Realizou-se o terceiro congresso da Organização Política Anarquista – Federação de Coletivos no dia 25 e 26 de novembro de 2017 na okupa Mundo Novo, em Tessalônica. Durante o primeiro dia, a incidência do debate aberto foi sobre a conjuntura política e social, onde estiveram presentes como observadores os representantes da coletividade de comunismo libertário Libertatia (Tessalônica) e da coletividade Peloto – no caminho em direção ao comunismo e anarquia (Xanthi). Enviou cumprimentos por escrito à coletividade anarquista Kiatra (Arta). Também, se completou o processo de integração do grupo anarquista de Corfu Cumulonimbus na Organização Política Anarquista.

No decorrer da primeira parte, os grupos-membros da Organização Política Anarquista definiram posições políticas sobre várias questões. A guerra que está sendo realizada pela Soberania mundial, o estado de emergência e o totalitarismo moderno como condição dentro da qual se realiza a ofensiva do Estado e do Capital, o desenraizamento de enormes grupos nacionais como consequência da pobreza e das guerras, a necessidade de uma resistência e solidariedade internacionalistas na direção da formação da Internacional dos de baixo, a ofensiva estatal-capitalista contra a sociedade e a natureza, a tentativa de violar direitos trabalhistas e sociais, o desenvolvimento das resistências de base, sociais e de classe, a perspectiva de conexão das lutas, o agravamento da repressão estatal em detrimento dos lugares de luta e das resistências sociais e de classe, foram algumas das questões sobre as quais debateram as coletividades, e que contribuíram para a realização de um diálogo político proveitoso. Read the rest of this entry »

Em 4 de janeiro de 2018 foi desalojada pela Polícia a okupa Termita na cidade de Volos. O desalojo foi sucedido pela demolição dos dois edifícios da okupa e de outros quatro edifícios vizinhos da Universidade de Tessália. Na zona destes seis edifícios demolidos vão a construir os edifícios da nova Escola Politécnica da cidade.

A operação policial começou às 7h00 e terminou às 14h30. Três pessoas que durante a operação se encontravam dentro de um dos edifícios ocupados foram detidas e conduzidas à Direção Geral da Polícia de Magnesia (província de Volos). Umas horas depois foram deixadas em liberdade. Seu julgamento se realizará em maio de 2018. Na operação fizeram parte os chefes dos policiais da região de Tessália, da província de Magnesia, mais de seis esquadrões das denominadas forças antidistúrbios e um helicóptero da Polícia.

Pela tarde do dia do desalojo da okupa Termita se realizou uma concentração de solidariedade em uma praça de Volos. Em um breve comunicado que foi emitido pela okupa se cita que em breve se publicará um comunicado detalhado sobre os acontecimentos associados com o desalojo, e as ações que se realizarão em breve contra a repressão das okupas.

O texto em castelhano.

Tessalônica: Informação sobre a marcha contra o ataque fascista contra a okupa LibertatiaTessalônica: Informação sobre a marcha contra o ataque fascista contra a okupa LibertatiaTessalônica: Informação sobre a marcha contra o ataque fascista contra a okupa Libertatia
Em 22 de janeiro de 2018 se realizou em Tessalônica uma marcha em solidariedade com a okupa Libertatia, cujo edifício foi incendiado em 21 de janeiro por fascistas-nacionalistas durante a celebração de uma manifestação nacionalista. Na marcha participaram umas 1.500 pessoas, majoritariamente anarquistas, antiautoritários, libertários, assim como membros de coletivos e partidos da esquerda extraparlamentar e de associações estudantis.

Durante a marcha um carro que tinha colado cartazes de um grupo nacionalista foi danificado. A Polícia tratou de rodear os manifestantes, mas a atitude da salvaguarda deixou claro aos policiais que não iria permiti-lo. Ao mesmo tempo montaram barricadas nas calçadas para impedir a aproximação dos esquadrões da Polícia aos blocos da marcha pelas calçadas.

Quando a marcha se aproximou ao clube dos ultras [torcedores] de uma equipe local, que participaram no ataque incendiário contra Libertatia, a Polícia lhes impediu o acesso com furgonetas estacionadas ao longo da rua, a maneira de barricadas. Ao serem atacadas as furgonetas com coquetéis molotov, a Polícia respondeu com gases lacrimogênios e com uma carga [investida] contra a manifestação (vídeo). Cinco manifestantes foram detidos durante a carga policial. Todos estão acusados de delitos maiores e permanecerão encarcerados até pelo menos a sexta-feira, 26 de janeiro.

O texto em castelhano.

Tessalônica: Ataque incendiário fascista deixa destruída a okupa LibertatiaTessalônica: Ataque incendiário fascista deixa destruída a okupa LibertatiaTessalônica: Ataque incendiário fascista deixa destruída a okupa Libertatia
No domingo 21 de janeiro de 2018 se realizou em Tessalônica uma manifestação nacionalista com a participação de dezenas de milhares de pessoas. Antes e durante a manifestação os grupos de diferentes fascistas se aproximaram do edifício da okupa. O primeiro ataque não foi incendiário. Durante o segundo, um grupo de pessoas entrou no edifício da okupa e ateou fogo ao mesmo tempo que outros atiravam pedras e rojões desde fora. Uns minutos mais tarde o edifício estava ardendo.

Um pouco antes dos ataques à okupa Libertaria a okupa Sxoleio (Escola) havia recebido outro ataque fascista. Um grupo de fascistas-neonazis, aproveitando a tolerância da Polícia, atacou o Centro Social Ocupado Sxoleio com pedras e sinais de fumaça. O ataque foi repelido pelas pessoas que naquele momento se encontravam dentro do edifício da okupa.

Estes ataques foram realizados em um período de aumento do nacionalismo no país, por causa do tema das negociações entre o Estado da Grécia e o Estado da Macedônia sobre o nome deste Estado. O Estado grego não reconhece o nome usado por este Estado, empregando argumentos nacionalistas. A mesma atitude nacionalista tem este Estado. Desde logo o tio Sam necessita a anexão deste Estado à OTAN para usá-lo como base militar, por isso que quer acabar o quanto antes com o tema da denominação. Por esta razão se reiniciaram as negociações entre os dois Estados, desencadeando as reações dos nacionalistas-fascistas, sobretudo no território do Estado grego. Read the rest of this entry »

 

Neste post, publicamos o terceiro dos três cartazes publicados no site classwardogz.wordpress.com, intitulado “O que é que estamos vivendo”. Todos os cartazes da série podem ser vistos aqui.

O que estamos vivendo não é algum parêntese desagradável, ou qualquer pesadelo que, quando acordarmos, tudo estará bem.

É uma profunda derrota de classe, de quarenta anos, mental, politica e cada vez mais a nível material.

Quanto mais cedo entendermos e deixarmos de reproduzir contos esquerdistas estatais e nos organizarmos adequadamente, melhor para nós.

Fonte: classwardogz.wordpress.com.

O texto em castelhano.

Nos últimos dias, o Departamento de Proteção do Sistema Político de Tessalônica deu ordens judiciais a dezesseis pessoas, pedindo-lhes que acudam ao Ministério Público de Atenas para serem questionados sobre a ocupação do prédio (da okupa “Mundo Nuevo”). O único critério para a seleção dessas pessoas tem sido a detecção de seus dados pessoais no passado.

Os objetivos desta nova metodologia repressiva montada pela Polícia e pelo Ministério Público, sob as instruções do governo, são:

– Aterrorizar os novos lutadores que entram em contato com os lugares em que as ideias anarquistas revolucionárias são desenvolvidas, enviando-lhes “mensagens de advertência”.

– Isolar os lugares (espaços) políticos e sociais do movimento de seus aliados naturais: os jovens, os estudantes, os desempregados e os trabalhadores, tentando penalizar sua presença neles.

– Colocar os combatentes anarquistas no centro das atenções para poderem criar novas perseguições contra eles, mantendo e reproduzindo a indústria estatal da criminalização da ação política e contra o Regime.

Com todo o acima mencionado, o Estado pretende colocar em dúvida a natureza aberta da okupa e suprimir sua ação política, até que seja completamente extinta. Devemos salientar que essa ofensiva não é uma surpresa para nós, mas, pelo contrário, constitui uma faceta da intensiva ofensiva desencadeada pelo Estado e o Capital contra os estratos sociais plebeus da sociedade. O governo está melhorando diariamente o arsenal legislativo e repressivo do totalitarismo moderno, tentando eliminar qualquer tipo de resistência aos planos de (mais) exploração, repressão e indigência, feitos pelos chefes locais e internacionais. Read the rest of this entry »

A seguir, comunicado emitido pelo Local Antiautoritário da Universidade de Ciências Sociais e Políticas para uma passeata contra o bilhete eletrônico e tudo o que implica para nossa vida a sua introdução nos meios de transportes coletivos.

Estamos em uma época de agudização das diferenças de classe e de empobrecimento intencional dos estratos sociais inferiores. Nesta época o Estado, em colaboração com a chamada “iniciativa privada”, pôs em marcha mais uma tentativa de controle da vida pública. Desta vez colocou em ponto de mira o setor do transporte público. O objetivo da introdução do novo sistema do bilhete eletrônico é o controle absoluto de um direito que já está mercantilizado.

Desde logo o bilhete eletrônico ultrapassa o tema da mercantilização e entra em um novo campo, importado do exterior, de sociedades em que o controle das populações está mais avançado. Tentam conseguir a normalidade na consciência e na cotidianidade das pessoas, criando-se desta maneira um precedente muito perigoso para a violação da liberdade individual, e conseguindo-se uma vitória da cultura liberal de controle e da vigilância. Read the rest of this entry »

A seguir, o texto da Assembleia aberta contra o controle e as exclusões nos meios de transporte, sobre duas manifestações realizadas recentemente em estações de metrô de Atenas contra a nova medida do bilhete eletrônico e, em geral, contra o controle e as exclusões nos meios de transporte massivos.

Em 20 de dezembro de 2017, cerca de 100 companheiros e companheiras fizeram uma marcha pelo centro de Atenas. A marcha partiu de Monastiraki e percorreu o centro de Atenas. Foram gritados slogans como “se não resistirmos nos meios de transporte, nossas cidades se tornarão prisões modernas”, “Tudo é nosso porque tudo é roubado, nenhum bilhete, livre acesso aos trens”, “A solidariedade entre passageiros vai esmagar os policiais e os revisores”, “Vamos quebrar todas as máquinas de validação de bilhetes”, “Nem eletrônico nem normal, nenhum bilhete, acesso livre ao metrô”, “Escute atentamente policiais e revisores: vocês receberão pancadas nos meios de transporte”. Na concentração que precedeu a marcha, foram lidos textos por megafone. Durante a concentração e a marcha, foram distribuídos e espalhados panfletos.

A marcha faz parte de um conjunto de ações da Assembleia aberta contra o controle e as exclusões nos meios de transporte. Essas ações estão em andamento, no âmbito da luta pela livre utilização dos meios de transporte massivos. Poucos dias antes, na sexta-feira, 15 de dezembro, a Assembleia realizou uma concentração fora da estação de metrô Egaleo, em que textos foram lidos por megafone. Read the rest of this entry »

 

Neste post, publicamos o segundo dos três cartazes publicados no site classwardogz.wordpress.com, intitulado “O que é que estamos vivendo”. O primeiro cartaz da série pode ser visto aqui.

 O que estamos vivendo não é “uma ofensiva contra a classe média”.

 Nesse país, há 25 anos, a classe média tem vivido e crescido não só com o apoio do Estado, mas também com a exploração do trabalho dos trabalhadores nativos e sobretudo dos imigrantes, como conseqüência da ofensiva contra a classe trabalhadora.

Quanto mais cedo entendermos e deixarmos de reproduzir contos esquerdistas estatais e nos organizarmos adequadamente, melhor para nós.

Fonte: classwardogz.wordpress.com

O texto em castelhano.

Texto publicado na página web fragilemag.gr.

Dia 1

Eu fui para a rua principal de moto e fui ao lugar onde eu ficaria para os próximos cinco meses. Estávamos no final de abril e tudo estava pronto para receber as hordas de turistas. A ilha era uma vitrine bem posta e polida de uma indústria de turismo de sucesso que, além da almorta de Santorini importada da Índia, sabe como destruir o potencial trabalhador. Eu sabia para onde ele estava indo. Tinha discutido tudo com o diretor. Ele disse que ele era um dos sortudos que iria ter um dia de folga na semana. E acomodação. E comida. E jornadas de onze horas. E horário dividido. Horas extraordinárias? O que é isso? Além disso, ia cobrar. Metade do salário no banco e a outra metade em mãos. No meu contrato de trabalho, mencionei que o meu dia de trabalho era de cinco horas. Sindicato? Esta é uma piada! Tomei a decisão de voltar para uma ilha para trabalhar na estação, depois de pensar muito. Em Atenas, um garçom não ganha muito dinheiro, no entanto, o dinheiro se ganha é nas ilhas. Claro, você deve esquecer que você é humano, que você tem mais coisas para fazer do que satisfazer os caprichos dos clientes e empregadores sem questionar. Você pressiona o botão “pausa” em sua vida e vive novamente após outubro. Read the rest of this entry »

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