Em 17 de novembro de 2017, uma vez finalizada a marcha do aniversário da rebelião da Escola Politécnica em 1973, um grupo de pessoas, repetindo o que geralmente se faz durante vários anos, se aproximou do bairro de Exarchia e se dedicou a uma “contenda” com os policiais. Alguém deste grupo disparou um sinal (foguete de sinalização) em linha reta para os policiais, lesionado gravemente a uma mulher que naquele momento estava detrás deles e foi alcançada pelo foguete. A seguir, o texto da Iniciativa Anarcossindicalista Rocinante sobre o papel destes grupos e a responsabilidade do movimento libertário.

Natasa Tsukalá, uma advogada que durante muitos anos esteve apoiando os oprimidos e a as vítimas da repressão, está lutando por manter-se com vida no hospital de Atenas Evangelismós. Ainda quando saia vitoriosa desta luta, é muito provável que não consiga salvar uma de suas pernas. O golpe que recebeu Natasa Tsukalá não foi um golpe vingativo de algum policial, tampouco foi o resultado de alguma emboscada feita por fascistas ultradireitistas. Foi o resultado de um sinal (foguete de sinalização) disparado em linha reta dentro de uma zona urbana por algum membro de um destes grupos que desde faz tempo, com a tolerância de uma grande parte do movimento, estão pretendendo tirar do anarquismo todo seu conteúdo humanitário, solidário, social e libertário. Não seríamos sinceros se disséssemos que este fato nos surpreendeu. Desde faz vários anos os grupos autodenominados anarquistas operam contra qualquer princípio do pensamento libertário e anarquista:

Onde o anarquismo propõe a solidariedade, eles propõem o antagonismo. Onde o anarquismo propõe a sociabilidade, eles propõem o individualismo. Onde o anarquismo propõe a síntese e a criação, eles propõem a violência cega e o militarismo. Onde o anarquismo propõe a liberdade e a vida, eles propõem o cinismo, a conspiração, a “eficácia” e a adoração da potência.

Os vimos atuando em Keratsini, em setembro de 2014, quando estiveram a ponto de matar a companheira K.K., pegando-a na cabeça com uma barra de ferro, por estar em desacordo com a destruição de um Centro de Formação Profissional (por estes grupos). Os vimos atacando contra eventos e festas de organizações anticapitalistas, batendo em mulheres, a companheiros e a companheiras, para roubar o dinheiro do caixa. Os vimos atacando a companheiros e companheiras que estavam montando suas mesas (para expor seu material escrito) em novembro de 2015, durante a celebração do aniversario da rebelião da Escola Politécnica. Os vimos durante os três dias que durou a celebração, expulsando às demais tendências do recinto (da velha Escola Politécnica) e atirando pedras a todos os que se aproximavam de seu quartel. Sobretudo, cada vez, ao dia seguinte os vemos defendendo, em geral com orgulho, sua ação.

Tanto ontem como hoje, empregaram o argumento de incrível obscenidade, de inspiração nazi, da “baixa colateral”, ou estão tratando de apresentar a Natasa Tsukalá como colaboradora da Polícia, fazendo uso da propaganda vil de Goebbels.

As imagens publicadas na Internet da grave lesão de Natasa Tsukalá, não deixam lugar a dúvidas: Estes grupos atuam com um total desinteresse pela vida humana, a qual é a medida de toda percepção libertária e insurrecional, com o fim de dedicar-se a exercícios de poder, imposição e dominação. Estes grupos não lutam contra o Estado. Operam como um potencial Estado, reivindicando para eles o Poder arbitrário.

Já não há nenhuma desculpa para a continuação da tolerância do movimento a estes grupos. Sua prática ofende, difama, calunia, debilita e envergonha o movimento social e libertário, e toda luta por uma sociedade sem imposições. Sua única contribuição é a relativização da repressão, como a que vimos desenvolvendo-se na avenida Alexandras, durante as cargas das forças policiais contra manifestantes que estavam regressando da marcha (do 17 de novembro de 2017), no bairro de Exarchia, o qual, ademais da difamação dos meios de desinformação e dos loros políticos, cada dois por três se vê forçado a confrontar a invasão das denominadas forças antidistúrbios, irrompendo no bairro a modo de exército de ocupação.

A Iniciativa Anarcossindicalista Rocinante chama a todas as organizações libertárias e anticapitalistas, e a todas as pessoas que lutam pela liberdade, a coordenar-se pela autodefesa do movimento, tanto contra a repressão estatal que é a mesma, independentemente de se governe a “Direita” ou a “Esquerda”, como contra fenômenos de violência antissocial, de desprezo pela vida humana, e da tentativa de substituir os processos sociais por um militarismo cego interminável.

Nos pomos de lado de Natasa Tsukalá e de cada uma das vítimas da violência policial da sexta-feira 17 de novembro de 2017.

Contra o antagonismo, a solidariedade. Salvaguardamos os princípios libertários e sociais do movimento das tentativas de seu desvio para a adoração da força e do militarismo. Nos organizamos frente à pobreza, a repressão e qualquer tipo de imposição e dominação. Lutamos pela organização libertária horizontal dos oprimidos em todos os lugares de trabalho, em todas as universidades, em todos os bairros. Pela liberdade de cada um e a igualdade de todos.

Iniciativa Anarcossindicalista Rocinante

Tradução: Agência de Notícias Anarquistas.

O texto em grego, castelhano.

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