Registramos que o julgamento dos antifascistas detidos depois da ação fora das oficinas centrais do Aurora Dourada, em 7 de janeiro de 2015, começa na quarta-feira, dia 23 de fevereiro de 2017.

Historicamente a guerra contra o fascismo nunca acabou, já que constitui a reserva e a vanguarda do Estado e do Capital. O objetivo dos aparatos estatais e dos agentes econômicos sempre foi o esmagamento das resistências sociais, deixando espaço para o desenvolvimento do nacionalismo como escudo de proteção. Durante a transição e sobretudo na última década, no território do Estado grego, os fascistas (qualquer que tenha sido seu partido político) tem sido o obstáculo mais conservador e reacionário contra a perspectiva revolucionária (liberação social) do corpo social. Os votantes do Aurora Dourada e seus partidários fiéis pertencem a classe alta, ao estrato social da pequena burguesia em sua faceta mais extrema, e à margem social reacionária. Os fascistas s& atilde;o os valentões dos patrões, pequenos ou grandes, os canibais fura-greves, os assassinos de lutadores, os violadores dos que não se incorporam à cultura da Soberania e às normas predominantes.

Depois do assassinato de [Alexis] Grigoropoulos (2008), com o estouro das forças do movimento derrocador, a ação dos fascistas continuou sendo cada vez mais combativa e intensa. A ameaça de uma mudança social fora das alternativas capitalistas e a repressão estatal deram um golpe ao Sistema e o obrigaram a fortalecer-se. Desde 2009 as forças repressivas e as formações fascistas participam em comum na tarefa repressiva do movimento antifascista e social. A recém-fundada equipe motorizada da Polícia (Delta) e os fascistas iniciaram uma série de ataques, sobretudo contra o segmento mais combativo do movimento derrocador nesta época, ou seja, o âmbito anarquista antiautoritário. Os ataques a locais anarquistas e a okupas, os assassinatos do antifascista Fyssas e do obreiro Lukmán c onstituem dois pontos sumamente importantes da agenda nacionalista, a qual busca a legalização do terrorismo estatal e econômico. O Estado grego excarcerou a Rupakiás, assassino de Fyssas. Está demostrado que uma boa parte das forças repressivas (a chamada tropa antidistúrbios, a equipe motorizada Delta) declarou em público que seus membros são partidários, votantes e incluso membros do Aurora Dourada.

Aurora Dourada, o partido nacionalista do Parlamento, começou sua trajetória como gangue, e continua sendo, tendo suas mãos manchadas com sangue. Seu discurso neonazi, em conjunto com a presença de valentões uniformizados em suas fileiras, envenena aos bairros e ao mundo dos pobres, com o fim de que os patrões saiam sãos e salvos da guerra social. Seus deputados Lagós e Panagiótaros foram os que elogiavam ao Capital marítimo grego no bairro de Pérama. Membros do Aurora Dourada são os que perseguiam a vendedores ambulantes e faziam pogroms racistas no centro de Atenas. Os assassinos de Lukmán tinham em suas casas folhetos do Aurora Dourada. O tenentão dos chefes do Aurora Dourada era Rupakiás, o assassino de Pavlos Fyssas.

Como parte da sociedade, vivemos a repressão fascista do Estado em nossos bairros e onde vivemos e lutamos, vivemos a exploração econômica de nossos patrões em nossos lugares de trabalho, vivemos a presença fascista nos espaços públicos e desportivos. Por isso não podemos fazer vista grossa frente ao turbilhão fascista, que tende a cobrir toda a sociedade como um manto, e a estrangular-nos. Nós, os que participamos nas lutas antifascistas e antirepressivas, os que vivemos o regime da exploração econômica, os que nos opomos aos fascistas nos espaços públicos, propomos a luta antifascista como indispensável e de suma importância, em cada bairro e onde os fascistas aparecem como uma alternativa de salvação ou onde realizam ataques. É dever de cada lutador, de ca da okupa, de cada antifascista, de cada pessoa, não deixar que se estendam por nenhuma parte. As forças antiautoritárias e antifascistas, estejam onde estejam, devem unir suas forças.

Sobre a base do que foi citado anteriormente, aficionados antifascistas, anarquistas e okupas, pertencendo ao movimento antifascista dos últimos anos, consideramos que é de suma importância que o movimento antifascista se arraigue em cada bairro e em cada espaço público. Deve criar relações de solidariedade e de luta com coletividades, grupos e companheiros em todas partes. Deve deter aos fascistas e suas ações, em todas as partes. Deve defender as estruturas do movimento da repressão estatal e fascista. Deve difundir através do antifascismo, as propostas anarquistas e o modo de organização horizontal e antihierárquico. Contra o oportunismo burguês e o revisionismo partidário, que destroem o movimento libertador e enganam à sociedade, só a solidariedade pela liberdade e a iguald ade entre os lutadores e a base social pode oferecer a saída do mundo existente, mediante a mudança revolucionária. Como antifascistas devemos deixar de reproduzir o modo de organização do Poder. E o devemos tanto a nós como ao êxito da luta.

Estamos convencidos da necessidade da ação antiautoritária-antifascista direta, e da força e da coragem da presença permanente no campo social, temos nos solidarizado com a luta antifascista desde finais de 2014, através do local antifascista Dístomo. Junto com outros antifascistas temos jogado um papel determinante na eliminação da ação do Aurora Dourada e do partido recém fundado LEPEN, na zona de São Pantaleão (Aguios Panteleímonas). Aurora Dourada, depois da excarceração de seus membros, assim como LEPEN, com sua tentativa de abrir oficinas, se estalaram contra um muro antifascista. Durante todo o tempo de nossa atividade nesta zona nos solidarizamos com outros grupos e okupas que trataram de contestar a ataques fascistas ou de anulá-los.

Por todos os motivos anteriormente citados e defendidos por nós até hoje, no marco de nosso dever de luta, não podemos permitir aos fascistas a possibilidade de se dirigir às pessoas que vivem no bairro de São Pantaleão e na zona situada próxima de suas oficinas, nas proximidades da estação de trem. Acreditamos que o bairro de São Pantaleão, assim como todos os bairros, pertencem ao movimento antifascista e a suas estruturas. Por nossa parte, temos oferecido a clara posição que o saque dos bairros pobres pelo Estado e o para-Estado fascista tem rivais, que o terrorismo estatal e fascista, cuja colaboração assassinou a Fyssas e cada dia assassina a maioria social, será contestado pelos antifascistas, e que os fascistas não podem aparecer em público onde nós nos auto-orga nizamos.

Durante nossa marcha colamos cartazes nas oficinas do Aurora Dourada na estação de trem de Atenas (Larisis), e os fascistas retrocederam e se meteram em seu orifício. Depois de colar cartazes fora do ninho de ratos, fomos tranquilos, tendo demostrado que a determinação dos lutadores é capaz de confrontá-los e de expulsá-los de todos os espaços públicos, de todos os bairros, de todas as reuniões desportivas, do espaço vital das okupas e de todos os campos sociais. Durante nossa detenção na estação de metrô “Panepistimíu” por uma equipe de policiais motorizados, permanecemos unidos para nos defender coletivamente e por motivos de companheirismo, como é devido e concordante com o código de todos os lutadores: Não abandonar a seus companheiros frent e ao inimigo. Assumimos a responsabilidade de ter colado cartazes na parte exterior de suas oficinas, da intervenção no muro em frente de suas oficinas, e de nossa determinação de defender nossa ação contra os descendentes dos nazis. As couraças e os capacetes improvisados que tínhamos a nossa disposição fazem parte de nossa autodefesa fundamental, de nossa ação contra os assassinos de Fyssas. Havíamos tomado a decisão política que no caso de sermos detidos nos negaríamos a sermos fotografados, a dar impressões digitais ou DNA.

Não assumimos a responsabilidade de nada mais. A vidraça quebrada da parte exterior da porta de suas oficinas, e do pau de vassoura do qual os fascistas e a Polícia disseram que era nossa “arma”. Eles se puseram a correr e se trancaram dentro de suas oficinas antes de que chegássemos a eles. Junto com eles havia um guarda que apontava com sua arma para nós desde o início da ação. Eles e seu estado de alarme lamentável não puderam nos deter. Os ignoramos e lhes demos a mensagem clara que diante dos antifascistas organizados e decididos os fascistas covardes e os mercenários do Sistema, de repente se transformam de valentões duros em informantes lamentáveis.

Sabemos, no entanto, que a luta pela igualdade e a liberdade não se dá estando longe do perigo nem de maneira seletiva. Os que experimentam e concebem como tal a tirania do Estado e dos fascistas devem contribuir firmando raiz e fortalecendo a luta antiautoritária e antifascista. A solidariedade e a confrontação combativa com os poderosos é via única para nós.

Queremos recordar que como havia dito o anarquista Durruti “não lutamos contra o fascismo junto com o governo, senão a despeito do governo”. Esta frase não apenas esclarece nossa distinção das escolas e retóricas (dos discursos) marxistas e autoritárias, já que somos anarquistas, senão que assinala a necessidade da ação antifascista direta. Ai de nós, se nós e os lutadores antifascistas diacronicamente tivéssemos que substituir a vontade de participar e a horizontalidade pela rígida disciplina partidária e o estatismo. A estas coisas podem se dedicar os discursos conservadores e socialistas…

22 de fevereiro de 2017.

Os anarquistas que participaram na ação antifascista nas oficinas do Aurora Dourada nas proximidades da estação de trem de Atenas em 7 de janeiro de 2015

Tradução: Agência de Notícias Anarquistas.

O texto em grego, castelhano.

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