Posts Tagged ‘creta’

Anteontem realizou-se uma marcha antifascista em dois bairros da capital da Ilha de Creta, Heraklion. A marcha foi uma resposta às recentes aparições de neonazis e outros fascistas em vários lugares do território do Estado grego. Esta marcha realizou-se em bairros da cidade e não no centro, como tradicionalmente acontece com as marchas de eventos principais em Atenas, consideramos que é significante esta presença antifascista na ilha (fora da linha partidária e institucional), que sofreu muitíssimo com a ocupação das tropas nazis, durante a segunda guerra mundial.

Na sexta-feira 3 de março de 2017 foi realizada uma marcha antifascista na cidade de Heraklion, nos bairros Poros e Pateles. 80 companheiros e companheiras marcharam de maneira combativa pelas ruas centrais e ruelas do bairro, distribuindo um folheto a moradores e transeuntes, enquanto gritavam lemas de solidariedade com os imigrantes e lemas antifascistas, como os seguintes: ” Anogeia, Vianno, Kándano foram incendiados pelos nazis. Não cabem fascistas nesta ilha” e ” Agora e sempre, como em 1940: Sempre estaremos lutando contra o fascismo e a pobreza”.

Para além do fato que não temos a intenção de deixar em nenhum lado espaço para a propagação do micróbio fascista no pântano da crise, consideramos que é muito importante que estas mensagens cheguem aos bairros da cidade e não só ao centro. Já que despertam a memória coletiva dos habitantes da ilha e o nosso dever histórico de lutar contra o fascismo. Read the rest of this entry »

Em 1º de dezembro de 2016 uns estudantes da Universidade de Heraklion, Creta, se mobilizaram contra a mercantilização do transporte urbano e interurbano. Como ocorre em todo o território do Estado grego, na cidade de Heraklion o Estado concedeu a exploração dos meios de transporte de massas a uma empresa privada. Os preços dos bilhetes simples e dos abonos mensais não são acessíveis nem para os estudantes, nem para os trabalhadores com salários baixos ou os desempregados.

Publicamos esta notícia (esperamos poder publicar em próximas posts os comunicados relativos da coordenadora estudantil) porque a iniciativa dos estudantes não se limitou à reivindicação da redução dos preços dos bilhetes e os abonos, senão que colocou o tema da mercantilização do transporte supostamente “público”.

Uns 40 estudantes foram aos escritórios da empresa privada que tem em suas mãos a exploração do transporte de massas na cidade de Heraklion. Ao entrar, se enfrentaram com o chefe da empresa. Depois de uma discussão curta, deixaram o texto da decisão de sua assembleia e marcharam à praça principal da cidade. Ali todos juntos entraram em um ônibus sem picar bilhete. Durante o itinerário distribuíram o mesmo texto aos passageiros, tanto estudantes como habitantes da cidade. Read the rest of this entry »

A seguir, comunicado do Conselho Coordenador dos estudantes secundaristas da cidade de Chania, chamando para uma marcha em solidariedade com os refugiados que vivem na ilha, dando boas-vindas a seus filhos nas escolas, e reagindo às atitudes racistas recentes de alguns pais de alunos.

Os alunos que compõem o Conselho Coordenador dos estudantes secundaristas da cidade de Chania, tomaram a iniciativa de responder aos trágicos acontecimentos que ocorreram em nosso país nos últimos tempos.

Concretamente, observamos que vários pais em todo o país se opõem à integração dos filhos de refugiados nas escolas gregas. Observamos aos mesmos argumentando que eles têm fechado as escolas de seus filhos por medo (sob o pretexto de) terrorismo e das doenças. Observamos as pessoas privando de educação as crianças que têm vivido a dor extrema e o deslocamento. São crianças que, obviamente, receberam assistência médica adequada, e que não tem nenhuma intenção de causar mal a ninguém. Observamos, mas não podemos ficar de braços cruzados.

O Conselho Coordenador dos estudantes secundaristas de Chania declara que procederá a ações de solidariedade de caráter simbólico. O início será a marcha estudantil que partirá do Ágora [mercado municipal], na sexta-feira, 4 de novembro, às 11h. Além disso, vamos oferecer roupa e material escolar para as crianças (dos refugiados), e trataremos de ajudar como pudermos às famílias carentes. Read the rest of this entry »

Réthimno, Creta: Operação coordenada entra a Polícia e grupos fascistas durante manifestação antifascistaRéthimno, Creta: Operação coordenada entra a Polícia e grupos fascistas durante manifestação antifascistaRéthimno, Creta: Operação coordenada entra a Polícia e grupos fascistas durante manifestação antifascistaRéthimno, Creta: Operação coordenada entra a Polícia e grupos fascistas durante manifestação antifascista
Na quarta-feira, 28 de setembro de 2016, pela manhã, cerca de 30 antifascistas realizaram uma concentração fora da prefeitura de Réthimno (ilha de Creta). Nesse dia o conselho municipal decidiria sobre a instalação de refugiados na cidade. Um pouco depois do meio-dia uns 20 fascistas estavam concentrados no pátio da prefeitura, enquanto que dentro do edifício encontravam-se vários policiais, uniformizados ou vestidos em trajes civis.

Quando as duas manifestações se cruzaram teve inicio os enfrentamentos entre os antifascistas e a escória neonazi. Durante o ocorrido várias pessoas de ambos os lados ficaram feridas. Os policiais participaram do conflito disparando gás lacrimogêneo nos antifascistas e protegendo aos fascistas. Alguns gases atingiram uma escola primária localizada nas proximidades da prefeitura. Ao mesmo tempo em que o grupo dos antifascistas se viu obrigado a retroceder os fascistas conversavam com os policiais vestidos a paisana dentro e fora do espaço da prefeitura.

Logo depois chegaram mais fascistas ao centro da cidade. Então começaram a lançar paus, pedras e garrafas d’água nos manifestantes antifascistas, sendo que na sequência estes foram atacados com paus e barras de ferro, porém conseguiram repelir tais atos. Os fascistas se retiraram do pátio da prefeitura escoltados pela polícia. Suas provocações não pararam. Eles continuaram brandido paus e barras de ferro e cajados, estando organizados a pouca distância dos policiais. Durante e depois dos enfrentamentos vários fascistas entravam e saíam da prefeitura como se fosse sua casa. Read the rest of this entry »

Chania: Informações sobre a marcha contra as fronteirasAproximadamente 600 pessoas participaram, em 16 de outubro, da marcha contra as fronteiras (No Border), organizada no marco do Encontro Anarquista do Mediterrâneo, da Campanha Anarquista de Solidariedade Internacionalista “Três Pontes”. “Três Pontes”, que em colaboração com a IFA-IAF (Internacional de Federações Anarquistas) organizou o Encontro, realizado de 9 a 18 de outubro de 2015, em várias cidades de todo o território do Estado grego.

Este encontro teve o caráter de um evento de dez dias com atividades, debates e ações abertas, e foram realizados nas cidades onde teve colaborações de grupos locais, individualidades ou iniciativas locais envolvidas na campanha (Atenas, Tessalônica, Patras, Larissa, Chania, Heraklion, Réthymno). Ao mesmo tempo foram organizados debates temáticos com a participação de companheiros e companheiras que são membros de federações anarquistas regionais ou nacionais, grupos anarquistas individuais regionais e/ou individualidades, formas de organização anarcossindicalistas, espaços ocupados anarquistas ou libertários etc. O ponto culminante do Encontro Anarquista do Mediterrâneo aconteceu com eventos e debates temáticos de três dias realizados na ilha de Creta, entre os dias 16 e 18 de outubro.

A marcha em Chania [segunda maior cidade da ilha grega de Creta] foi realizada na parte da tarde e percorreu boa parte da cidade, passando por muitos bairros, e muitas ruelas, além das principais ruas. Sua característica mais significativa, contudo, foi o seu caráter multilíngue. Read the rest of this entry »

Heraclión, Creta, 28-30 de novembro de 2014: Feira do Livro AntiautoritárioPublicamos nesta entrada o programa da Feira do Livro Antiautoritário, que acontecerá em Heraclión, Creta, de 28 a 30 de novembro, tal como se vê no cartaz da Coletividade Anarquista Octana.

“A luta do homem contra o Poder é a luta da memória contra o esquecimento”

Sexta-feira, 28 de novembro

17h: Exibição de filme: Viver a utopia.

19h: Apresentação do livro por um membro das edições Eutopia: FAI, a organização do movimento anarquista espanhol nos anos anteriores a guerra civil (1927-1936).

Sábado, 29 de novembro

17h: Exibição do filme: If.

19h: Apresentação do jornal Anarquismo Social, por membros do grupo editorial.

Domingo, 30 de novembro

14h: Preparação de refeição coletiva no parque Theotokópulos. Read the rest of this entry »

Enquanto em Corinto uns professores de uma escola secundarista optaram por encarregar-se com a repressão das mobilizações estudantis, em várias outras cidades foram realizadas massivas manifestações de estudantes secundaristas.

Em Corinto, uma pequena cidade perto de Atenas, o diretor e alguns professores de uma escola secundarista trancaram dentro dela seus alunos, para impedir a participação deles na manifestação que aconteceria hoje (13 de novembro de 2014) no centro da cidade. Contudo, os estudantes desta escola avisaram os colegas de outras escolas da cidade, que chegaram em massa fora da escola isolada, gritando lemas de solidariedade e exigindo o fim do cativeiro de seus companheiros.

O diretor da escola chamou a Polícia, e prontamente a escola foi cercada por um bom número de policiais. No entanto, os jovens que estavam dentro e fora da escola não se curvaram ante as ameaças e o terrorismo dos professores e dos policiais. E continuaram se manifestando, e logo os alunos que estavam trancados conseguiram abrir as portas da escola, sair dela e participar na manifestação, juntamente com os jovens de outras escolas da cidade. Read the rest of this entry »

A Assembleia Aberta de Visitantes, Habitantes e Trabalhadores de Gavdos contra a hidrólise das armas químicas da Síria no MediterrâneoA Assembleia Aberta de Visitantes, Habitantes e Trabalhadores de Gavdos contra a hidrólise das armas químicas da Síria no MediterrâneoA Assembleia Aberta de Visitantes, Habitantes e Trabalhadores de Gavdos contra a hidrólise das armas químicas da Síria no Mediterrâneo
Neste post publicamos um texto informativo e um comunicado da Assembleia Aberta de Visitantes, Habitantes e Trabalhadores de Gavdos (uma ilhota ao sul da ilha de Creta) contra a hidrólise das armas químicas da Síria no Mediterrâneo, a oeste de Creta.

No final de semana de 19 a 20 de julho de 2014, desde Gavdos nos informamos do bloqueio de dois dias da base da OTAN em Suda, Creta, comunicando com amigos e companheiros que participaram no bloqueio. No domingo, 20 de julho, pela noite decidimos pregar cartazes em todas as lojas, restaurantes e cafeterias de Gavdos, com um chamado aberto para a segunda-feira, 21 de julho, com o fim de debater e organizar as formas da continuação da luta.

Na segunda-feira, 21 de julho, e na terça-feira, 22 de julho, realizaram-se as primeiras reuniões da Assembleia Aberta, e foram tomadas as seguintes decisões:

1. Distribuir um texto de contrainformação em Gavdos;

2. Colocar cartazes no porto contra os produtos químicos, e combinar esta ação com ações de contrainformação;

3. Organizar e realizar ações, e divulgá-las, assim que se faça pública nossa oposição ao experimento da hidrólise¹, e nossa solidariedade ativa com os que participam desta mesma luta; Read the rest of this entry »

Publicamos aqui a carta da pessoa tetraplégica que morreu faz uns dias, quando a Companhia de Eletricidade lhe cortou o fornecimento de energia elétrica, pelo não pagamento de uma dívida de uns 800 euros. Seu filho sustenta que sua dívida havia sido reduzida aos 110 euros, depois que uma pessoa pagou o resto de sua dívida. Isto não muda o fato de que esta pessoa foi assassinada pelo Estado¹. Eftijía é uma das dezenas de milhares de pessoas que são conduzidas pelo sistema social desumano, à pobreza, indigência, e são tratadas como cifras. Algumas são conduzidas ao suicídio, a outras o Sistema tira a vida diariamente. Eftijía Popodaki foi assassinada diretamente. O objetivo dos de cima é óbvio: querem que nos acostumemos à miséria, à barbárie, à morte.

Meu nome é Eftijía Popodaki. Sou uma pessoa com tetraplegia faz 20 anos, estou na cama e estou com vida conectada com aparelhos desde janeiro de 2003. Manejo o computador através de câmera de infravermelho. Tenho uma enfermidade chamada esclerose lateral amiotrófica (ELA). Nasci em 30 de outubro de 1958.

Toda minha vida me dediquei à agricultura, exceto durante o ano e meio que abri uma floricultura para vender as plantas que cultivava eu mesma, assim que não se beneficiavam do meu trabalho os comerciantes (mediadores) e me compravam as plantas por umas migalhas. E isto porque tinha que criar três filhos. Encontrei uma lojinha de 15 metros quadrados e um contador. Não me disseram que era necessário (obrigatório) que me inscrevesse no Fundo de Comércio. Abri a floricultura e pensei que tudo estava em ordem com relação a minhas obrigações (deveres) com o Estado. Ninguém me incomodou. Em novembro de 1993 comecei a perder o equilíbrio e cair no chão sem saber por que. Em dezembro de 1993 fui hospitalizada em um hospital de Atenas. Então os médicos prepararam para mim todos os documentos (papeis) necessários, “para que os apresentasse em meu Fundo” como me disseram. Read the rest of this entry »

As okupas dos bairros ocidentais de Atenas, Paputsadiko, Sinialo e Thersitis, e o espaço auto-organizado Agrós, chamam uma manifestação e marcha para 28 de julho de 2014, em razão da morte recente de uma mulher tetraplégica que vivia conectada a aparelhos que a mantinham com vida, e morreu quando a Companhia de Eletricidade lhe cortou o fornecimento de energia pelo não pagamento de uma dívida de 800 euros. O seguinte texto foi baseado no texto do cartaz e do comunicado dos coletivos que chamam a marcha.

Atenas, 28 de julho de 2014: Marcha de resistência e dignidade para não nos acostumarmos com a morteNa quarta-feira, 23 de julho de 2014, na cidade de Canea, Creta, a Companhia de Eletricidade, sem aviso prévio cortou o fornecimento de energia à Eftijía Popodaki, uma mulher tetraplégica de 56 anos, condenando-a a uma morte tortuosa por uma dívida de 800 euros. Uma vez mais sobraram as desculpas por parte do Estado, com o  fim de que seja direcionado o descontentamento social a canais paliativos para o Sistema. O que aconteceu, contudo, constitui um assassinato direto desta mulher por um “serviço social de interesse geral”, por causa de uma dívida insignificante ao Estado, ao mesmo tempo que as dívidas dos grandes industriais e construtores, assim como de várias organizações governamentais, à Companhia de Eletricidade chegam as dezenas de milhões de euros. Nestes últimos casos “não acontece nada”, o Estado é benevolente com estes parasitas da sociedade.

Quer seja com assassinatos cruéis e exemplares como o de Eftijía Popodaki, com suicídios forçados a que são conduzidas milhares de pessoas, que deste modo evitam chegar à indigência absoluta, ou condenando à morte a pessoas enfermas sem acesso a medicamentos e a assistência médica, a lista das “vítimas da crise” vai aumentando. Nesta lista estão incluídas milhares de pessoas que morrem nos bairros de classe baixa, em uns bairros devastados pela pobreza e miséria. A história, no entanto, tem demonstrado que, independentemente dos pretextos e desculpas dos soberanos, o futuro que nos reserva o poder é a escravidão, a indignidade, a indigência e em última instância para muitos de nós, a morte. Read the rest of this entry »

Arquivo