A seguir, comunicado emitido pelo grupo de anarquistas que realizou faz uns dias um ataque aos escritórios de uma tabeliã que realizava leilões imobiliários extrajudiciais.

Na quinta-feira 18 de janeiro de 2018 atacamos os escritórios da tabeliã Barbara Sgura, na rua Kapodistriou, 18, no bairro de Exarchia, quebrando a porta e destruindo o equipamento material-técnico (computadores, impressoras, etc.) encontrado no interior dos escritórios. Dita tabeliã colabora com um banco e participa em leilões imobiliários eletrônicos.

Optamos por colocar no ponto de mira os tabeliões que colaboram com os bancos ou com o Estado, os quais por sua vez entraram no “campo” dos leilões imobiliários, já que na realidade é um dos órgãos executivos que contribui para a aplicação de uma das medidas mais duras.

Nos opomos aos leilões imobiliários, verificando a extensão que possa ter dita medida, afetando a nossa necessidade de ter uma moradia. Estamos convencidos de que esta medida concerne principalmente a nós, já que, apesar que se realizaram, impedido ou se trataram de realizar poucos leilões imobiliários, quando o Estado e os bancos “tenham acabado” com os “devedores acomodados”, se terá aplainado o caminho para a ofensiva contra nós. Ao mesmo tempo, o governo joga seu jogo comunicativo, sustentando que só leiloam imóveis de “grandes devedores”.

Desde logo, o número dos leilões imobiliários começará a aumentar, já que estão incluídos nos requisitos (impostos pela Troika) e o jogo comunicativo não será válido durante muito tempo, sobretudo porque os leilões realizados até hoje são poucos em comparação com as exigências. Em resposta às resistências sociais e o movimento multiforme que se opõe aos leilões imobiliários, eletrônicos ou não, procedem à aplicação generalizada dos leilões imobiliários eletrônicos, tanto dos que se realizam nos tribunais em benefício dos bancos, como dos que se realizam por dívidas ao Estado (desde o 1º de maio de 2018). Adicionalmente, depois de uma demanda dos tabeliões, realizada para conseguir mais segurança, a obstaculização da realização dos leilões e o ataque aos escritórios dos tabeliões se converteram em delitos flagrantes. A última ação (do governo) foi o uso de policiais à paisana para guardar os escritórios dos tabeliões, assim como o reforço das patrulhas dos grupos motorizados da Polícia por estes escritórios.

Os de baixo estão recebendo uma ofensiva. Estamos transcorrendo um período no qual qualquer legado (conquista) laboral está sendo abolido. O ponto culminante foi a lei sobre a greve que está incluída na proposta aprovada em 15 de janeiro de 2018. A tentativa de fazer ainda mais difícil a convocatória de uma greve reflete suas preocupações pelas resistências sociais que estão por vir. Quando o Estado mostra seus dentes, mostra também seus temores.

Devemos lutar por nossa necessidade de ter moradia, a qual, por sua vez, está se convertendo em algo nada seguro na Grécia da crise. Não vamos lutar pelo conceito da propriedade, mas devemos defender nossa moradia, não podemos entregá-la sem luta aos bancos e ao Estado. Devemos enfrentar-nos por todos os meios possíveis a toda esta gente que está frente a nós e faz negócios com nossas necessidades: Bloqueando os leilões imobiliários, atacando os depredadores de todo tipo, criando comunidades em nossos bairros, ou ocupando casas para dar teto a nossas necessidades.

Enquanto semeiam temor, estarão colhendo raiva. Tolerância zero a todos os que fazem negócios com nossas necessidades. Os leilões imobiliários terão consequências para os que os fazem.

Anarquistas

Tradução: Agência de Notícias Anarquistas.

O texto em grego, castelhano.

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