Não o novo sistema. Não somos cobaias, somos estudantes

Não o novo sistema. Não somos cobaias, somos estudantes

Faz alguns dias que os estudantes secundaristas estão mobilizados em muitas cidades do território do Estado grego. Há três dias o próprio ministro da Educação admitiu que as escolas secundárias ocupadas eram mais de 500. Os alunos protestam contra a imposição da chamada “Nova Escola”, ou seja, de um plano de estudos exaustivo, o novo sistema de exame (igualmente exaustivo e intensificado) e a privatização da Educação.

Na segunda-feira, 3 de novembro, e na terça-feira, 4 de novembro de 2014, realizaram-se massivas manifestações e marchas estudantis em várias cidades. Ante esta situação perigosa para o Sistema, o Regime não ficou de braços cruzados. O governo conta com a ajuda de juízes, policias, diretores de escolas e paraestatais para reprimir a luta dos estudantes das escolas secundárias.

Na segunda-feira passada o diretor de uma escola secundária de Tessalônica tratou de impedir a participação dos alunos da escola em uma manifestação. Chamou a Polícia, mas nem os policiais nem o sujeito que os chamou lograram impedir que os jovens tomassem parte na manifestação. No mesmo dia, na cidade de Lamía o fiscal ordenou a detenção de nove jovens e de oito de seus pais dentro do recinto de uma escola secundária da cidade que estava ocupada. A Polícia, na presença do fiscal, invadiu a escola ocupada, deteve alunos e pais, e levou-os à delegacia da cidade, onde ficaram retidos até às 4 da madrugada.

O mesmo ocorreu há dois dias no bairro do norte de Atenas, Jolargós. A Polícia invadiu o território de uma escola secundária ocupada para dissolver a ocupação. Em vários lugares deste bairro policiais a paisana e sem identificar-se detiveram quatro alunos e levaram-nos à delegacia. Um dos jovens recebeu duas surras: uma vez por parte dos policiais que o detiveram, e outra dentro da delegacia a que foi conduzido. Também, no povoado de Jersónisos, em Heración, Creta, a Polícia entrou no recinto de uma escola secundária ocupada, reprimindo e dissolvendo a ocupação dela por seus alunos. Em 22 de setembro a Polícia reprimiu a balas uma tentativa de estudantes secundários de ocupar uma escola de Atenas.

Hoje a fiscal do Tribunal Supremo ordenou a todos os fiscais do país que intervenha para reprimir as ocupações das escolas secundárias. Em abril de 2012 o fiscal adjunto da Corte Suprema de Justiça (Conselho de Estado), baseando-se em uma instrução (circular) do fiscal adjunto de 2011, havia ordenado a seus fiscais subordinados a intervir diretamente e de ofício e reprimir, junto com a Polícia, as ocupações de universidades, escolas secundárias, ministérios e outros edifícios públicos, e cumprir com o procedimento de flagrante, no caso em que os ocupantes se neguem a deixar o edifício ou permaneçam em seu interior por muito tempo, ou tenham provocado danos (como eles são concebidos pelo poder e são apresentados pelos meios de lavagem cerebral de massas).

Em uma clara tentativa de intimidar os estudantes secundaristas, assim como aqueles pais que apoiam a luta de seus filhos, a mesma fiscal autorizou aos aparatos repressivos do Regime a iniciar os procedimentos penais contra os jovens, caso venham a causar danos dentro das escolas (o eterno pretexto dos danos que é utilizado pelo Poder como instrumento de intimidação e repressão), e contra seus pais, caso seus filhos tenham “a presunção de comportamento criminal” (palavras textuais da fiscal)…

Em teoria, para entrar em uma escola secundária, os policias e os fiscais deveriam ter sido chamados pelo diretor. Em muitas ocasiões os diretores das escolas secundárias, como uns servos fieis do Sistema a que servem, não tem o menor escrúpulo em fazê-lo. Não obstante, em vários casos no passado, em que não havia autorização por parte dos diretores das escolas, foi demonstrado que o Poder não levou em consideração este “detalhe”: Invadiu as escolas diretamente, com as forças da Polícia, ou indiretamente com grupos de fascistas e paraestatais.

Recordamos que em 2013 dezenas de estudantes secundaristas de colégios no Norte da Grécia foram expulsos por haver participado em manifestações contra a instalação de uma mineradora de ouro em Calcídica, e que em fevereiro de 2014, vários estudantes foram proibidos de apresentarem-se nos exames de seleção para as universidades por haver participado em ocupações de escolas.

Os estudantes secundaristas iniciaram a organização e coordenação de suas mobilizações com uma entrada na Internet, intitulada “Ocupações em toda Grécia, não ao novo sistema”. A entrada original já não existe, no entanto, há réplicas em várias páginas web. A página web no Facebook em que se publicou a entrada tampouco existe desde ontem. Anteontem o ministro da Educação havia declarado que estavam buscando seus criadores para serem processados…

A seguir publicamos o comunicado das coordenações de luta dos estudantes secundaristas. Apesar de que não estamos de acordo com vários de seus pontos (por exemplo, sobre o papel dos exames, ou sobre o dos conselhos estudantis, etc.) cremos que reflita até certo ponto o que sentem os estudantes secundaristas da escola-cárcere na qual tem que passar seis anos de suas vidas.

Nossas ações combativas desde o começo do ano, as mobilizações, as eleições para os conselhos de 15 e 5 membros, os debates, as assembleias dentro das escolas, de coordenação, a participação de milhares de estudantes na manifestação do 1º de novembro, convocada em todas as cidades do território do Estado grego, junto com os trabalhadores, os desempregados e os estudantes universitários, nos fizeram mais fortes!

Continuamos nossa luta por uma educação e uma vida com direitos! Para que se escute nossa voz!

Porque já basta com esta correria, desde a manhã até a noite, com os reiterados exames consecutivos, com esta situação que nos enlouquece, para acabar o bacharelado ou para ingressar em alguma escola universitária.

Porque nossos pais já não podem pagar por nossas aulas de reforço, por nossas aulas particulares, e pelos demais gastos escolares. Já basta com as escolas que carecem do necessário para operar: professores, livros, calefação. Já não pode ser que não tenhamos aceso gratuito ao transporte público, etc.

Porque em nosso futuro não tem cabimento as filas dos desempregados (fora dos Institutos de Emprego) e o trabalho por uns meses e sem nenhum direito!

Porque queremos uma escola que eduque e não que extermine, que não esvazie os bolsos de nossos pais, senão que ofereça uma educação integral a todos os jovens. Porque esta escola que prepararam para nós a União Europeia e os governos que a apoiam, converteu a educação em mercadoria, distribui conhecimentos e habilidades irrelevantes, dependendo do que eles queiram que aprendamos para ser mão de obra barata, flexível, e como eles mesmos dizem, trabalhadores com a cabeça baixa.

Já basta! Já não vamos consentir com esta situação! Enviamos nossa mensagem para que seja escutada em todas partes nossas demandas:

• Não à “Nova Escola”.

• Abolição do “Banco de temas para os exames”. Que os exames tenham exclusivamente um caráter escolar com a responsabilidade dos docentes.

• Não aos horários exaustivos, às “academias” de aulas de apoio privadas, e aos exames repetidos.

• Nenhuma escola sem professores. Designação de professores permanentes para satisfazer todas as necessidades das escolas. Não às fusões e os fechamentos de escolas.

• Nem um euro de nosso bolso para as necessidades funcionais da educação. Que todos os alunos recebam o livro do curso de inglês.

• Não às eliminações das faculdades (especialidades) das escolas de formação secundária. Que se entreguem já, todos os livros (manuais escolares) que faltam.

• Transporte seguro e gratuito para todos os estudantes secundaristas, durante todas as horas do dia. Que se entreguem já os passes de viagens gratuitos em todos os meios de transporte. Abolição das multas aos estudantes secundaristas.

• Orçamento especial para os municípios, para assegurar uma comida para todos os alunos durante o horário escolar.

• Nenhuma criminalização das lutas decididas pelos estudantes secundaristas. As eleições e o funcionamento dos organismos de representação estudantis é um assunto dos estudantes, não do Ministério e dos diretores das escolas.

• Nenhum estudante sem assistência médica.

• Que se assegurem as infraestruturas necessárias para o funcionamento dos grupos culturais estudantis e das equipes desportivas.

Não vamos ficar de braços cruzados! Nada é presenteado… Tudo é conquistado com a luta!

A partir de segunda-feira (3 de novembro) seguimos com lutas mais combativas e organizadas! Tudo isso debatemos com nossos companheiros de classe, porque temos que ser os estudantes secundaristas que lutam.

1. Na segunda-feira, 3 de novembro, e na terça-feira, 4 de novembro, realizaremos manifestações estudantis e mobilizações, em cada cidade e bairro, no Ministério, nos departamentos de Ensino Médio, nos municípios e em outros lugares, com bloqueios de rodovias e com outras ações.

2. Nossos novos conselhos estudantis têm que colocar-se adiante e organizar a luta em cada escola!

3. Desenvolvemos a coordenação em cada cidade para ser como um só corpo, assim nossa luta será mais eficaz. Apoiamos onde há coordenação escolar de luta, para que se estendam a mais escolas. Onde não existem, tomamos a iniciativa de construí-las.

4. Organizamos concertos e outras atividades, fazemos periódicos e outras publicações, comunicamos nossas demandas. Participamos na celebração combativa do aniversário da revolta da Escola Politécnica (1973), tanto dentro como fora das escolas, nas festas escolares assim como nas marchas organizadas.

5. Estamos nos preparando para participar na manifestação da greve do dia 27 de novembro, com manifestações estudantis e com as escolas fechadas.

Seguem uns vídeos das manifestações estudantis desta semana.

Vídeo da manifestação no centro de Atenas:

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Vídeo da manifestação em Tessalônica:

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Vídeo da manifestação em Patras:

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Vídeo da manifestação em Xanthi:

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Vídeo da manifestação em Berea:

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Vídeo da manifestação em Alejandría:

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Vídeo da manifestação em Heraclión:

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O texto em castelhano.

Tradução: Agência de Notícias Anarquistas.

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