Verba Volant http://verba-volant.info/pt Wed, 14 Feb 2018 00:10:24 +0000 pt-PT hourly 1 https://wordpress.org/?v=4.8.5 Falemos sobre o fascismo moderno, parte VI http://verba-volant.info/pt/falemos-sobre-o-fascismo-moderno-parte-vi/ http://verba-volant.info/pt/falemos-sobre-o-fascismo-moderno-parte-vi/#respond Wed, 14 Feb 2018 00:10:24 +0000 http://verba-volant.info/pt/?p=4452 A seguir, a sexta parte de uma série de artigos temáticos sobre a diacronia do fascismo no território do Estado grego. O artigo original, intitulado “Falemos sobre o fascismo moderno” e subtitulado “atualizando nossa análise e organizando a guerra contra suas raízes e não apenas contra os fascistas declarados”, foi publicado no site da coletividade anarquista Volos Manifesto. Todas as partes podem ser lidas aqui.

Nacionalismo “patriotismo” esquerdista na época dos memorandos

“Voltemos a 2012, durante a celebração de um evento sobre o “auge do fascismo”, muitos desses que participaram do evento ficaram surpresos com esse fenômeno. Nesse caso, foi comentado, entre outras coisas, que a Esquerda não pode deixar a nação nas mãos dos fascistas e da extrema-direta, e que a nação é outro ponto de luta, no qual os esquerdistas devem intervir e conferir um significado diferente ou popular. O mencionado acima reflete uma concepção política que prevalece em algumas partes da Esquerda, totalmente incorporadas ao Estado de várias maneiras por muitas décadas. É uma concepção patriótica e nacionalista, uma de cujas procedências são as suas conexões históricas com as instituições burguesas. De outra forma a nação poderia ser concebida, se não como algo que deveria ser reivindicado pelos fascistas e pelos extremistas de direita?”.

“Ódio de Classe”, provo.gr9 de fevereiro de 2015, “Patriotismo Esquerdista: Tragédia ou Farsa?”

O estado de emergência estabelecido com a assinatura do primeiro memorando em 2010 foi aprofundado ao nível da legalização social com o uso político da dívida externa como ferramenta. O partido Syriza usando uma retórica de esquerda quando era oposição, questionou originalmente o caráter objetivo da dívida externa do Estado como uma dívida “nacional”, ou seja, como uma dívida de toda a sociedade grega. Apesar de ter usado algumas ferramentas metodológicas de análise de classe, nunca entrou no processo de confronto total com o bloco de poder burguês da época (Pasok, Nova Democracia, Laos), mas com uma habilidade semelhante de tipo sindical, baixou ao nível de uma narrativa do tipo “libertação nacional”, através de um “pluralismo interno” planejado no nível comunicativo, com o objetivo de expandir seu público eleitoral o mais rápido possível. A bipolaridade política que se estreou com a transição estava caindo aos pedaços e a “oportunidade” (para tomar o Poder) foi prenunciada pelos membros do novo partido poderoso e ascendente da socialdemocracia moderna, que foi apoiado no nível comunicativo a fim de substituir no teatro parlamentar ao partido Pasok que naquela época estava se desintegrando.

O nacionalismo-“patriotismo” esquerdista da era dos memorandos, como foi concebido e capitalizado ao nível político principalmente pela coalizão entre o partido esquerdista Syriza e o partido nacionalista Gregos Independentes (Anel), formaram uma nova narrativa “nacional”, a favor do consenso com respeito aos seus objetivos “nacionais”. Se foi edificando uma nova narrativa “nacional” que aspirava a jogar o papel de um novo, mas não declarado, “contrato nacional e social”, ou seja, de um contrato que possui características estruturais em comum com o “contrato nacional e social” do Pasok de algumas décadas. Já a narrativa “nacional” predominante inclui (embora isso não seja declarado de forma clara) a aceitação às forças de submissão das funções financeiras da “nação”-Estado Grega ao controle europeu dos “parceiros”, buscando a expulsão do Fundo Monetário Internacional “maldoso e nutrido de Estados Unidos”. Esta submissão ao controle econômico dos “parceiros europeus”, objetivados no nível comunicativo, que sob certas condições de concessões econômicas (privatizações das estruturas estatais dos setores de transporte público, energia e recursos naturais, subestimação radical do trabalho, cortes nas pensões e despesas sociais, etc.), após contínuas “negociações sinceras” com “credores internacionais” (que também são nossos “parceiros” na construção em curso do treinamento interestatal europeia), levará a um futuro desenvolvimento e independência “nacional” e econômica, isto é, ao cancelamento de boa parte da dívida externa do Estado, à assinatura de memorandos e à apresentação do Estado grego a “proteção” financeira internacional.

De acordo com esta narrativa “nacional” predominante, que está sendo propagada por todos os partidos políticos, os da coalizão governamental e os da oposição, os direitistas, os do centro, os esquerdistas e os extremistas de direita, bem como todos os meios de desinformação de massa, há um determinismo que existe há anos. Os desacordos secundários intrassistêmicos com esta narrativa “nacional” predominante é quando se completará este processo de independência econômica e “nacional” e o fim da submissão da “nação” ao estado de controle e “proteção” e que será o ritmo com o qual as “reformas” serão realizadas para que isso possa ser alcançado.

A narrativa é complementada com uma boa dose de doping paliativo e “patriótico” na “nação” dos gregos que não abaixam a cabeça, mas que estão orgulhosos e trabalhará duro (e, se necessário, sem cobrar…) e então o Estado grego se depure dessa vergonha “nacional” causada pelo desperdício desproporcional do passado… A narrativa nada classista de “todos nós gastamos o dinheiro” do ex-ministro Págalos, removeu a túnica nociva da desfaçatez impactante e colocou a camisa de seda branca (sem gravata) de “todos podemos juntos”. Nesta narrativa rica e pobre, desempregados e empresários, chefes e trabalhadores lutam juntos pelo bem da “nação” e por uma nova Grécia, a de “competitividade”.

Se essa narrativa lembra um pouco a nacional-socialista do entre guerras na Alemanha, essa semelhança está associada ao fato de que aqui o “inimigo interno” não está claramente definido (com uma descrição concreta de uma identidade política, religiosa, cultural, sexual e política, etc), ou com palavras (termos) que colocam alguém no centro das atenções, mas se deixam ser definidas furtivamente “por eliminação”. É um sofrimento “nacional” sentido pelos gregos desempregados que emigraram para outros países, que centenas de milhares de pessoas deixaram a “pátria” para entrar em países, especialmente no centro da Europa, para sobreviver. Os milhares de imigrantes “fundamentalistas” que estão empilhados nos centros de detenção, que procuram a sobrevivência pelas mesmas razões que os emigrantes gregos e que arriscam suas vidas no Mar Egeu, sentem o medo “cultivado” e enfrentam as deportações que o Estado grego lhes reservou. Fronteiras abertas para os invasores, cercas metálicas altas para os sofredores deste mundo. Liberdade e atitude discreta em relação a assassinos fascistas, histeria e infinitas narrativas “terroristas” para os lutadores sociais e prisioneiros políticos, acusados ​​sem evidências contra eles e presos com 18 meses de detenção repetida.

Dezenas de Organizações Não Governamentais estão gerenciando o dinheiro do Estado e os subsídios europeus, formando um “travesseiro” intermediário de responsabilidade política para o agrupamento desumano e deportações de imigrantes e refugiados e as condições de vida infelizes em lugares que não podem ser chamados de “centros de hospitalidade”. Os notórios desfiles militares do “orgulho nacional” não foram abolidos. A crise de Imia foi removida da gaveta da história e retirou a poeira de cima com um flagrante truque comunicativo do ministro da Defesa Kammenos, e o perigo “do Oriente” vem justificar as novas despesas militares exorbitantes para a compra de armas militares, sob condições de uma suposta austeridade econômica e supostos cortes nas despesas…

O texto em gregocastelhano.

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Falemos sobre o fascismo moderno, parte V http://verba-volant.info/pt/falemos-sobre-o-fascismo-moderno-parte-v/ http://verba-volant.info/pt/falemos-sobre-o-fascismo-moderno-parte-v/#respond Tue, 13 Feb 2018 19:55:08 +0000 http://verba-volant.info/pt/?p=4448 Abaixo se pode ler a quinta parte de uma série de artigos temáticos sobre a diacronia do fascismo no território do Estado grego. O artigo original, intitulado “Falemos sobre o fascismo moderno” e subtitulado “atualizando nossa análise e organizando a guerra contra suas raízes e não apenas contra os fascistas declarados”, foi publicado no site da coletividade anarquista de Volos Manifesto. Todas as partes podem ser lidas aqui.

Esquerda e nacionalismo-“patriotismo”: a história se repete como tragédia

“De todos os instrumentos disponíveis para a orquestra fascista, aquele que produz os sons mais atraentes, sem dúvida, é o nacionalismo. E é um daqueles que devem ser menos usado ​​pela esquerda, cuja Internacional expressa em todas as línguas do mundo o ideal da fraternidade mundial. No entanto, a esquerda pensou que, dessa forma, iria reclamar o fascismo dos “patriotas”, e de repente colocou a palavra “nação” em seu vocabulário… Na França vimos várias vezes os neo-socialistas incorporar a “nação” em seu credo, ao mesmo tempo que nossos camaradas comunistas não deixaram de gritar pelo “amor pelo nosso país”. No entanto, a maioria dos “patriotas”, irritados por sua histeria chauvinista, mas sempre desconfiando da Esquerda, consideravam que o fascismo era mais adequado do que ela para encarnar a “ideia nacional”. Muitos deles, sob o comando de Maurras (líder e teórico do hiper-conservadorismo francês e defensor da monarquia), foram finalmente levados aos braços do general (Petén)”.

Daniel Guerín, 1955: “Quando substituímos o fascismo”

A legalização ética e política dos partidos fascistas-neo-nazistas no corpo social, com a “tolerância” e o apoio do Estado, e com sua promoção e financiamento comunicativos por parte do Capital “local” abriu o caminho para a realização da propaganda fascista moderna, e deu a possibilidade de redeterminar o conteúdo e os limites do nacionalismo grego. A palavra-chave nesta mudança de estratégia por parte do Estado e do Capital, bem como em todas as mudanças semelhantes feitas no passado, é o “patriotismo”. É uma palavra-chave que nunca foi questionada como termo (bem pelo contrário…) e nunca foi desestruturada pela Esquerda (parlamentar e extraparlamentar) como elemento fundamental da ideologia fascista. Pelo contrário, estando ligada às amarras enferrujadas do “patriotismo” esquerdista, do modelo estatal de libertação nacional e da narrativa leninista “anti-imperialista” de seu passado histórico (guerra mundial, guerra civil), até hoje a Esquerda insiste na tentativa de “desviar” o nacionalismo para uma “direção progressiva”, jogando com palavras, apesar da sua dupla derrota estratégica no nível político e militar (rendição de armas e derrota do Exército Republicano na guerra civil).

A palavra “nação”, um termo cujo significado foi usado desde o início pela Soberania burguesa, foi incorporado pela esquerda no seu vocabulário de forma oportunista, dando ao poder burguês a oportunidade de reproduzir as comunidades “nacionais” imaginárias nas consciências de seus súditos, com resistências políticas particularmente pequenas (senão inexistentes). A aceitação do termo “nação” ajuda estruturalmente os fascistas a especificar em sua propaganda a identidade do “inimigo”, diretamente no nível comunicativo e com uma penetração social muito marcada.

A atual Esquerda, tanto parlamentar como extraparlamentar, apesar de suas derrotas históricas, usando as mesmas ferramentas teóricas, hoje continua a evitar confrontar termos como “nação” e “patriotismo”, ou seja, termos que constituem a vanguarda da propaganda fascista. Estes são os termos introduzidos pela primeira vez pela classe burguesa no auge (apogeu) de sua soberania como ferramentas de propaganda e manipulação social de massa, para formar e padronizar, através do uso de símbolos de identificação maciça, as comunidades imaginárias necessário das “nações”. São noções através das quais, por um lado, impôs os limites (as fronteiras entre os Estados) do seu poder econômico e político e, por outro lado, propagou e cultivou no corpo social “nacional” seus planos de expansão futura. Sua soberania (“nação” sofrida fora das fronteiras – guerra por sua libertação – conquista – “integração nacional”), uniformizando sua consciência.

Desde os partidos e organizações da socialdemocracia moderna às organizações e grupos leninistas “anti-imperialistas” que, como os monges jesuítas, concebem o funcionamento do capitalismo globalizado usando as antigas (há mais de meio século) teorias de dependência, a Esquerda interpretou e continua interpretando seu “internacionalismo” não um antinacionalismo, ou como uma desestruturação das comunidades “nacionais” imaginárias burguesas, mas direta e indiretamente, adota definições “socialistas” (por exemplo, Stalin) das comunidades “nacionais” imaginárias e um discurso “patriótico” similar. A Esquerda tentou e continua a tentar sistematicamente usar a arma-ferramenta do nacionalismo, convertê-lo em sua arma-ferramenta, com “boas intenções”. Ou seja, o fim justifica os meios. No entanto, a própria história mostrou que os meios estão intimamente associados ao fim e delimita-o. Os meios pré-anunciam o fim.

O texto em gregocastelhano.

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Repelido ataque nazi contra teatro autogestionado durante manifestação nacionalista http://verba-volant.info/pt/repelido-ataque-nazi-contra-teatro-autogestionado-durante-manifestacao-nacionalista/ http://verba-volant.info/pt/repelido-ataque-nazi-contra-teatro-autogestionado-durante-manifestacao-nacionalista/#respond Sun, 11 Feb 2018 01:43:46 +0000 http://verba-volant.info/pt/?p=4442 A seguir, comunicado da assembleia do teatro autogestionado Empros sobre o rechaço ao ataque nazi que recebeu durante a celebração da manifestação nacionalista de 4 de fevereiro no centro de Atenas.

Comunicado do teatro Empros sobre o ataque recebido pelos nazis no domingo 4 de fevereiro de 2018

Durante a manifestação nacionalista de 4 de fevereiro de 2018 em Atenas, por volta das 17h00 uns companheiros que estavam no centro nos informaram de que um grupo numeroso de nazis (mais de oitenta pessoas) havia se formado no centro de Atenas e marchou de maneira organizada e sem ser impedido até Monastiraki. Uns minutos mais tarde este grupo se dirigiu e atacou o teatro auto-organizado livre Empros.

Aquele dia o teatro Empros, tendo completado a exposição de fotos e de pintura “Utopia” com a participação de oitenta artistas e da “Oficina de Expressão Livre”, permaneceu todo o dia aberto às muitas pessoas que o visitaram, brindando por sua vez, com a ajuda do serviço de comida “Outro homem”, comida a muitas pessoas do bairro. Desta maneira demos nossa resposta ao turbilhão de fascistização destes dias. Devemos defender com todas as nossas forças os lugares sociais nos quais cabem todos os mundos. Devemos lutar por um mundo no qual não tenha lugar a letargia massiva, o racismo e a atrocidade fascista.

A defesa antifascista organizada de Empros, defendendo o edifício e com a participação de muita gente enfrentou os fascistas, que passando dos limites por causa do delírio patriótico da manifestação optaram por atacar um teatro, um espaço social de arte auto-organizado, um espaço do movimento emancipador, um espaço que produz cultura auto-organizada por todos e para todos.

A salvaguarda confrontou o ataque nazi com êxito, emitindo uma mensagem clara e combativa: Quando estamos unidos e decididos podemos nos opor a qualquer tipo de barbárie.

Meia hora depois de repelir os nazis, apareceram as denominadas equipes antidistúrbios, os quais permaneceram na zona durante dez minutos e se retiraram enquanto mais pessoas solidárias estavam se aproximando do edifício.

A partir das 20h00 a assembleia de Empros aconteceu de maneira regular, com o grupo de defesa e um grande número de solidários estando em alerta. Nunca vamos abandonar o espaço liberado de Empros. Sempre vamos estar defendendo-o.

Agradecemos os companheiros e as companheiras por sua atitude solidária e responsável.

A esmagar os fascistas e derrubar as fronteiras engendradas pelo fascismo e o racismo. Força a todos os que defendem os “terrenos” liberados do movimento em todas as cidades.

Dez, cem, milhares de okupas contra um mundo de tristeza organizada.

Teatro autogestionado livre Empros

Tradução: Agência de Notícias Anarquistas.

O texto em grego, castelhano.

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Okupa Terra Incognita: Nossas ideias não podem ser desalojadas http://verba-volant.info/pt/okupa-terra-incognita-nossas-ideias-nao-podem-ser-desalojadas/ http://verba-volant.info/pt/okupa-terra-incognita-nossas-ideias-nao-podem-ser-desalojadas/#respond Sat, 10 Feb 2018 22:38:49 +0000 http://verba-volant.info/pt/?p=4439 Texto da okupa Terra Incognita, publicado em sua página web. Na faixa da foto, estendida no edifício da okupa, diz “Solidariedade com a okupa Termita. Tudo continua”.

Nas primeiras horas da madrugada da quinta-feira, 4 de janeiro de 2018, fortes forças policiais irrompem no recinto da okupa Termita em Volos e a desalojam, procedendo a quatro detenções. Justo depois do desalojo, os policiais, mediante uma empresa construtora, iniciam a demolição dos edifícios ocupados. Os okupas detidos foram deixados em liberdade. Seu julgamento será realizado em 11 de maio de 2018

A dar vida às casas vazias até dar alento a nossas vidas vazias. 

As okupas não são paredes mortas. São lutas viventes. São relações de vida e solidariedade. São nossos momentos de resistência em um entorno de canibalismo intensificado. São os gritos de liberdade dentro do silêncio da reclusão social. São o passado, o presente e o futuro da luta pela liberação social. Por isso, sempre foram os primeiros lugares a receber a repressão, independentemente de quem tenha o Poder.

Nenhuma ação repressiva contra as okupas será deixada sem resposta. Nenhum companheiro e nenhuma companheira estarão sós nas mãos da repressão.

Tradução: Agência de Notícias Anarquistas.

O texto em grego, castelhano.

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Exarchia, Atenas, 10 de fevereiro: Manifestação contra as narcomáfias http://verba-volant.info/pt/exarchia-atenas-10-de-fevereiro-manifestacao-contra-as-narcomafias/ http://verba-volant.info/pt/exarchia-atenas-10-de-fevereiro-manifestacao-contra-as-narcomafias/#respond Sat, 10 Feb 2018 15:54:30 +0000 http://verba-volant.info/pt/?p=4444 A seguir, texto dos organizadores da manifestação contra as narcomáfias.

No bairro de Exarchia, as narcomáfias, com o apoio da Polícia, estão tentando transformar esta área em um lugar de compra e venda de drogas, e de impor no bairro e nas ruas a “lei dos poderosos” e do medo .

Durante os últimos anos, e enquanto existe uma luta para arruinar essas máfias, eles passaram a cometer muitas agressões, nas quais várias pessoas foram espancadas e feridas, bem como pessoas comuns receberam ameaças com armas, moradores e lutadores, nas ruas em torno do local de venda de drogas que montaram nas ruas Messologgiou e Manis, a poucos metros do local onde foi morto por policiais Alexandros Grigoropoulos, colocando em ponto de mira os anarquistas, os okupas e em geral os lutadores, a fim de consolidar sua dominação no bairro.

Contra as máfias das drogas, a repressão estatal e o canibalismo social, a população da luta deve defender o bairro de Exarchia da resistência, da solidariedade e da liberdade, e sair vitoriosa.

Concentração e marcha, sábado 10 de fevereiro de 2018, às 18 horas, bairro de Exarchia, esquina das ruas Messologgiou e Manis.

Coletivos anarquistas, companheiros e companheiras, lutadores de projetos sociais e de classe

Tradução: Agência de Notícias Anarquistas.

O texto em grego, castelhano.

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Falemos sobre o fascismo moderno, parte IV http://verba-volant.info/pt/falemos-sobre-o-fascismo-moderno-parte-iv/ http://verba-volant.info/pt/falemos-sobre-o-fascismo-moderno-parte-iv/#respond Sat, 10 Feb 2018 15:34:56 +0000 http://verba-volant.info/pt/?p=4435 Segue a quarta parte de uma série de artigos temáticos sobre a diacronia do fascismo no território do Estado grego. O artigo original, intitulado “Falemos sobre o fascismo moderno” e subtitulado “atualizando nossa análise e organizando a guerra contra suas raízes e não apenas contra os fascistas declarados”, foi publicado no site da coletividade anarquista de Volos Manifesto. Todas as partes podem ser lidas aqui.

O bloco do capitalismo estatal se dissolve, o nacionalismo no território do Estado grego está ressurgindo

“Na verdade, a presunção, a arrogância e o egoísmo são a essência do patriotismo. Deixe-me provar isso. O patriotismo pressupõe que nosso globo é dividido em pequenas parcelas, cada uma cercada por uma cerca de ferro. Aqueles que tiveram a sorte de nascer em um lado particular, consideram-se melhores, mais nobres, maiores, mais inteligentes que os seres que habitam qualquer outro lado. Portanto, é dever de cada um dos que vivem nesta trama lutar, matar e morrer na tentativa de impor sua superioridade diante dos outros. Os habitantes dos outros lados pensam da mesma maneira, obviamente, com o resultado de que, desde a primeira infância, as mentes das crianças são envenenadas com histórias assustadoras sobre os alemães, os franceses, os italianos, os russos, etc. Quando a criança atingiu a puberdade, ela está completamente saturada pela crença de que foi escolhida pelo Senhor para defender seu país contra o ataque ou a invasão de qualquer estrangeiro. Por esta razão, clamam pelo maior exército e armada, mais navios de guerra e munições “.

Emma Goldman, 1911: “Patriotismo: uma ameaça à liberdade”

A queda do regime capitalista estatal da União Soviética e a consequente queda dos regimes políticos nos Estados do oeste dos Bálcãs constituíram a condição ideal para a transição para a próxima fase das mudanças sistêmicas em tais regiões, no âmbito da globalização capitalista. O Estado grego começa a fazer propaganda já sistematicamente através dos meios de desinformação de massa, com uma alegria a favor da guerra, contra o inimigo “potencial” que está fora das fronteiras, que está no leste (arco muçulmano entre Ancara, Skopia e Tírana) ou no norte (expansionismo albanês, formação do novo Estado da Macedônia) e que aguardam o momento certo para pôr em perigo a “integridade territorial da nação”. O “Estado-nação” grego, com o apoio dos partidos leais ao Regime, dos meios de desinformação de massa, dos fascistas e da Igreja, está próximo de um objetivo estratégico: de fazer de forma agressiva o nacionalismo-“patriotismo” a ideia dominante, em uma conjuntura de uma fluidez geopolítica crescente, mas desta vez nos Bálcãs. Tendo se desviado completamente dos “compromissos asfixiantes” das fronteiras nacionais e dos direitos aduaneiros, através de um setor financeiro crescente, o Capital adquiriu liberdade de circulação e aumento da velocidade na possibilidade de “alienação-desinvestimento” em todos os cantos do planeta.

A desestabilização dos regimes nos Estados da Albânia e da ex-Iugoslávia, bem como as novas oportunidades de “investimento” no setor de exportação de Capital, para lucrar ainda mais com o trabalho muito mal remunerado nesses países, desempenharam um papel decisivo na formação de um nacionalismo agressivo. Foi quando os fascistas do [partido] Aurora Dourada eram um poder político insignificante, quase desconhecido para a maioria da população. Com o apoio e a promoção sistemática dos meios de desinformação de massa, a gangue de neonazis que participaram do massacre da população muçulmana de Srebrenica foi chamada de “voluntários patrióticos gregos” e “guerreiros da ortodoxia”, como alguns anos antes os batalhões de assalto no bairro de San Pantaleón, no centro de Atenas, foram chamados pelos meios de desinformação de “protetores dos idosos” e “comitês de vizinhança” que “limpam” o bairro da criminalidade estrangeira.

As manifestações organizadas pela Igreja, pelos fascistas e pelas partes leais ao Regime, foram chamadas pelos meios de desinformação de massa de “manifestações populares”. O nacionalismo-“patriotismo” grego surgiu novamente com uma retórica que usava termos de guerra. No entanto, a parte ocidental dos Bálcãs começou a ser distribuída pelos Estados da Europa Ocidental e pela superpotência militar transatlântica. A margem de movimentos agressivos e belicosos “autônomos” por parte do Capital “nacional” grego para manter um pouco da área repatriada, a nível econômico e sem o consentimento das formações interestaduais dominantes (União Europeia, OTAN), era praticamente inexistente. Quando os búfalos lutam no pântano, as rãs vão caminhando e coaxando. A controvérsia nacionalista dessa época ao nível do discurso continua até hoje nos povos balcânicos, com base em discriminações servidas como dipolos principalmente religiosos, facilmente digeríveis pelo corpo social: os sérvios ortodoxos são bons e os bósnios muçulmanos são maus, os cristãos búlgaros são os bons e os albaneses incultos são maus, etc. A variedade desses dipolos é enorme. Às vezes, eles colocam o “bem” na posição do “mal” e vice-versa, de acordo com os interesses “nacionais”, isto é, os interesses de reprodução e expansão de várias partes do Capital “nacional”. Esta retórica nacionalista e racista desse período foi a chave para o surgimento do Aurora Dourada e outras forças fascistas, que emergiram da inexistência política e adquiriram uma identificação social.

O texto em grego, castelhano.

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Novo ataque anarquista aos escritórios de tabeliã por realizar leilões imobiliários extrajudiciais http://verba-volant.info/pt/novo-ataque-anarquista-aos-escritorios-de-tabelia-por-realizar-leiloes-imobiliarios-extrajudiciais/ http://verba-volant.info/pt/novo-ataque-anarquista-aos-escritorios-de-tabelia-por-realizar-leiloes-imobiliarios-extrajudiciais/#respond Sat, 10 Feb 2018 13:19:55 +0000 http://verba-volant.info/pt/?p=4433 A seguir, comunicado emitido pelo grupo de anarquistas que realizou faz uns dias um ataque aos escritórios de uma tabeliã que realizava leilões imobiliários extrajudiciais.

Na quinta-feira 18 de janeiro de 2018 atacamos os escritórios da tabeliã Barbara Sgura, na rua Kapodistriou, 18, no bairro de Exarchia, quebrando a porta e destruindo o equipamento material-técnico (computadores, impressoras, etc.) encontrado no interior dos escritórios. Dita tabeliã colabora com um banco e participa em leilões imobiliários eletrônicos.

Optamos por colocar no ponto de mira os tabeliões que colaboram com os bancos ou com o Estado, os quais por sua vez entraram no “campo” dos leilões imobiliários, já que na realidade é um dos órgãos executivos que contribui para a aplicação de uma das medidas mais duras.

Nos opomos aos leilões imobiliários, verificando a extensão que possa ter dita medida, afetando a nossa necessidade de ter uma moradia. Estamos convencidos de que esta medida concerne principalmente a nós, já que, apesar que se realizaram, impedido ou se trataram de realizar poucos leilões imobiliários, quando o Estado e os bancos “tenham acabado” com os “devedores acomodados”, se terá aplainado o caminho para a ofensiva contra nós. Ao mesmo tempo, o governo joga seu jogo comunicativo, sustentando que só leiloam imóveis de “grandes devedores”.

Desde logo, o número dos leilões imobiliários começará a aumentar, já que estão incluídos nos requisitos (impostos pela Troika) e o jogo comunicativo não será válido durante muito tempo, sobretudo porque os leilões realizados até hoje são poucos em comparação com as exigências. Em resposta às resistências sociais e o movimento multiforme que se opõe aos leilões imobiliários, eletrônicos ou não, procedem à aplicação generalizada dos leilões imobiliários eletrônicos, tanto dos que se realizam nos tribunais em benefício dos bancos, como dos que se realizam por dívidas ao Estado (desde o 1º de maio de 2018). Adicionalmente, depois de uma demanda dos tabeliões, realizada para conseguir mais segurança, a obstaculização da realização dos leilões e o ataque aos escritórios dos tabeliões se converteram em delitos flagrantes. A última ação (do governo) foi o uso de policiais à paisana para guardar os escritórios dos tabeliões, assim como o reforço das patrulhas dos grupos motorizados da Polícia por estes escritórios.

Os de baixo estão recebendo uma ofensiva. Estamos transcorrendo um período no qual qualquer legado (conquista) laboral está sendo abolido. O ponto culminante foi a lei sobre a greve que está incluída na proposta aprovada em 15 de janeiro de 2018. A tentativa de fazer ainda mais difícil a convocatória de uma greve reflete suas preocupações pelas resistências sociais que estão por vir. Quando o Estado mostra seus dentes, mostra também seus temores.

Devemos lutar por nossa necessidade de ter moradia, a qual, por sua vez, está se convertendo em algo nada seguro na Grécia da crise. Não vamos lutar pelo conceito da propriedade, mas devemos defender nossa moradia, não podemos entregá-la sem luta aos bancos e ao Estado. Devemos enfrentar-nos por todos os meios possíveis a toda esta gente que está frente a nós e faz negócios com nossas necessidades: Bloqueando os leilões imobiliários, atacando os depredadores de todo tipo, criando comunidades em nossos bairros, ou ocupando casas para dar teto a nossas necessidades.

Enquanto semeiam temor, estarão colhendo raiva. Tolerância zero a todos os que fazem negócios com nossas necessidades. Os leilões imobiliários terão consequências para os que os fazem.

Anarquistas

Tradução: Agência de Notícias Anarquistas.

O texto em grego, castelhano.

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Tessalônica, 2 de fevereiro de 2018: Concerto em solidariedade com as okupas http://verba-volant.info/pt/tessalonica-2-de-fevereiro-de-2018-concerto-em-solidariedade-com-as-okupas/ http://verba-volant.info/pt/tessalonica-2-de-fevereiro-de-2018-concerto-em-solidariedade-com-as-okupas/#respond Mon, 05 Feb 2018 22:43:16 +0000 http://verba-volant.info/pt/?p=4428 Cartaz da okupa Yfanet, chamando para um concerto solidário com as okupas em Tessalônica. O concerto será realizado nesta okupa na sexta-feira, 2 de fevereiro de 2018, alguns dias após o incêndio criminoso que deixou destruído o prédio da okupa Libertatia, no centro da mesma cidade.

As okupas somos nós e enquanto existirmos, elas também existirão

Nós, que buscamos o movimento coletivo dentro de um mundo de rotas individuais

Nós, que queremos destruir as discriminações e construir relações em que as coisas são compartilhadas, e comunidades de luta

Nós, que respiramos os momentos em que não estamos sozinhos

Nós, que não cabemos em feriados nacionais

Nós, que sentimos que só na rua podemos romper com o medo

Nós, que nas okupas vemos um mundo que não se conforma com o presente

Okupa Yfanet, esquina das ruas Omirou e Perdika, bairro de Kato Toumpa, Tessalônica

O texto em grego, castelhano.

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Ataques a três supermercados do grupo Market In em solidariedade com seus trabalhadores que estão sem receber salários http://verba-volant.info/pt/ataques-a-tres-supermercados-do-grupo-market-in-em-solidariedade-com-seus-trabalhadores-que-estao-sem-receber-salarios/ http://verba-volant.info/pt/ataques-a-tres-supermercados-do-grupo-market-in-em-solidariedade-com-seus-trabalhadores-que-estao-sem-receber-salarios/#respond Mon, 05 Feb 2018 22:32:43 +0000 http://verba-volant.info/pt/?p=4426 A seguir, comunicado do grupo anarquista que realizou três ataques a supermercados da cadeia Market In em Atenas, em solidariedade com os trabalhadores deste grupo de empresas em Ioánnina, que estão há muitos meses sem receber o dinheiro de seus salários.

Como todos sabemos, durante os últimos tempos em Ioánnina há um clima de terrorismo. Nos referimos, claro, aos fatos associados com a cadeia de supermercados Market In, a qual comprou alguns dos supermercados da cadeia Karypidis (ex Arvanitidis).

Os trabalhadores em ditas lojas estão há mais de 25 meses sem receber e estão em estado de cativeiro, pois não estão certos de que vão manter seus postos de trabalho, nem de que vão receber seus salários. Um exemplo ilustrativo da situação em que estão os trabalhadores é o suicídio de uma trabalhadora de 42 anos em um supermercado desta cadeia na cidade de Giannitsá em 11 de julho de 2017. A trabalhadora estava há 15 meses sem receber e deu fim a sua vida, não aguentando mais esta situação.

A empresa que sucedeu a de Karypidis, ou seja o grupo Market In, cujo dono é Ramos, deseja (e com o apoio do Estado está conseguindo) ficar com a propriedade dos supermercados de Karypidis sem ficar com as obrigações pré-existentes à compra. Aparte da lei que protege os trabalhadores em caso de transferência de empresas, instalações, partes de empresas ou instalações (a qual por agora não se aplicou neste caso) em Ioánnina se observou alguns fatos que recordam outras épocas.

Brevemente mencionamos a carga [investida] do Estado e dos policiais contra uma concentração de trabalhadores em greve, realizada em 26 de outubro de 2017 fora de um supermercado de Market In. Três trabalhadores e três sindicalistas foram detidos dentro de suas casas no domingo 29 de outubro de 2017 após uma demanda que havia apresentado a empresa contra eles.Também, mencionamos a carga policial contra a concentração realizada fora de um supermercado da mesma cadeia em Ioánnina, em 29 de novembro de 2017, dia de greve. Esta carga acabou com doze detenções.

Depois das cargas do Estado coube ao para-estado jogar. Em 14 de dezembro de 2017, dia de greve geral, se utilizou um grupo de 15 valentões (muitos dos quais são membros do partido neonazi Aurora Dourada) para o ataque a um piquete. Este grupo das escórias para-estatais foi repelido com êxito pela salvaguarda do piquete. Na madrugada do dia seguinte, o Centro Sindical de Tendências Horizontais (em cujo edifício se albergam os escritórios da União Sindical Libertária de Ioánnina) recebeu um ataque com coquetéis molotov.

Como uma mínima mostra de solidariedade com os trabalhadores da cadeia e com os lutadores da União Sindical Libertária de Ioánnina optamos por atacar a três supermercados da cadeia Market In (em Atenas). Concretamente:

1.Atacamos com tintas aos supermercados de Nova Filadélfia e Neo Iraklio

2. Atacamos e causamos estragos ao supermercado de Galatsi (Grava).

A solidariedade é a arma dos obreiros. Guerra contra a guerra dos patrões.

Anarquistas dos bairros do noroeste

O texto em grego, castelhano.

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Comunicado da okupa Termita sobre o seu despejo http://verba-volant.info/pt/comunicado-da-okupa-termita-sobre-o-seu-despejo/ http://verba-volant.info/pt/comunicado-da-okupa-termita-sobre-o-seu-despejo/#respond Sun, 04 Feb 2018 17:02:09 +0000 http://verba-volant.info/pt/?p=4423 Os seus planos realizaram-se. Agora resta cumprir com as nossas promessas…

Ninguém de nós foi apanhado desprevenido na quinta-feira (04/01/2018) pela manhã. As figuras repressivas que cercaram a nossa casa, vestidas com seus uniformes, cumprindo o seu dever na madrugada da mísera festa de Natal, não nos surpreendeu. A metodização do despejo da okupa Termita é uma história que não é nova e nos deu espaço para agudizar as nossas resistências e desejos.

Já falamos sobre o lobo disfarçado de ovelha há muito tempo. Com certeza que o processo que a Universidade de Tessália S.A pôs contra nós, sendo o seu executor as forças policiais de Tessália, e a operação de despejo-demolição dos edifícios da okupa, são uma prova mais da nossa opinião sobre a Universidade. O processo e a demolição dos edifícios, na nossa presença e na presença de outras pessoas solidárias que se encontravam próximas dos edifícios, esclareceram o papel que joga cada um. Com os policiais armados até os dentes e segurando as suas armas, na quinta-feira às 7h04 o despejo foi realizado como um “processo tranquilo” (com gruas, furgões, jornalistas e um helicóptero) que confirmou o papel da Polícia grega, da imprensa local, dos servos de todo o tipo, dos patrões e dos “superiores” deste mundo. Não sentindo remorsos pelas suas ações, procederam à demolição direta dos edifícios, oferecendo imagens de destruição a seus olhares de macho, agressivos, esfomeados de lucro.

No verão passado lutamos não só pelas paredes dos edifícios, mas também por nossas relações. Estas relações edificaram-se com esforço, com penas, com cuidado e com reforço. Não se limitaram a Volos, mas fortaleceram-se com o companheirismo e a solidariedade de outros grupos, assembleias e companheiras de outras cidades. A nossa comunidade edificou-se sobre a base de acordos políticos contra o patriarcado, o capitalismo, o Estado, o Capital e a identidade nacional grega. Deste modo, conseguimos manter a nossa comunidade viva na difícil condição do despejo eminente.

Este texto não constitui o epílogo da okupa Termita, mas a necessidade de exteriorizar as nossas intenções perante os dias que estão por vir, a nossa intenção de eliminar as relações de dominação e exploração em todas as suas formas, já que esta intenção é capaz de anular os planos de disciplina de nossas vidas. Faz tempo que os seus métodos estão se desenvolvendo de maneira agressiva contra nós, e o refinamento, capitalista ou não, está arrastando tudo com o que nos identificamos, mas os nossos passos continuam firmes. O amor e o companheirismo que nos rege estarão se agudizando e ameaçará qualquer exclusão material ou não. A tristeza pelo que temos perdido e pela horas de ansiedade que vivemos, não podem funcionar de maneira repressiva, mas sim que se transformem em raiva, preparando-nos para realizar os nossos novos ataques.

Assim que chegamos ao dia de hoje… A um presente triste e perigoso. E tão perigoso como os criadores de ideologia dominantes e os seus apoiadores, tão rígido e rigoroso como a opinião pública que anda falando de legalidades e normativas. A uma realidade cujas regras impõem-se com polícias e juízes, num mundo no qual os depositários das suas ideias propõem despejos e expulsões com interesse de desenvolvimento, da reabilitação e do lucro. Neste momento, não vamos ficar de braços cruzados.

Em relação à maioria social que concordou silenciosamente com o que sucedeu, a coisa é simples. Uma boa parte do movimento estudantil identificou-se com os interesses da Universidade, e outra boa parte dos vizinhos identificou-se com os interesses dos patrões- refinadores do bairro. Chama-se alienação e ideologia dominante, e eles engoliram uns quantos quilos. Falta por esperar que lhes afetem com consequências (ao menos os que têm ascendência burguesa) quando os estudos se intensifiquem, quando a Universidade se tenha “esterilizado” e participe na guerra dentro e fora das fronteiras deste maldito país, e quando os aluguéis no bairro custem mais que a mansão do reitor Petrakos. Aí, vão recordar os punks com ideias estranhas e se arrependerão. Seja como for, seguiremos agitando a paz social e o diremos cara a cara.

O nosso encontro será onde os nossos sonhos se cruzam com os vossos pesadelos. Guerra contra o patriarcado, o Estado, o Capital, a Grécia e suas escórias acadêmicas.

Solidariedade com as acusadas da okupa Termita. Que se retirem os processos da Universidade de Tessália.

A comunidade da okupa Termita

O texto em grego, castelhano.

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