Posts Tagged ‘creta’

Na quarta-feira, 23 de agosto de 2017, uns deputados do partido neonazi Aurora Dourada chegaram à ilha de Creta para celebrar um evento em Heraklion, capital da ilha. Como sucedeu no passado em casos semelhantes, a data e a hora da celebração do evento foram divulgadas dois dias antes, pensando que desta maneira se evitaria a realização de uma manifestação antifascista.

No entanto, apenas os antifascistas da ilha se inteiraram da chegada dos deputados neonazis, uns 130 deles realizaram uma concentração no bairro de Alicarnaso, onde se celebraria o evento fascista. A concentração durou umas três horas. Segundo o comunicado que emitiram os antifascistas de Heraklion, as pessoas deste bairro reagiram de maneira positiva ao verem os antifascistas manifestando-se contra a presença dos nazis na cidade, em uma ilha que sofreu muitíssimo durante sua ocupação pelas tropas alemãs na segunda guerra mundial.

Quatro esquadrões das chamadas forças antidistúrbios, uns vinte policiais motorizados e mais alguns vestidos à paisana, se alinharam em torno ao local em que estavam reunidos os fascistas. Apesar de que não foi possível que os antifascistas se aproximassem deste lugar, sua presença na praça do bairro desalentou a participação de muitos neonazis no evento organizado por seu bando criminoso. Uma vez mais os deputados neonazis (que viajaram desde Atenas só para assistir a este evento) se viram forçados a celebrar um evento sem gente, na presença apenas de um punhado de lacaios, esbirros seus e outras escórias e mercenários. Read the rest of this entry »

Texto da okupa de Heraklion Evangelismos, publicado em seu site.

Quem imaginava isso? A Escola Politécnica de Creta pouco a pouco está percebendo que não tem lucrado o bastante com os imóveis que possui. Começa, portanto, o processo de “reabilitação” do edifício em que está hospedada a okupa Rosa Nera nos últimos anos. Esta tentativa vem a se conectar com os desalojos de várias okupas em toda a Grécia por parte do governo do Syriza (que cruzou muito rapidamente, como esperado, seu passado “esquerdista” e os comunicados de denúncia dos desalojos das okupas, emitidos por este partido antes de tomar o Poder). Desde 2016 foram desalojadas as okupas de teto para imigrantes Orfanotrofio, Hurriya e Nikis em Tessalônica, Alkiviadou em Atenas, assim como a okupa Villa Zografou em Atenas, Anoixto 3º em Syros e Barricada em Larisa. A “reabilitação”, no entanto, do edifício que hospeda a Rosa Nera foi integrado no âmbito tanto da expansão da indústria do turismo na ilha de Creta, como das políticas de austeridade, de privatização e de mercantilização de cada vez mais atividades universitárias e do setor público em geral.

Vamos ser mais específicos. A Universidade de Creta alugou o edifício da okupa Rosa Nera a uma conhecida rede de hotéis para abrigar um hotel de luxo. Este exemplo é ilustrativo da direção tomada pelo Capital na ilha de Creta. Sem dúvida, a indústria do turismo tem sido bem sucedida na ilha, não só conseguindo permanecer viva, mas continuando a se expandir em tempos de crise. Este triunfo para os patrões da indústria do turismo, para os trabalhadores significa exploração cruel, horas extras não recolhidas, trabalhar sem segurança social, dias livres inexistentes e intensificação constante. Ao mesmo tempo, as prefeituras, as autoridades locais e todos os representantes do Estado sabem muito bem o papel a desempenhar neste processo. Este papel é o da legalização deste processo na consciência da sociedade local. Assim o turismo torna-se o salvador da economia, portador do “desenvolvimento”, e algo que “dá vida” a ilha, e uma maneira de exportar a nossa maravilhosa civilização. Contudo, para nós, “desenvolvimento” significa dinheiro nos bolsos dos patrões, trabalho em calabouços modernos, extensão dos conceitos de comercialização e de entretenimento em alguns lugares que num passado recente estava longe deles. Read the rest of this entry »

O teatro autogerido Emprós (Avante) expressa a sua solidariedade com a okupa Rosa Nera, um espaço autogerido de luta, ações, eventos e hospitalidade, e que é um bem público na cidade de Chania há treze anos.

O edifício do Rosa Nera é um prédio histórico, situado na colina Kasteli, sobre o velho porto de Chania. O Reitor (da Universidade de Creta) o concedeu de maneira provocadora a uma empresa hoteleira multinacional, com o pretexto de reabilitar o edifício. Na verdade, contribui para a turistização violenta da cidade e o desaparecimento de seus residentes permanentes, mediante a subida dos alugueis, da gentrificação, do despejo de estudantes e o saque de todas as células sociais vivas da cidade.

Não é fortuito o fato de que o mesmo tenha sucedido com outro edifico histórico de Papadogiorgakis, que foi despejado e depois abandonado. A Escola Politécnica, ao invés de ser uma barreira contra a mudança violenta da fisionomia da cidade, é quem a provoca, já que está nas mãos de tecnocratas e empresários que fomentam uma noção de gestão da Escola totalmente lucrativa, minando o caráter humanitário e social do conhecimento. Read the rest of this entry »

Rosa Nera é uma okupa que está funcionando há 13 anos em Chania, na ilha de Creta. Estamos há 13 anos enfrentando o modelo de cidade baseado no mercantilismo e na gentrificação. A partir de 2004, foi ocupado por um grupo de estudantes, anarquistas, habitantes de Chania, e convertemos este edifício abandonado, propriedade da Universidade de Creta, num espaço para a auto-organização popular, e ainda possibilitando alojamento para 15 pessoas.

Este espaço político que tem um pequeno teatro, uma sala de conferências, bar, creche, biblioteca, oficinas e vista para lindos entardeceres no mar, desenvolveu campanhas contra a OTAN e os exércitos, difundindo o antifascismo, na defesa das terras dos agricultores contra os parques eólicos, contra a gentrificação, praticamos a solidariedade com as pessoas migrantes e sempre nos vinculamos a outras okupas e lutas.

Hoje, em contrapartida, Vasilis Digalakis, reitor da Universidade e pessoa próxima ao partido Nova Democracia, querendo impulsionar a sua carreira política nos próximos meses, decidiu oferecer várias propriedades da Universidade a barões do turismo. E justamente o edifício que okupa Rosa Nera. O objetivo, dizem, é transformá-lo num complexo hoteleiro de luxo, numa cidade já saturada de hotéis. Onde centenas de pessoas de Chania põem as suas casas em airbnb, tornando-se mais complicado ainda para os trabalhadores viverem no lugar. A mesma história de sempre, solucionar a precariedade capitalista com mais precariedade. Mesmo assim, os habitantes de Chania sabem que o verdadeiro sentido desta operação são os ingressos políticos na bolsa de votos direitista, que consequentemente implica desalojar os anarquistas. Read the rest of this entry »

Chania, Creta: Informação sobre a manifestação em solidariedade com a okupa Rosa NeraChania, Creta: Informação sobre a manifestação em solidariedade com a okupa Rosa NeraChania, Creta: Informação sobre a manifestação em solidariedade com a okupa Rosa NeraChania, Creta: Informação sobre a manifestação em solidariedade com a okupa Rosa Nera
Μas 600-700 pessoas participaram na manifestação realizada em 13 de junho de 2017 na cidade de Chania, em solidariedade com a okupa Rosa Nera. A manifestação aconteceu contra os planos do reitor da Universidade de Creta de vender ao Capital privado o edifício da okupa, assim como o edifício da reitoria, com o fim de que se convertam em hotéis, cuja exploração será pelas mãos de uma empresa hoteleira.

A concentração foi realizada às 18h na praça do mercado de Chania, e contou com a participação de gente da cidade e de Réthimno. A marcha começou uma hora mais tarde. Passou pelo centro da cidade, parou em frente da Prefeitura, onde se pintaram lemas, e continuou até o velho porto veneziano, plenamente turístico, onde se gritaram lemas associados com as condições laborais dos trabalhadores no setor do turismo.

Ao passar a marcha pelo hotel Ambassador, os manifestantes procederam a um bloqueio simbólico do hotel, já que há indícios de que seu dono é o que se esconde atrás de uma empresa chipriota (off shore), à qual se concederá pelos próximos 25 anos a exploração comercial dos edifícios da okupa e da reitoria da Universidade. Hora e meia depois de seu começo, a marcha terminou na okupa, onde se organizaram um café e uma ceia auto-organizados.

Durante a concentração e a marcha se distribuiu um texto, que esperamos poder traduzir nos próximos dias.

Na faixa que se vê nas fotos, o lema é: “As okupas são barricadas contra a investida da barbárie”.

Tradução: Agência de Notícias Anarquistas.

O texto em castelhano.

Foi realizada na terça-feira, 13 de junho, em Chania, Creta, uma manifestação em solidariedade com a okupa Rosa Nera, posta no ponto de mira das autoridades universitárias da cidade e do Capital local. O texto que publicamos a seguir foi escrito por duas coletividades de Creta, que participam nas mobilizações em defesa da okupa, em Chania e em outras cidades de Creta.

Em um período no qual a economia promissora (capitalismo) anda muito mal, quem paga o preço, como sempre, são os estratos inferiores e lutadores da sociedade. Neste período tão agitado, os soberanos inventam vários truques para conseguir mais recursos. Neste marco a Universidade de Creta pensou matar dois pássaros com um tiro, pondo no ponto de mira a okupa Rosa Nera no casco velho da cidade de Chania.

O primeiro pássaro é tirar de cima do status quo local um lugar de luta social. O segundo é conseguir dinheiro, o qual se demostrará que é pouco, desinteressando-se da longa história do edifício, e claro das ações políticas e culturais realizadas no espaço aberto da okupa. Read the rest of this entry »

Texto da União Sindical Libertária de Réthimno, publicado em sua página web por causa da ofensiva desatada recentemente pela Universidade de Creta contra a okupa Rosa Nera.

Não faltam os hotéis de Creta. Faltam os espaços livres.

Durante os últimos anos todos os governos realizaram várias campanhas de eliminação dos espaços autogestionados e livres. O que querem conseguir é que nos encontremos só em nossas casas, nas cafeterias, nos bares e nos centros comerciais. Quer dizer, que querem que sejamos só consumidores e clientes. Por conseguinte, a ofensiva que está recebendo a okupa Rosa Nera em Chania não é fortuita.

O edifício da okupa pertence à Escola Politécnica de Chania, e faz treze anos constitui um lugar de luta e cultura emblemático, cobrindo também necessidades de teto. Em suas instalações as pessoas incansáveis que se esforçaram por dar vida ao edifício criaram um teatro, uma biblioteca e sala de leitura, um espaço de apresentações (de criações artísticas), um parque de crianças, uma oficina de construções, um espaço em que se celebra um bazar de artigos doados, um forno de produção de pão artesanal, e um café. Read the rest of this entry »

A seguir, texto informativo da Organização de Antifascismo Combativo sobre a manifestação antifascista de 26 de abril no centro de Pireu, em razão da qual foi dissolvida uma concentração neonazi.

Na quarta-feira 26 de abril de 2017 a organização criminosa Aurora Dourada realizou mais uma tentativa lamentável de reaparecer nos bairros de Pireu. A concentração bateu o recorde da participação, com treze pessoas. A concentração fascista começaria às 15h30 (o chamado foi publicado 24 horas antes da concentração). Os fascistas apareceram na praça Koraí e permaneceram alguns minutos e fugiram às 13h quando chegaram os manifestantes antifascistas.

Uma vez mais o movimento antifascista mostrou reflexos incríveis, anulando uma tentativa mais de concentração pública dos neonazis. Ao mesmo tempo, no entanto, se revelou a total incapacidade organizativa da cúpula do Aurora Dorada, já que o “bastião” do Pireu conseguiu reunir uma dezena de imbecilizados.

Vale a pena assinalar que a concentração do Aurora Dorada havia sido convocada com o pretexto da participação do município de Pireu no projeto europeu “CITIGE: CITIzen and refuGEes”. Claro, o município participará neste projeto, no entanto, Aurora Dorada teve que inventar uma desculpa sobre um centro de internamento inexistente para desaparecer o quanto antes do centro de Pireu. Read the rest of this entry »

Atenas, 8 de abril de 2017: Manifestação antifascista em resposta à agressão neonazi contra estudanteAtenas, 8 de abril de 2017: Manifestação antifascista em resposta à agressão neonazi contra estudanteAtenas, 8 de abril de 2017: Manifestação antifascista em resposta à agressão neonazi contra estudante
Segue o texto da Organização de Antifascismo Combativo sobre a manifestação antifascista realizada no sábado 8 de abril no bairro de Ampelokipi, próximo do centro de Atenas, por causa da agressão que havia realizado uns dias antes um batalhão de assalto neonazi contra um estudante universitário.

Em 8 de abril de 2017, pela manhã, milhares de lutadores se manifestaram no bairro de Ampelokipi contra a organização criminosa Aurora Dourada. Expressaram sua indignação pela surra dada por um batalhão de assalto fascista a um estudante, em 31 de março, e pela tentativa dos fascistas de semear o terrorismo no bairro.

Uma vez mais vimos a cara dura do fascismo. Enquanto estão desaparecidos durante os últimos tempos, tendo recebido uma série de golpes por parte dos antifascistas, não duvidaram em pôr no ponto de mira a um cidadão inocente, tratando de jogar o papel dos combativos, tanto como resposta às queixas que há em seu interior, como para mostrar seus “dentes” a nosso grupo político. Fracassaram uma vez mais, e se afundaram em sua inexistência.

Estão tratando de tirar partido do ambiente internacional que promove a extrema-Direita como uma alternativa à crise política e econômica a nível mundial. No entanto, na realidade política grega as coisas são diferentes. O movimento antifascista de classe não só não foi esmagado, senão que está reivindicando e está marcando vitórias. Anulou todas as tentativas do Aurora Dourada de aparecer na rua, e constantemente surgem oportunidades de seguir fazendo-o. Read the rest of this entry »

Anteontem realizou-se uma marcha antifascista em dois bairros da capital da Ilha de Creta, Heraklion. A marcha foi uma resposta às recentes aparições de neonazis e outros fascistas em vários lugares do território do Estado grego. Esta marcha realizou-se em bairros da cidade e não no centro, como tradicionalmente acontece com as marchas de eventos principais em Atenas, consideramos que é significante esta presença antifascista na ilha (fora da linha partidária e institucional), que sofreu muitíssimo com a ocupação das tropas nazis, durante a segunda guerra mundial.

Na sexta-feira 3 de março de 2017 foi realizada uma marcha antifascista na cidade de Heraklion, nos bairros Poros e Pateles. 80 companheiros e companheiras marcharam de maneira combativa pelas ruas centrais e ruelas do bairro, distribuindo um folheto a moradores e transeuntes, enquanto gritavam lemas de solidariedade com os imigrantes e lemas antifascistas, como os seguintes: ” Anogeia, Vianno, Kándano foram incendiados pelos nazis. Não cabem fascistas nesta ilha” e ” Agora e sempre, como em 1940: Sempre estaremos lutando contra o fascismo e a pobreza”.

Para além do fato que não temos a intenção de deixar em nenhum lado espaço para a propagação do micróbio fascista no pântano da crise, consideramos que é muito importante que estas mensagens cheguem aos bairros da cidade e não só ao centro. Já que despertam a memória coletiva dos habitantes da ilha e o nosso dever histórico de lutar contra o fascismo. Read the rest of this entry »

Arquivo