Posts Tagged ‘a outra cara do turismo’

Texto da União Sindical Libertária de Tessalônica, publicado em sua página web.

Em um verão muito quente na Grécia da crise, algumas pessoas passam muitos meses em uma ilha, não de férias mas sim tentando sobreviver. Parece que neste âmbito (entorno) de plena dissolução, com o desemprego dos jovens chegando já a 50%, o setor turístico pode absorver uma pequena parte do potencial operário, sobretudo aos jovens. Os especialistas levam anos dizendo que o futuro da Grécia passa obrigatoriamente pelo turismo.

Mas, o quê se esconde por detrás desta vitrine que nós vemos como “clientes”? O quanto sincero é este sorriso com o qual nos dão a boa-vinda os trabalhadores no negócio turístico em que trabalham? E por último, quanto custa para os patrões a dignidade e a necessidade de sobreviver dos trabalhadores?

Muitos trabalhadores, sobretudo os jovens, no verão não tem férias. Tratam de economizar dinheiro para poder sobreviver no inverno. Trabalham e sofrem a violação de seus direitos por parte dos patrões. Estes últimos costumam explorar ao máximo aos trabalhadores que vão (aos lugares turísticos) a trabalhar na temporada, pensando que os trabalhadores que trabalham para eles são parte de sua propriedade e não tem direito a ter vida privada. Read the rest of this entry »

A situação dos trabalhadores no setor do turismo na ilha de Corfu é algo para lá de lamentável. O exemplo desta ilha, não é único no país. Semelhante, ou até pior, é a situação em outros lugares na Grécia que, há umas décadas, os seus habitantes converteram-se em vassalos modernos, abandonando a terra e se dedicando quase totalmente ao turismo. É igualmente preocupante a situação ecológica na ilha. As consequências causadas ao meio ambiente devido ao modelo turístico são desastrosas, e tem prevalecido na ilha há mais de meio século, além de que não são reversíveis. Apresentamos a seguir umas reflexões, feitas por motivo de uma suposta “manifestação” recentemente realizada por escravos assalariados na indústria turística da ilha.

Corfu é uma ilha, que antes de aparecer o turismo os seus habitantes eram autossustentáveis na maioria dos alimentos que consumiam. A partir dos anos 70 as pessoas começaram a abandonar a agricultura, a criação de gado e a pesca para poderem trabalhar no setor do turismo. O fenômeno se generalizou nos anos 80 e 90, quando a ilha se encheu de hotéis, pousadas e negócios turísticos de todo tipo. As oliveiras, os vinhedos e os demais cultivos foram abandonados. As pessoas foram perdendo o contato com a terra. E uma boa parte da população sofreu uma alteração mental, adaptando-se às invenções pequeno-burguesas e pensando que podiam lucrar ou pelo menos viver bem, sem se esforçar muito. E claro, enganaram-se. Read the rest of this entry »

O texto a seguir aborda as denúncias publicadas na página web seasonfight.gr sobre as condições de trabalho e de sobrevivência dos escravos modernos no setor do turismo.

Os termos descritos abaixo falam-nos das condições de sobrevivência, no setor da alimentação e do turismo, dos escravos assalariados em Santorini, no Hotel Spiliotica On The Cliffs, nos meses de alta temporada da ilha, isto é, durante cinco, seis ou sete meses ao ano.

No início da temporada, o dono do Hotel contratou trabalhadores para a nova época. No contrato, o dia laboral era de nove horas diárias e o salário de 1.100 euros por trabalhador. Poucos dias depois, o patrão exigiu que se trabalhasse pelo menos quatorze horas diárias. Quando chegou o momento do pagamento, os trabalhadores perceberam que as surpresas desagradáveis não teriam fim: o montante, para os mais sortudos, era de 866 euros. Mesmo assim, nem todos os trabalhadores foram pagos e, o dono do hotel continua devendo à maioria. Read the rest of this entry »

Texto publicado na página web seasonfight.gr.

Em princípios do verão aconteceu em Veneza um protesto sem precedentes: Centenas de embarcações de todo tipo impediram o aceso de um navio de cruzeiros gigantesco ao porto. Os poucos habitantes que seguem vivendo nesta cidade histórica-monumento reagem a um tipo de turismo que vem do futuro e ameaça a existência da cidade.

Depois da desastrosa segunda guerra mundial o município de Veneza tinha 176.000 habitantes. Hoje ficaram 55.000 habitantes, ou seja os que vivem na cidade de Corfu [ilha grega do mar Jônico]. Os habitantes de Veneza (o movimento se chama “Ultimi Veneziani”) denunciam de milhares de maneiras na Internet, nos periódicos e na televisão, a conversão de sua cidade em uma fossa séptica. Vão saindo da cidade para viver em municípios vizinhos, e assim uma das cidades mais históricas e bonitas no mundo vai sendo abandonada.

A cidade dos artistas, dos grandes artesãos e dos enamorados, está se convertendo em um lugar não apto para viver, em um lugar perigoso para a saúde e a vida de seus habitantes. O tema da exploração extensa das agências de viagens internacionais se agudizou ao aparecer a nova moda de turismo: Os cruzeiros com navios de cruzeiros gigantescos que tem capacidade para transportar milhares de passageiros. Read the rest of this entry »

O outro lado da indústria do turismoEm 20 de agosto de 2015 membros da okupa Elea e do grupo anarquista Cumulonimbus espalharam este cartaz em grego e em inglês na cidade de Corfu. A razão para essa ação contra o regime de exploração extrema nos hotéis gregos foi à morte de uma funcionária em um hotel de Zante por esgotamento físico, e a surra que um diretor de um hotel de Corfu deu num trabalhador por ele exigir o dinheiro dos salários de dois anos que o hotel lhe devia.

17 de julho de 2015, Zante, Hotel Louis: Uma funcionária ucraniana de 20 anos morreu de esgotamento físico depois de trabalhar vários dias consecutivos numa jornada de 12 horas por dia por um salário mensal de 300 euros. Este é o valor cobrado por duas noites de hospedagem no hotel.

30 de julho de 2015, Corfu, Hotel Magna Grécia: O gerente do hotel agride brutalmente um trabalhador no hotel, por ele exigir os seus salários depois de trabalhar sem remuneração durante dois anos. Após esta agressão o trabalhador foi levado ao hospital onde ficou internado.

Estes são os empregos que nos “tiram” os imigrantes. Este é o desenvolvimento que nos prometem. Nosso silêncio é cumplicidade. Read the rest of this entry »

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