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Aproximadamente 600 pessoas participaram, em 16 de outubro, da marcha contra as fronteiras (No Border), organizada no marco do Encontro Anarquista do Mediterrâneo, da Campanha Anarquista de Solidariedade Internacionalista “Três Pontes”. “Três Pontes”, que em colaboração com a IFA-IAF (Internacional de Federações Anarquistas) organizou o Encontro, realizado de 9 a 18 de outubro de 2015, em várias cidades de todo o território do Estado grego.

Este encontro teve o caráter de um evento de dez dias com atividades, debates e ações abertas, e foram realizados nas cidades onde teve colaborações de grupos locais, individualidades ou iniciativas locais envolvidas na campanha (Atenas, Tessalônica, Patras, Larissa, Chania, Heraklion, Réthymno). Ao mesmo tempo foram organizados debates temáticos com a participação de companheiros e companheiras que são membros de federações anarquistas regionais ou nacionais, grupos anarquistas individuais regionais e/ou individualidades, formas de organização anarcossindicalistas, espaços ocupados anarquistas ou libertários etc. O ponto culminante do Encontro Anarquista do Mediterrâneo aconteceu com eventos e debates temáticos de três dias realizados na ilha de Creta, entre os dias 16 e 18 de outubro.

A marcha em Chania [segunda maior cidade da ilha grega de Creta] foi realizada na parte da tarde e percorreu boa parte da cidade, passando por muitos bairros, e muitas ruelas, além das principais ruas. Sua característica mais significativa, contudo, foi o seu caráter multilíngue. Read the rest of this entry »

Publicamos nesta entrada o programa da Feira do Livro Antiautoritário, que acontecerá em Heraclión, Creta, de 28 a 30 de novembro, tal como se vê no cartaz da Coletividade Anarquista Octana.

“A luta do homem contra o Poder é a luta da memória contra o esquecimento”

Sexta-feira, 28 de novembro

17h: Exibição de filme: Viver a utopia.

19h: Apresentação do livro por um membro das edições Eutopia: FAI, a organização do movimento anarquista espanhol nos anos anteriores a guerra civil (1927-1936).

Sábado, 29 de novembro

17h: Exibição do filme: If.

19h: Apresentação do jornal Anarquismo Social, por membros do grupo editorial.

Domingo, 30 de novembro

14h: Preparação de refeição coletiva no parque Theotokópulos. Read the rest of this entry »

Enquanto em Corinto uns professores de uma escola secundarista optaram por encarregar-se com a repressão das mobilizações estudantis, em várias outras cidades foram realizadas massivas manifestações de estudantes secundaristas.

Em Corinto, uma pequena cidade perto de Atenas, o diretor e alguns professores de uma escola secundarista trancaram dentro dela seus alunos, para impedir a participação deles na manifestação que aconteceria hoje (13 de novembro de 2014) no centro da cidade. Contudo, os estudantes desta escola avisaram os colegas de outras escolas da cidade, que chegaram em massa fora da escola isolada, gritando lemas de solidariedade e exigindo o fim do cativeiro de seus companheiros.

O diretor da escola chamou a Polícia, e prontamente a escola foi cercada por um bom número de policiais. No entanto, os jovens que estavam dentro e fora da escola não se curvaram ante as ameaças e o terrorismo dos professores e dos policiais. E continuaram se manifestando, e logo os alunos que estavam trancados conseguiram abrir as portas da escola, sair dela e participar na manifestação, juntamente com os jovens de outras escolas da cidade. Read the rest of this entry »

Neste post publicamos um texto informativo e um comunicado da Assembleia Aberta de Visitantes, Habitantes e Trabalhadores de Gavdos (uma ilhota ao sul da ilha de Creta) contra a hidrólise das armas químicas da Síria no Mediterrâneo, a oeste de Creta.

No final de semana de 19 a 20 de julho de 2014, desde Gavdos nos informamos do bloqueio de dois dias da base da OTAN em Suda, Creta, comunicando com amigos e companheiros que participaram no bloqueio. No domingo, 20 de julho, pela noite decidimos pregar cartazes em todas as lojas, restaurantes e cafeterias de Gavdos, com um chamado aberto para a segunda-feira, 21 de julho, com o fim de debater e organizar as formas da continuação da luta.

Na segunda-feira, 21 de julho, e na terça-feira, 22 de julho, realizaram-se as primeiras reuniões da Assembleia Aberta, e foram tomadas as seguintes decisões:

1. Distribuir um texto de contrainformação em Gavdos;

2. Colocar cartazes no porto contra os produtos químicos, e combinar esta ação com ações de contrainformação;

3. Organizar e realizar ações, e divulgá-las, assim que se faça pública nossa oposição ao experimento da hidrólise¹, e nossa solidariedade ativa com os que participam desta mesma luta; Read the rest of this entry »

Publicamos aqui a carta da pessoa tetraplégica que morreu faz uns dias, quando a Companhia de Eletricidade lhe cortou o fornecimento de energia elétrica, pelo não pagamento de uma dívida de uns 800 euros. Seu filho sustenta que sua dívida havia sido reduzida aos 110 euros, depois que uma pessoa pagou o resto de sua dívida. Isto não muda o fato de que esta pessoa foi assassinada pelo Estado¹. Eftijía é uma das dezenas de milhares de pessoas que são conduzidas pelo sistema social desumano, à pobreza, indigência, e são tratadas como cifras. Algumas são conduzidas ao suicídio, a outras o Sistema tira a vida diariamente. Eftijía Popodaki foi assassinada diretamente. O objetivo dos de cima é óbvio: querem que nos acostumemos à miséria, à barbárie, à morte.

Meu nome é Eftijía Popodaki. Sou uma pessoa com tetraplegia faz 20 anos, estou na cama e estou com vida conectada com aparelhos desde janeiro de 2003. Manejo o computador através de câmera de infravermelho. Tenho uma enfermidade chamada esclerose lateral amiotrófica (ELA). Nasci em 30 de outubro de 1958.

Toda minha vida me dediquei à agricultura, exceto durante o ano e meio que abri uma floricultura para vender as plantas que cultivava eu mesma, assim que não se beneficiavam do meu trabalho os comerciantes (mediadores) e me compravam as plantas por umas migalhas. E isto porque tinha que criar três filhos. Encontrei uma lojinha de 15 metros quadrados e um contador. Não me disseram que era necessário (obrigatório) que me inscrevesse no Fundo de Comércio. Abri a floricultura e pensei que tudo estava em ordem com relação a minhas obrigações (deveres) com o Estado. Ninguém me incomodou. Em novembro de 1993 comecei a perder o equilíbrio e cair no chão sem saber por que. Em dezembro de 1993 fui hospitalizada em um hospital de Atenas. Então os médicos prepararam para mim todos os documentos (papeis) necessários, “para que os apresentasse em meu Fundo” como me disseram. Read the rest of this entry »

As okupas dos bairros ocidentais de Atenas, Paputsadiko, Sinialo e Thersitis, e o espaço auto-organizado Agrós, chamam uma manifestação e marcha para 28 de julho de 2014, em razão da morte recente de uma mulher tetraplégica que vivia conectada a aparelhos que a mantinham com vida, e morreu quando a Companhia de Eletricidade lhe cortou o fornecimento de energia pelo não pagamento de uma dívida de 800 euros. O seguinte texto foi baseado no texto do cartaz e do comunicado dos coletivos que chamam a marcha.

Na quarta-feira, 23 de julho de 2014, na cidade de Canea, Creta, a Companhia de Eletricidade, sem aviso prévio cortou o fornecimento de energia à Eftijía Popodaki, uma mulher tetraplégica de 56 anos, condenando-a a uma morte tortuosa por uma dívida de 800 euros. Uma vez mais sobraram as desculpas por parte do Estado, com o  fim de que seja direcionado o descontentamento social a canais paliativos para o Sistema. O que aconteceu, contudo, constitui um assassinato direto desta mulher por um “serviço social de interesse geral”, por causa de uma dívida insignificante ao Estado, ao mesmo tempo que as dívidas dos grandes industriais e construtores, assim como de várias organizações governamentais, à Companhia de Eletricidade chegam as dezenas de milhões de euros. Nestes últimos casos “não acontece nada”, o Estado é benevolente com estes parasitas da sociedade.

Quer seja com assassinatos cruéis e exemplares como o de Eftijía Popodaki, com suicídios forçados a que são conduzidas milhares de pessoas, que deste modo evitam chegar à indigência absoluta, ou condenando à morte a pessoas enfermas sem acesso a medicamentos e a assistência médica, a lista das “vítimas da crise” vai aumentando. Nesta lista estão incluídas milhares de pessoas que morrem nos bairros de classe baixa, em uns bairros devastados pela pobreza e miséria. A história, no entanto, tem demonstrado que, independentemente dos pretextos e desculpas dos soberanos, o futuro que nos reserva o poder é a escravidão, a indignidade, a indigência e em última instância para muitos de nós, a morte. Read the rest of this entry »

Poster da Assembleia de Creta de anarquistas e antiautoritários.

 Contra a guerra e a paz social dos soberanos!

Que matam diariamente:

Nas zonas de guerra, nos quartéis, nas fronteiras, nos centros de detenção, nas prisões, nos hospitais psiquiátricos, nos calabouços da escravidão assalariada.

Que destroem em todas as partes:

O meio ambiente, os animais, a terra e as nossas vidas, com a extração de petróleo e ouro, com as enormes indústrias de fontes de energias renováveis, com a poluição do mar com produtos químicos.

Nos cruéis jogos geoestratégicos de imposição e de Poder que são jogados em todo o mundo, a mão de ferro militar das superpotências que impõem a sua vontade, enquanto acontece a guerra ideológica implacável nos territórios “pacíficos”, visando estabelecer a legitimidade retórica desta barbárie.

A luta contra suas guerras não pode ser nada mais do que uma guerra contra a dominação universal dos poucos que as fazem. Read the rest of this entry »

Comunicado:

Desde terça-feira, 4 de junho de 2013, o anarquista preso Kostas Sakkas está em greve de fome exigindo a sua libertação imediata. 4 de junho era a data em que, de acordo com o atual sistema legal, o limite máximo de sua prisão preventiva expirava.

Desde o primeiro momento estamos em solidariedade com sua luta, e com sua decisão de arriscar sua própria vida por sua liberdade.

Como anarquistas de Heraklion estamos em solidariedade com a greve de fome e decidimos ocupar os escritórios da organização de turismo grego e do departamento local do Ministério do Turismo em Heraklion.

Nestes tempos que as menores liberdades são sacrificadas no altar do lucro para a sobrevivência de um sistema cruel em colapso, nestes tempos em que todos os esforços de resistência são reprimidos e difamados, os planos de todos aqueles que nos dominam agora parece claro. A maioria das pessoas está à beira da miséria e não há nenhuma possibilidade do Estado dar uma solução para o povo. Então ele usa a esperança como desculpa.  Uma esperança que não é baseada em nenhum elemento da realidade. Esperança para a recuperação e o crescimento da economia, esperança de voltar aos bons velhos tempos quando os outros eram… para a nossa própria prosperidade. Read the rest of this entry »

Um professor de 45 anos cometeu suicídio no sábado, 21 de abril, em um armazém de sua casa, na cidade de Stavrúpoli, no norte da Grécia. Savvas Metiquidis foi enforcado, deixando um bilhete que explica que as razões para sua ação eram políticas. Em um manifesto de várias páginas faz uma crítica feroz ao memorando e seu impacto na sociedade grega. Refere-se à situação política e social na Grécia e à crise econômica e sistêmica, que o levaram ao suicídio.

É um dos muitos suicídios acontecidos recentemente na Grécia devidos à situação econômica e social que leva as pessoas ao desespero, e um dos que tem um caráter político. Após o suicídio público de Dimitris Jrístulas em frente ao Parlamento, três outras pessoas escolheram a data de 21 de abril para acabar com sua vida. O 21 de abril de 1967, outra Ditadura, a dos coronéis, com um golpe de Estado estabelecendo um regime ditatorial que durou 7 anos. Ontem, 21 de abril de 2012, duas pessoas cometeram suicídio na cidade de Heraklion, na ilha de Creta. Um dos dois, um homem de 57 anos, deixou um bilhete dizendo: “Não gosto da vida que nos forçam a viver. Desculpe por causar transtorno”.

Savvas Metiquidis era profundamente politizado, um ativista social. Havia participado da rebelião de dezembro de 2008 e em todas as lutas sociais contra a barbárie capitalista nos últimos 30 anos.

Uma sociedade e um sistema social que cheiram a morte, regidos pela morte, que conduzem seus membros à morte, não podem e não devem ter outro destino que a morte.

A Assembleia de Anarquistas/Antiautoritários de toda ilha de Creta é um processo que começou no outono de 2011 para coordenar e organizar o movimento anarquista/antiautoritário na área geográfica da ilha de Creta. Esta assembleia é apoiada por grupos existentes na ilha, com o fim de melhorar a coordenação, a discussão política e ideológica entre as diferentes tendências do movimento, para que nossas ações sejam mais eficazes, geograficamente difundidas e dirigidas a um objetivo, e que nosso discurso conte com uma base comum, que será desenvolvida através de processos horizontais.

O caráter da Assembleia de Anarquistas/Antiautoritários em Creta não é temporal, mas regularmente serão realizadas reuniões com um tópico específico. Para mais informações ou contato, se pode contatar com os grupos existentes na ilha. Segue abaixo o texto da primeira Assembleia de Anarquistas/Antiautoritários de toda Creta.

A estilhaçar o velho mundo

As promessas da Soberania de bem-estar social já se esgotaram.

Estamos vivendo em um estado de emergência e as promessas estão sendo substituídas pela intensificação da exploração laboral, a intensidade da vigilância e do controle em todas as áreas da sociedade, o papel incrementado da Repressão e a eliminação das conquistas sociais em todos as áreas da vida social (trabalho, segurança social, pensões, educação, saúde, etc.). Read the rest of this entry »

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