Posts Tagged ‘17 de novembro’

Texto de Nikos Adamópulos, publicado no Indymedia Atenas.

Uma festa de “memória nacional”, reiterada constantemente, sempre adquire aquelas características que são proibitivas para poder alcançar o conhecimento frutífero, histórico e real. Esta é uma constatação comum e universal.

Os aniversários nacionais do 25 de março de 1821 e do 28 de outubro de 1940 são dois exemplos ilustrativos da falta em nosso país de uma comemoração frutífera do passado, que produza o conhecimento histórico necessário para o cidadão e para o povo grego em sua totalidade. No melhor dos casos, poderíamos dizer que estas festas nacionais são uma oportunidade para que os trabalhadores tenham um dia livre e descansem, devido a que são dias festivos [feriados], ou no pior dos casos, para muitos são uma oportunidade de surgimento da parte mais cruel e paranoica de seu inconsciente, a qual, neste caso toma a forma de uma histeria nacionalista e racista, e de vingança contra qualquer inimigo, real ou fictício, de nossa pátria… gloriosa.

A celebração do aniversário da revolta da Escola Politécnica, e sobretudo em forma de eventos de três dias, com o tempo foi se degradando e chegou a tocar fundo, assim como umas festinhas nacionais-nacionalistas similares, como as dos aniversários de 1821 e de 1940. E isto é devido principalmente ao fato de que o Estado que sucedeu à Ditadura, o chamado Estado da Transição, se apropriou de uma revolta estudantil espontânea, a qual (mutatis mutandis) foi se desenvolvendo em uma solidariedade popular, emocional e a distância, com os estudantes em luta. O Estado da Transição percebeu aquela mobilização popular histórica como uma… “revolução” sistêmica sua (própria), cujo fim era a abolição de um Estado ditatorial, arbitrário e militar, e sua substituição por seu Estado parlamentar… ideal! E não poderia ser de outra maneira, já que muitos dos participantes ou protagonistas daquela rebelião de novembro de 1973, ostentaram cargos muito altos no Estado burguês. O importante é que isto aconteceu tão só uns anos depois, quando as memórias dos acontecimentos da rebelião todavia não se haviam desvanecido (apagado). Read the rest of this entry »

Em 15 de novembro de 2017 um grupo de pessoas procedeu à ocupação da velha Escola Politécnica de Atenas, em cujo recinto cada ano, de 15 a 17 de novembro, se celebram eventos em memória da rebelião de 17 de novembro de 1973 contra a Ditadura militar. Segundo o primeiro comunicado conciso da ocupação, seu primeiro objetivo político é “a expulsão das organizações políticas e partidárias que pretendem manipular a rebelião”. No mesmo texto se fez um chamado a “fazer realidade a insurreição e enfrentar-nos com as forças policiais”. No segundo comunicado, igualmente conciso que o primeiro, a frase “organizações políticas e partidárias” foi substituída pelas frases “parasitas partidários” e “manipuladores partidários e institucionais”.

No mesmo dia, vários grupos esquerdistas realizaram uma marcha de protesto fora dos recintos da velha Escola Politécnica. No dia seguinte, vários partidos e grupos esquerdistas (e poucos anarquistas) chegaram em marcha à Escola e encerraram a ocupação. Até a hora de escrever essas linhas, o grupo que ocupou a Escola Politécnica não emitiu nenhuma declaração sobre o final da ocupação. A seguir, o texto da coletividade anarquista “Anarquistas comunistas de Patras” contra a ocupação.

A Escola Politécnica pertence aos lutadores e as lutadoras. O 17 de novembro não se pode manipular, a anarquia não se pode aviltar

Com surpresa, tristeza e raiva, nos informamos da ocupação da velha Escola Politécnica por um grupo de pessoas na manhã de quarta-feira (15 de novembro), e a consequente exclusão de associações estudantis e grupos esquerdistas do recinto da Universidade. Estes coletivos tradicionalmente celebram neste recinto as atividades de memória histórica realizadas cada ano durante três dias. Read the rest of this entry »

Cartaz da coletividade anarquista de Tessalônica Negro e Vermelho.

Escola Politécnica, 1973-2017. Contra o mito da Democracia que segue:

– Formando as condições da imposição da ditadura moderna do Estado e do Capital, ou seja o sistema do totalitarismo moderno, chamando “inimigos” aos alter ego da Dominação.

– Armando, respaldando e apoiando ativamente a criminosos e fascistas de todo tipo.

– Ampliando o estado de exceção, legalizando o estado de emergência permanente.

– Aplicando a política da morte contra os imigrantes e os refugiados, reprimindo violentamente todas suas revoltas por uma vida melhor.

– Aumentando o custo de vida, esmagando os estratos sociais plebeus.

– Intensificando a exploração. Isto tem como resultado o aumento do número dos “acidentes laborais”, ou seja dos assassinatos da patronal.

– Malbaratando as casas dos pobres em nome da proteção da propriedade privada.

– Reprimindo, encarcerando, perseguindo, deixando no cárcere a Irianna e Pericles, processando constantemente a anarquistas e antifascistas, respaldando as agressões dos fascistas fora dos tribunais, etc. Read the rest of this entry »

A seguir, texto editorial do Indymedia Atenas, publicado por ocasião do aniversário da revolta na Escola Politécnica de Atenas na noite de 17 de novembro de 1973.

42 anos depois da revolta da Escola Politécnica a realidade permanece sendo testemunha irrefutável de que não há nenhum direito, nenhuma liberdade e nenhuma prosperidade para o conjunto da sociedade, se ela não se livrar dos atuais ou dos futuros “salvadores da pátria”, se ela não tirar de suas costas as correntes da escravidão assalariada, e se não colocar os interesses do conjunto da sociedade acima dos interesses pessoais.

Para a Grécia da fome, da pobreza, da extrema repressão, da submissão, da resignação e da depressão, a única solução é a rebelião generalizada imediata. Essa rebelião que recusa os compromissos de todos os tipos derrubará a situação desumana que nos impuseram, e colocará em marcha os processos revolucionários de organização espontânea da sociedade, para que ela possa servir suas necessidades com base na igualdade, na liberdade e na solidariedade. Sem governantes e súditos. Sem exploradores e explorados. Sem amos e dominados. Read the rest of this entry »

Comunicado de denúncia do “Movimento Antiautoritário (Corrente Antiautoritária) de Atenas”, emitido após a manifestação de 17 de novembro de 2014.

A marcha “habitual” deste ano no aniversário da revolta da Escola Politécnica em 1973 demonstrou manter certas características que tiram o seu caráter de “aniversário”. O novo totalitarismo estatal, cristalizado na criação de prisões de alta segurança, nos campos de concentração para imigrantes, e na existência de mais de cinquenta presos políticos, demonstra a continuidade histórica da repressão do Estado, bem como dos movimentos sociais que, em vão, estão tentando eliminá-lo.

O bloco do Movimento Antiautoritário (Corrente Antiautoritária) marchou com duas faixas: “Delegação e representação: Renúncia/Democracia Direta pelo contrapoder social” e “Contra a repressão e o estatismo/Universidade: Pública, gratuita, social”. A presença maciça de pessoas no bloco do Movimento Antiautoritário incomodou, por isso este bloco recebeu duas vezes a arremetida policial. Sem nenhuma razão, sem nenhum pretexto… Read the rest of this entry »

“O Estado nos mostrou seus dentes: Estão podres!”Comunicado de denúncia da Iniciativa Anarcosindicalista Rocinante, escrito em razão da orgia repressiva da polícia grega na manifestação de 17 de novembro, realizada segundo um plano premeditado e organizado.

“Loucura pode ser abandonar nossos sonhos (…) E a maior loucura de todas, é ver a vida tal como é e não como deveria ser (…) Mudar o mundo, amigo Sancho, não é uma loucura, nem utopia, senão justiça!”

Don Quijote de Miguel de Cervantes (1605 – 1615)

O Estado grego, cumprindo com suas piores tradições, na tarde de segunda-feira, 17 de novembro, quis ter mais um morto. O ataque criminoso, assassino, injustificado e premeditado ao bloco da Iniciativa Anarcosindicalista Rocinante, recordou dias de 1980 e de 1985, e foi um logro dos manifestantes evitar o pior, só graças a sua atitude sensata, determinante e valente. O mesmo é válido para a presença noturna da Polícia na praça do bairro de Exarchia, onde com sua prática habitual, a de um exército de ocupação, ameaçava aos moradores e aos transeuntes, maltratou a uma mulher jornalista, pegou um colega seu que protestou (como resultado de tudo isso os dois foram transferidos a um hospital), e destroçou uma banca de jornal.

De nossa parte, tivemos a sorte de confirmar as intenções da Polícia desde o começo. Já desde o início da manifestação, sem nenhum motivo em absoluto, nosso bloco foi rodeado por esquadrões da chamada Polícia antidistúrbios e por vários dos seus aliados, que impediam de uma maneira provocativa e sistemática a tarefa de nossa equipe de salvaguarda, a qual era forte e organizada. Próximo do Parlamento, segundo nos informaram testemunhas oculares e de ouvido, quando o líder do esquadrão que estava naquele local, o notório neonazi da Aurora Dourada Darío Lykiardópulos, informou a seu batalhão de assalto uniformizado que ”dobra a esquina a faixa da Rocinante, põe as máscaras e preparam-se”, a pressão em ambos os lados do bloco se voltou asfixiante. Read the rest of this entry »

Fracassa o plano repressivo premeditado da Polícia na manifestação de 17 de novembro  Fracassa o plano repressivo premeditado da Polícia na manifestação de 17 de novembro  polyte-2-thumb-largeB2pxslSCAAA1eAlGREECE-ANNIVERSARY/Fracassa o plano repressivo premeditado da Polícia na manifestação de 17 de novembro  Fracassa o plano repressivo premeditado da Polícia na manifestação de 17 de novembro  B2pmxBpIIAIHoTHcB2qeUSQCAAA0yZnB2qbncfIcAEHoSd.jpg largeB2qP6FaIUAAOPQp.jpg large
Mais de 30.000 pessoas participaram na manifestação do 17 de novembro de 2014 em Atenas, no 41º aniversário da revolta da Escola Politécnica em 1973 contra a Ditadura da época. Antes do início da manifestação cerca de 7.000 policiais uniformizados e à paisana haviam sido espalhados no centro da cidade, lembrando-nos que “a Ditadura não acabou em 1973”, segundo um dos lemas gritados na marcha até a embaixada dos Estados Unidos.

Antes da manifestação, as forças repressivas do Regime haviam criado um ambiente de terrorismo, com dezenas de retenções preventivas de pessoas que se dirigiam aos pontos de concentração da manifestação, e com milhares de policiais alinhados em torno dos edifícios das faculdades do centro de Atenas, fechadas desde sexta-feira passada pela Democracia, especificamente, por ordem do reitor da Universidade de Atenas.

Durante a manifestação a Polícia confirmou com sua atitude o que tantas pessoas já comentavam no fim da semana passada: Que ela provocaria os manifestantes, e faria todo o possível para dissolver a marcha. E fizeram de uma forma descarada. Desde o início da marcha a presença da Polícia praticamente envolvendo todo o bloco anarquista esteve sufocante, e a atitude dos policiais foi descaradamente provocativa. Cerca de três horas após o início da marcha, e quando ela estava acontecendo de forma pacífica, de repente e sem o menor pretexto a Polícia fez um ataque contra o bloco anarquista. Durante esta arremetida policial brutal e totalmente injustificada, os policiais começaram a pegar os anarquistas e todos os manifestantes que naquele momento estavam em seu alcance. Read the rest of this entry »

Editorial publicado na página athens.indymedia.org pela ocasião da comemoração de aniversário da revolta da Escola Politécnica em 1973.

Quarenta e um ano depois da revolta da Escola Politécnica a realidade segue sendo o testemunho irrefutável de que não há nenhum direito, nenhuma liberdade, nenhuma prosperidade que possa existir para o conjunto da sociedade se ela não se livra da turba partidária dos atuais ou iminentes “salvadores”, se não desata as amarras da escravidão assalariada, se não sobrepõe o benefício do conjunto da sociedade ao interesse individual.

Para a Grécia da fome, da miséria, da extrema repressão, da submissão, da resignação e da depressão, a única solução é a insurreição generalizada imediata. Essa insurreição que, negando qualquer compromisso, derrotará a situação desumana que nos foi imposta, e colocará em marcha os processos revolucionários de organização espontânea da sociedade, para que ela atenda às suas necessidades, com base na igualdade, na liberdade e na solidariedade. Sem governantes e governados. Sem exploradores e explorados. Sem amos e submissos.

As batalhas para a criação de um mundo livre e justo nunca deixaram de ser parte da história da humanidade. Uma história cheia de pequenos e grandes esforços para romper as amarras que mantêm quase toda a sociedade espiritualmente infeliz e materialmente marginalizada. Read the rest of this entry »

Texto publicado na página imf-fuck-off.blogspot.gr.

Já que entramos em novembro e a temperatura no termômetro político aumenta, é mais do que certo de que em breve começará o debate sobre a revolta da Escola Politécnica em 1973, suas demandas e sua conexão com o presente.

Junto com o debate vamos ter também os típicos “resíduos”. Como já escrevemos no texto intitulado “Democracia versus Ditadura”, publicado em novembro de 2013, “Os jornais mais leais ao Regime circulam junto com suplementos de muitas páginas que descrevem as lutas que produziram aqueles que se rebelaram, os canais de TV ilegais dos empresários “cafetões” colocam documentários dos acontecimentos que fizeram história, os políticos mais submissos declaram sua fé eterna na Democracia, e as prostitutas jornalísticas desonradas estão furiosas contra os militares que tiveram em suas mãos o Poder na Grécia por 7 anos”.

O que querem todos os porta-vozes do exposto anteriormente, especialmente àqueles que têm uma opinião mais “elaborada” sobre o caso da revolta da Escola Politécnica, ou seja, as prostitutas jornalísticas “de esquerda”, é evitar qualquer tentativa que poderia ser feita em público de conectar o mito da revolta da Escola Politécnica em 1973, com a sua substância mais profunda: Com a luta antiautoritária. Eles querem impor a versão da revolta da democracia burguesa, da folia estudantil, do Pasok [partido socialista grego], dos deputados, dos esquerdistas, do democrata que já é um menino grande e agora condena todas as formas de violência, menos a estatal, e que vota pelo novo partido apolítico-neoliberal chamado Potami (rio). Read the rest of this entry »

YouTube Preview Image

17 de novembro, 2011

Para aqueles que ainda acreditam na teoria de “algumas dezenas de mascarados”, bem como para aqueles que lutam diariamente contra o Estado e o Capital, contra o racismo, o sexismo e a destruição da natureza, por um mundo de igualdade, solidariedade e liberdade.

http://risinggalaxy.wordpress.com.

agência de notícias anarquistas-ana.

Arquivo