Texto do Movimento Antiautoritário do Pireu (Ex Portu). O título do post é nosso.

No domingo, 10 de setembro de 2017, o petroleiro Agia Zoni II, cujo proprietário é Thodoris Kunturis, naufragou no Golfo Sarônico, com uma carga de 2.200 toneladas de fuelóleo e de 370 toneladas de combustíveis marinhos. A quantidade de petróleo derramado foi pouca (135 toneladas). O naufrágio aconteceu perto do Ministério dos Assuntos Marítimos, e as condições climáticas (após o derrame) eram ótimas para realizar as operações para limitar a contaminação. No entanto, quando o ministro dos assuntos marítimos, Kurumplís, garantia que 95% do petróleo estava controlado, as zonas costeiras da ilha de Salamina já estavam negras e o fuelóleo tinha chegado até Glyfada (bairro costeiro de Atenas). A demora do Ministério e da autoridade portuária foi criminoso, dado que o petróleo tende a absorver a água, formando emulsões. Deste modo, o seu volume aumentou para três a quatro vezes mais, e com ajuda do vento a contaminação estendeu-se por quase todo o Golfo Sarônico.

Desta forma, o Ministério dos Assuntos Marítimos e os armadores conseguiram destruir as costas do Golfo Sarônico (que sempre foram um refúgio para a população que fugia ao concreto da zona urbana de Atenas), assim como o meio ambiente marítimo, pois o petróleo é tóxico para a maior parte dos organismos e aves marinhas. O petroleiro Agia Zoni II tem um fundo único. Foi construído em 1972 e tinha licença para navegar devido às relações duradouras entre os armadores e os governos gregos. Devido a isso, os armadores permitem-se violar toda a legislação europeia e internacional com o fim de lucrar cada vez mais. Hoje em dia, o Capital marítimo é um parasita, prejudicando a sociedade grega, usufruindo de isenções incríveis, com conexões com o grupo neonazi Aurora Dourada (em 2013 foi descoberta uma grande quantidade de armas e símbolos nazis na casa do armador Anastaios Pallis, no bairro de Vula; o deputado neonazi Kúzilos está envolvido no caso do navio Noor 1), e estende constantemente o seu campo de influência, controlando municípios e equipes de futebol, e criando exércitos privados de “valentões”.

E, enquanto sucede tudo isto no Golfo Sarônico, em todos os lados os partidários do desenvolvimento continuam apoiando o investimento que nos conduz à aniquilação do Nordeste de Calcídica, ao mesmo tempo que a empresa mineira joga uns jogos comunicativos baratos, anunciando a sua suposta retirada, com o objetivo de ganhar clientes no grupo político do governo esquerdista. Não há desenvolvimento que não arrase na sua passagem os recursos humanos e naturais. Nas intencionais promessas de novos postos de trabalho, não se mencionam os postos de trabalho perdidos pela destruição do meio ambiente pelos investimentos faraônicas. As consequências do desenvolvimento, dentro de uns anos, é um planeta onde nem sequer viverão as baratas.

Em relação ao tema na zona do Golfo Sarônico, como sociedade local devemos reivindicar e exigir a recuperação aos armadores e ao Estado pelos danos causados, independentemente do valor, movendo todos os meios disponíveis para a restauração do ecossistema. Ao mesmo tempo, devemos exigir a retirada imediata de todos os navios de fundo único. Estes navios são bombas-relógio flutuantes. A nível político central, deve-se incluir no diálogo público a remoção dos hidrocarbonetos, dos combustíveis fósseis, e em geral a fantasia do desenvolvimento, que literalmente está destruindo o planeta de ponta a ponta.

A morte negra no Golfo Sarônico e a morte de ouro em Calcídica tem um denominador comum: O desenvolvimento e seus partidários.

Ex Portu, Movimento Antiautoriário

Tradução: Agência de Notícias Anarquistas.

O texto em grego, castelhano.

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