fazer uma frente de luta que possa injetar a perspectiva revolucionária na sociedade, conduzindo a saídas da crise, criam vazios sociais e políticos. E é bem sabido que na política, assim como na natureza, não há vazios.

A área de Exarchia deveria constituir um modelo de bairro libertário e um exemplo de auto-organização social e de classe para os demais bairros. Não obstante, este bairro, sobretudo durante a crise, se converteu em um bairro no qual se desenvolveram e generalizaram fenômenos antissociais e reacionários. Os meios de desinformação não deixaram de tirar proveito deste fato, difamando a nível do bairro a luta do movimento anarquista. Apesar de tudo isso, em grande medida o destino deste bairro está associado com as propostas e as lutas dadas nesta área. Exarchia foi um bairro de resistência durante a ocupação [N.d.T.: Dos nazis e seus aliados na segunda guerra mundial], um campo de luta contra a ditadura dos coronéis, e segue constituindo o bairro do componente mais combativo da sociedade, o qual se rebela ao serem assassinados jovens manifestantes e rebeldes, e o campo de expressão da solidariedade de classe mais esperançador. Read the rest of this entry »

Texto da Assembleia de anarquistas-comunistas pelo contra-ataque de classe contra a União Europeia, publicado em sua página web.

No sábado 8 de outubro o bando de nazis interconectados com o Corpo Nacional de Espionagem Aurora Dourada inaugurou seus escritórios”sindicais” no bairro de Pangrati. Após uma iniciativa de companheiros e companheiras dos bairros vizinhos foi convocada uma manifestação antifascista na mesma hora (que o evento fascista), com o fim de anular a festinha fascista. Ao chamado responderam coletividades do âmbito anarquista e antiautoritário, sindicatos de base, organizações esquerdistas e antirracistas, individualidades, assim como habitantes dos bairros vizinhos. Mais de 1.000 antifascistas se manifestaram para não deixar nem um centímetro quadrado de terra aos esbirros do Capital, e para impedir com sua presença a difusão do veneno fascista.

Como Assembleia de anarquistas-comunistas pelo contra-ataque de classe contra a União Europeia, optamos por participar na informação sobre as características da mobilização, reforçando ao mesmo tempo com nossa participação sua salvaguarda da violência policial e as provocações fascistas. Durante a marcha, ao chegar a duas maçãs (quadras) antes do cordão policial, um grupo de poucas pessoas, as quais marchavam encapuçadas pela calçada, em paralelo à marcha (apesar de que os organizadores e a salvaguarda lhes pedissem que se incorporassem à marcha), começou a armar-se quebrando pedras. Read the rest of this entry »

Há uns dias no bairro de Pangrati, em Atenas, aconteceu uma manifestação antifascista com o fim de anular a inauguração dos escritórios do partido neonazi Aurora Dourada neste bairro. A maioria dos manifestantes eram anarquistas, no entanto, não faltaram os blocos esquerdistas. A marcha não chegou aos escritórios dos fascistas por causa das forças policiais alinhadas em suas zonas adjacentes, entretanto, bloqueou o acesso a elas durante muitas horas. O resultado deste bloqueio foi que o evento fascista aconteceu com a presença de uns poucos antropoides isolados em uma rua e rodeados por centenas de policiais.

Durante a manifestação não faltaram os conflitos entre a salvaguarda da manifestação constituída por membros de vários coletivos anarquistas, e uma quadrilha que atuou (como sempre) à margem da manifestação de maneira contrária às decisões tomadas em (pela) assembleia que havia convocado a manifestação, sobre o seu caráter. É a enésima vez que algo semelhante acontece. Em um prefácio nosso publicado há seis meses explicamos porque já não publicamos notícias sobre incidentes provocados por tais quadrilhas.

A seguir, publicamos uns comentários sobre o ocorrido à margem dessa manifestação, quando os membros da custódia reagiram à tentativa desta quadrilha de atuar de uma maneira arbitrária e alterando o caráter da manifestação, o qual havia sido determinado em uma assembleia com processos horizontais uns dias antes. Consideramos que esta reação à atitude arbitrária e perigosa de dita quadrilha, assim como seu rechaço em um debate público na Internet, foram mais importantes que a própria manifestação. Por isso, publicamos aqui alguns comentários sobre este tema, publicados em um debate em Atenas Indymedia. Read the rest of this entry »

O comentário a seguir foi escrito por uma pessoa que participou de um debate aberto no Atenas Indymedia sobre as próximas eleições. O comentário foi publicado na página da web. No mesmo debate outro comentário que publicamos no nosso post foi “censurado” e transferido para a seção de comentários ocultos. O editor do comentário começa o texto em resposta a outro comentário que indicou que é necessário muito trabalho pelos anarquistas.

E não faz falta não só muito trabalho, mas também muito tempo de trabalho. De trabalho individual e coletivo, de trabalho sistemático, persistente e difícil. Com consequência, continuidade e compromisso. Em geral, devido à idade média baixa no “espaço” (anarquista), no ambiente de processos coletivos prevalece uma noção distorcida do tempo. Se sente que, por causa da juventude, a maioria desses e dessas jovens tem uma noção completamente pessoal de como flui o tempo político em todas as conjunturas. Às vezes o concebem altamente condensado (por exemplo, em dezembro de 2008) e às vezes (principalmente) distendido…

Não acho que muitos estão dispostos a sair de campo, apesar das vaias que estão recebendo e receberão das quadrilhazinhas de aformalistas. Nas festas, concertos e outros eventos “auto-organizados” aparecem milhares de pessoas. Infelizmente, o nível médio de formação em nível de uma visão de mundo e consciência política e de classe no “espaço” chega pouco depois da dupla acab-antifa… E este é o maior problema: se queremos formar de maneira antihierárquica um movimento libertário consciente e eficiente, composto de coletividades políticas organizadas, com raízes sociais e ações destinadas a sujeitos políticos, temos que dedicar muito trabalho e muito tempo individual e coletivo para ver alguns mínimos resultados encorajadores 2-3 anos depois. Read the rest of this entry »

O seguinte comentário foi escrito por uma pessoa que quis participar em um debate aberto no Atenas Indymedia sobre as próximas eleições. Desde os primeiros comentários publicados o debate se canalizou para o tema da posição que tem que tomar os anarquistas. O comentário que publicamos nesta introdução é uma resposta a outro comentário, no qual se assemelha a organização com um “praticismo burocrático partidário”. O comentário que traduzimos e publicamos aqui não foi publicado no link de dito debate. Foi “censurado” e transladado à seção dos comentários ocultos…

O partido é, por antonomásia, uma forma hierárquica de organização política. Sua hierarquia é formalíssima e é formada mediante um certo procedimento. Se consideras que a CNT era um partido, atreve-te a dizê-lo aos anarquistas, não (escreva-o) aqui, porque aqui terás que escrever argumentos. A forma de organização aformalista está baseada nas hierarquias informais e no compromisso e a consequência política inexistentes. Resulta muito eficaz na prática: Um punhado de pessoas em uma praça vai pensando no quê pode fazer. Um diz: “Por quê não queimamos uma delegacia?”. “Não há como e por quê, não nos converteremos em partido, o que queira me acompanha, o que esteja chateado fica fora da organização”. Quer dizer, que brevemente, por maioria e com um centralismo democrático, prevaleceu a ideia de um. Após o êxito da ação não houve continuação, não houve nenhum motivo para criar uma formação além desta ação. A organização se dissolveu. Para a próxima ação: outra vez à praça. E se durante a ação se queimou alguma velhinha que havia ido à delegacia para assinar alguma autorização, ninguém assume nenhuma responsabilidade. De tudo isto se põe a culpa na Anarquia, aos companheiros e as companheiras, aos solidários e as solidárias, aos anarquistas. E dá-se o mesmo. Read the rest of this entry »

Este é um primeiro informe, escrito no final de julho de 2015. Esperamos que haja continuação…

Após 35 anos de vida como movimento (talvez mais tempo) político/social, o informalmente chamado movimento anarquista-antiautoritário, no qual em muitos casos foram incluídos ramos de organizações e indivíduos da esquerda radical marxista, a autonomia marxista e anarquista, assim como libertários pacifistas, após haver fracassado reiteradas vezes em criar uma organização anarquista para vincular e unir a todas as entidades independentes e coletivos anarquistas, assim como os indivíduos que não podiam identificar-se com algum coletivo político, tratou de realizá-lo em dezembro de 2012. Naquele momento um chamado mais sério parecia tentar novamente formar uma Organização Política Anarquista. O chamado inicial realizado em 19 de dezembro de 2012 veio de quatro coletivos influentes e de longa vida, e foi publicado após longos debates entre as coletividades que assinaram a minuta da comunicação aos demais anarquistas sobre a necessidade de um nível de organização ainda maior. Ao que parece, isto criou um amplo interesse em outros coletivos em Atenas e no resto do território do Estado grego. Este interesse se converteu em um processo complexo sobre como formar propostas em comum, anunciadas sobre a organização e as posições políticas sobre os temas mais importantes que os anarquistas costumam posicionar-se. No entanto não conhecemos o conteúdo detalhado destes processos.

Fora do espectro dos coletivos que participaram nesta tentativa durante quase dois anos, guardou-se silêncio. Ao mesmo tempo existia a esperança de que algo sério estava sendo preparado. Alguns intuíam e especulavam sobre isso. Ao mesmo tempo havia uma curiosidade crescente sobre a identidade do que tardava em anunciar-se durante tanto tempo. Finalmente, o silêncio foi rompido por um coletivo insatisfeito chamado ASMPA (Coletividade Anarquista para a Reconstituição Proletária Militante), que ao que parece separou-se do esforço pelo projeto depois de um desacordo feroz com os outros coletivos sobre a possibilidade de um deles, o coletivo Kathodón fazer parte do grupo. Este desacordo era uma lembrança e também uma prova de que o projeto estava em curso e que estava amplamente apoiado por cerca de vinte coletivos em todo o território do Estado grego. Read the rest of this entry »

Publicamos um texto do recém-fundado grupo anarquista Galean@s sobre a conjuntura atual, publicado em sua pagina web.

Depois da revolta de dezembro de 2008 alguns que tinham falsas ilusões sobre o caráter espontâneo da subversão do Estado, das estruturas de Poder e do capitalismo sem uma organização especial e através de individualidades insurgentes e grupos pequenos que atuam no vórtice dos acontecimentos de cada conjuntura, aperceberam-se de que isto não é possível. Isto é, se fez clara a incapacidade (deficiência) a nível prático da transmissão de pensamento e do alento do ideal revolucionário. Pareceu impossível que os indivíduos, os grupos e inclusive os partidos poderiam aproveitar-se do vazio de Poder, chegar a ser parte de alguma solução proposta a sociedade, comunicar e expressar uma linha comum (ao menos um componente comum), uma tática, alguns objetivos. O pluralismo e a confusão, assim como as estimativas sobre a disponibilidade e a massividade das ações, mostraram os limites do movimento (anticapitalista, antiestatal, antiautoritário, inclusive antigovernamental). Em última instância, através de uma revolta se teve a oportunidade histórica de que os sujeitos políticos que atuaram nela conseguissem conquistas para toda a sociedade, entretanto, faltou o meio para o estabelecimento (consolidação) de tais conquistas. Poucas foram as conquistas, em oposição a um contra-ataque generalizado do Estado, realizado posteriormente à revolta (contra ocupações mais velhas e novas, contra as benefícios sociais, etc.) que dotaram o regime burgues e sua ordem de um domínio ainda maior.

Cinco anos depois, sendo ainda espectadores de uma variedade de movimentos, rebeliões e levantes (derrocadas-subversões) desde o norte da África e do Oriente Médio, até à vizinha Turquia, estamos observando a derrocada (subversão) parcial ou total do Poder por massas não organizadas, compostas por pessoas díspares. Read the rest of this entry »

O texto a seguir e parte do texto que acompanha o chamado do grupo anarquista do bairro ateniense Nea Smirni “vogliamo tutto e per tutti”, para um debate sobre este tema que se realizou no dia 12 de marco em Atenas.

– O novo governo ascendeu ao Poder absorvendo as resistencias e capitalizando as lutas do periodo anterior. Ao mesmo tempo, assegurou que pode garantir a paz social (desde a revolta de dezembro de 2008 ate a greve de fome de Nikos Romanos).

– A doutrina da ordem e seguranca foi substituida por jogos comunicativos, pelo negocio da venda de esperanca, por varias promessas (tudo isto esta baseado nas ilusoes e nas falsas esperancas de uma grande parte da sociedade de que a situacao pode retroceder a 1996 quando as pessoas faziam emprestimos para pagar os gastos de suas ferias) e pela tatica do chicote ou cenoura, pelo menos temporariamente, enquanto o metodo da assimilacao e a apreensao do consenso social tem resultados.

– As manifestacoes a favor do governo, sob o nome de “Juntos podemos, mas temos todos a mesma responsabilidade”, ofereceram apoio ao novo governo e criaram um clima de unidade nacional, de forma que os novos gestores politicos repartiram as responsabilidades da derrota das negociacoes com a UE, o BCE e o FMI, que tem que assegurar. Tambem constituiram o meio adequado para fortalecer a credibilidade derrubada das instituicoes. As instituicoes nos ultimos anos nao so tem perdido a confianca dos grandes segmentos sociais, como tambem tem sido totalmente desprezadas. Read the rest of this entry »

O seguinte texto que foi publicado nesta páxina web con motivo dun chamamento anónimo (asinado por “anarquistas”) a unha concentración anti-estatal, o cal foi publicado en Atenas Indymedia en 16 de febreiro de 2015. As respostas a este texto son unha crítica a este chamamento (e a chamamentos semellantes), ao modo de que este se publicou, sen realizar ningún proceso político. Así mesmo, pon de relevo as consecuencias que tales accións e prácticas poden ter para o movemento anarquista, formulando ao mesmo tempo o interrogante de quen se beneficia destas.

Botamos unha ollada a este chamamento que ten un interese e contido especiais, e facemos as nosas críticas a este; se nos equivocamos ou se esaxeramos, podedes enviar os vosos comentarios, non imos censurar nada. Porque se aceptásemos a censura, a alteración ou a eliminación dos comentarios dun debate, entón publicariamos este texto no noso querido medio: Atenas Indymedia.

“Concentración e marcha anti-estatais, 26 de febreiro, ás 18:00h, Propileos da vella Universidade de Atenas”.

Se o elemento anarquista se relegase ao elemento anti-estatal, ou sexa á ideoloxía da manda, dos gánsteres e da mafia que poden xestionar, controlar e impoñerse sen ningunha estrutura de organización social formal, é dicir, pola forza e a violencia, entón baixo esta forma sería perigoso que fose adoptado polo movemento anarquista como unha proposta. Hai algo que os anarquistas propoñen en contra deste anti-estatismo estéril: A autoxestión contra o fascismo e o canibalismo social. Porque hai moitos nazis que fan unha propaganda anti-estatal, e ai de nós se todos acabamos sendo como eles. Pero non sexamos esaxerados criticando (xulgando) o chamamento só polo seu título. Examinemos máis detalladamente este chamamento, estudando o seu contido. Read the rest of this entry »

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