A seguir, texto do grupo anarquista de Patras Dissinios Ippos (Cavalo Indomável).

As crises generalizadas do Estado e dos chefes no mundo conduzem com precisão matemática a uma via, se não for formada uma frente de luta e de resistência internacional ampla: a das sociedades em guerra, da generalização e agudização dos antagonismos geopolíticos e das operações militares, inclusive de uma grande guerra e da consolidação do estado de emergência, como uma rede inflexível de controle e de repressão de todas as facetas das atividades sociais.

“Guerra e fascismo: Esta é a “resposta” do Sistema a sua crise global e profunda, a suas mesmas contradições, causadas pelo enfrentamento imposto por seu princípio fundamental, o da exploração do homem pelo homem”.

Fragmentos da declaração do segundo congresso da Organização Política Anarquista

A visita recente do primeiro ministro dos Estados Unidos da América (à Grécia) selou da maneira mais clara o acordo defensivo entre Grécia e EUA, assinado em 29 de agosto de 2017. Aparte do compromisso do governo grego de melhorar (modernizar) os aviões F16, que custam dois mil milhões de euros cada um, se confirmaram as informações sobre a modernização da base da OTAN em Suda (Creta) e a ampliação de seu papel nesta zona geográfica, assim como sobre a instalação das chamadas na linguagem da guerra “armas especiais” (os quais na realidade são armas nucleares) na base aérea de Araxos. Já desde a uns meses começaram os preparativos da modernização desta base aérea, com o reforço de sua cerca de arame e com as obras realizadas em seu interior.

Recentemente foi filtrado um documento confidencial (uma carta da OTAN ao ministério de Defesa da Grécia), no qual se concretizam os detalhes sobre os preparativos realizados na base aérea de Araxos, assim que se instalem em seu interior armas nucleares. Umas fotos aéreas da base, publicadas em várias mídias recentemente confirmam esta informação.

Desde a uns cinquenta anos a base militar de Araxos foi um lugar no qual esporadicamente se depositaram armas nucleares dos EUA. A zona geográfica da Grécia ocidental (as bases aéreas de Araxos, Andravida e Actio, e os portos de Patras e Igumenitsa) foi usada como base das operações das tropas americanas e da OTAN para suas operações militares nos Balcãs e no Oriente Médio. As armas nucleares se retiraram em 2001 com uma operação secreta da OTAN, por causa das lutas do movimento antimilitarista que duraram muitos anos. Inicialmente se transladaram a Itália e em seguida a um lugar desconhecido. Recentemente se tem mencionado o regresso das bombas (mísseis) nucleares B61 a Araxos. Atualmente se encontram em Intsirlik, na Turquia. De qualquer forma, a base militar está constantemente em estado de alerta (está preparada) para receber aviões que levam tais bombas (mísseis). De vez em quando se realizam exercícios militares, nos quais se confirma o bom funcionamento de seus armazéns nucleares subterrâneos.

Ademais, no encontro entre Tsipras e Trump se debateu a extensão do acordo sobre o uso da base militar de Suda (Creta), assim como a possibilidade da criação de uma nova base militar na ilha de Creta. A agenda oficial deste encontro (que foi similar a da visita de Obama a Atenas no ano passado) determina os verdadeiros limites do campo da gestão, imposição e antagonismo do Poder: Correlações geopolíticas, questão migratória, economia, energia.

A instabilidade nas relações entre EUA e Turquia depois da mudança recente da política do governo turco de Erdogan, ao aproximar-se da Rússia e do Irã, conduziu a mudança do papel da Grécia nesta zona em uma série de temas. Isto se torna claro com o translado programado de armamento militar desde a base militar de Intsirlik na Turquia à base de Suda em Creta, assim como com as iniciativas ativas tomadas pela Grécia nos acontecimentos realizados nesta zona geográfica, e com a colaboração cada vez mais estreita que a Grécia está buscando com uma série de países vizinhos. A prova desta última constatação são os convênios entre Grécia, Chipre e Israel, os convênios entre Grécia, Sérvia, Bulgária e Romênia, assim como os exercícios militares comuns na ZEE do Chipre.

Não cabe dúvida de que a nível mundial os patrões (amos) políticos e econômicos estão pretendendo uma ofensiva desapiedada e sem precedentes contra os povos e as regiões da periferia capitalista. Esta ofensiva abarca operações militares, a imposição de regimes ditatoriais-teocráticos e a derrubada de outros, o controle dos recursos naturais, o saque econômico de populações inteiras, a destruição do meio ambiente de várias regiões, e claro um grande número de baixas humanas. É uma condição que está criando “paisagens desérticas” enormes, prontas para serem saqueadas e “reestruturadas”. O propósito deste processo é o controle de populações e regiões, o aumento dos lucros e a extensão das atividades econômicas das elites econômicas a nível mundial, e a redistribuição das correlações de poder geopolíticas, no marco dos antagonismos interestatais entre potências globais, periféricas ou locais.

A modernização das bases aéreas (na Grécia e em outras partes), assim como a extensão do papel da Frontex [polícia europeia de fronteiras] e da OTAN, forma parte da preparação para a generalização da guerra declarada pela Soberania, inicialmente no campo no qual atualmente se expressam de maneira clara os antagonismos entre os blocos de Poder mais potentes, ou seja no Oriente Médio e no Mediterrâneo oriental, já que a possibilidade lúgubre de uma contenda (guerra) mundial voltou a ser mencionada e faz parte das planificações dos Estados Maiores militares e políticos.

Neste âmbito, os EUA constitui a potência líder do bloco de dominação ocidental, havendo protagonizado a campanha de estabelecimento de um totalitarismo moderno a nível mundial. Na mesma via (direção), o bloco “defensivo” forte, cujos líderes são EUA e a OTAN, tendo como veículo ideológico a “guerra contra o terrorismo”, tratou de estender sua hegemonia e seu “espaço vital”, colocando constantemente fogo a “pólvoras”. Os exemplos mais ilustrativos são as guerras no Iraque, na Iugoslávia e no Afeganistão, assim como a criação de um Estado do apartheid moderno em Israel.

As operações militares na periferia capitalista, assim como o aprofundamento do controle e da repressão no interior das sociedades ocidentais, a agudização do saque das maiorias das populações, e a destruição do meio ambiente, são o resultado das pretensões diacrônicas do sistema estatal-capitalista e das contradições sem resolver que estas carregam.

Nesta operação de colonização de cada faceta da vida social por parte da barbárie do Poder, dos EUA, leva décadas jogando o papel do protagonista, jogando um papel principal nos processos acelerados de reestruturação do modo estatal-capitalista a nível mundial, mediante a criação e modernização dos aparatos autoritários transnacionais, e funcionando como um modelo repressivo. As cruzadas (anti)terroristas que causaram milhares de mortes e o deslocamento de populações inteiras, os assassinatos massivos de negros nos EUA, o fortalecimento institucional do regime com leis especiais, cárceres e corpos repressivos militarizados, são partes da guerra generalizada que declarou os EUA, tanto dentro de seu território como a nível mundial, como pioneiro da Soberania mundial. Esta última responde à generalização da crise com sua ofensiva aos pobres e párias.

Esta ofensiva que estão realizando as elites políticas e econômicas a nível mundial, cujo membro é o Estado grego, tem uma intensidade cada vez maior. O denominador comum desta aliança desigual é a manutenção da organização autoritária das sociedades, a agudização das condições da escravidão moderna, o desmantelamento e a repressão das resistências de classe e sociais, assim como a manutenção do papel protagonista do bloco de soberania ocidental, e seu reforço no campo do antagonismo geopolítico internacional. O expansionismo militar, político, econômico e cultural do bloco de Poder ocidental busca a legalização e o consenso mediante a barbárie que ele mesmo produz a nível mundial: A guerra, o deslocamento, a pobreza e o canibalismo moderno, são por sua vez produtos do sistema estatal-capitalista e fatores de intimidação das massas indigentes. Uma parte da faceta ideológica deste expansionismo é a projeção do mundo estatal-capitalista como uma realidade inevitável, dentro da qual podem existir só os dilemas falsos da democracia burguesa sobre a gestão da podridão generalizada do sistema autoritário.

O Estado grego, como membro da União Europeia e da OTAN está permanentemente orientado às pretensões da elite econômica e política dominante, da qual faz parte integrante. O governo atual (assim como todos os anteriores) segue cumprindo sua missão ao pé da letra. Esta missão não é outra que o esforço constante, na parte que lhe corresponde, pela imposição sem impedimentos da ditadura moderna do Estado e do Capital, do moderno totalitarismo. Esta pretensão enlaça intimamente os Estados grego e americano, e é a base de toda aliança entre os soberanos.

A coincidência (identificação) total das direções das elites econômicas e políticas internacional e local, reflete a realidade sombria dos oprimidos: Pobreza e indigência, humilhação constante da vida humana (já sejam os suicídios sigilosos nos prédios da metrópole, ou os afogamentos a gritos no mar Egeu aberto ou nos campos de concentração), desemprego, escravidão assalariada por umas migalhas e sob condições péssimas, ou escravidão não assalariada.

Dentro desta realidade nosso dever é organizar nossas resistências, montar barricadas contra as planificações dos soberanos do mundo que prometem nada mais que morte, pobreza, guerras, refugiados, miséria e indigência. Tendo como ponto de partida as mobilizações antiguerra do passado e inspirando-nos nelas, hoje seguimos a luta pela edificação de um movimento internacionalista antiguerra forte e desde baixo, contra o totalitarismo moderno. No processo da edificação deste movimento, a resistência a instalação de armas nucleares na base aérea de Araxos, assim como as tentativas de ampliação do papel do Estado grego na conjuntura militar internacional, esta é uma luta importante que se deve dar.

Esta é a época na qual devemos conectar-nos politicamente com os companheiros e os lutadores a nível internacional, com o fim de confrontar a ofensiva que todos estamos recebendo. Juntos todos os oprimidos e explotados de este mundo devemos resistir às planificações assassinas do Estado e do Capital, edificar uma ampla frente internacional de luta e de resistências contra a guerra, o fascismo, a pobreza, a indigência, o racismo, o terrorismo estatal e paraestatal.

A esta ofensiva do mundo autoritário em decadência respondemos com a solidariedade de nossas lutas comuns. À distopia do totalitarismo moderno, no qual a grande maioria se conduz à indigência e se submete, respondemos com a sociedade libertária, organizada através dos conselhos sociais federais, “pela igualdade de cada um e a igualdade de todos”.

Contra a barbárie estatal e capitalista, os patrões locais e transnacionais, organização e lutas internacionalistas contra a guerra e o totalitarismo moderno, pela revolução social, a anarquia e o comunismo libertário.

Grupo anarquista Dissinios Ippos (Cavalo Indomável) – membro da Organização Política Anarquista

Tradução: Agência de Notícias Anarquistas.

O texto em grego, castelhano.

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