Segue o comunicado da coletividade anarquista “Ciclo do Fogo” sobre as mobilizações contra a cúpula do G20 em Hamburgo.

A cúpula do G20 na cidade alemã de Hamburgo se converteu em um evento mundial para as resistências dos de baixo, graças à presença combativa de milhares de manifestantes nas ruas da cidade. A seleção de uma cidade grande da Alemanha para esta cúpula constituiu desde o princípio uma tentativa dos soberanos de ostentar seu Poder. Segundo a chanceler da Alemanha: “Não podemos dizer que haja lugares nos quais não se possa celebrar este evento”. Os responsáveis da indigência e da opressão de milhões de pessoas se reuniram próximo de um bairro de simbolismos históricos de luta, e muito próximo da okupa Rote Flora, por um lado para ratificar sua ofensiva e elaborar planos para continuá-la, e por outro lado para declarar que ganharam a guerra contra os plebeus. Escolhendo este lugar para sua reunião e expressando sua vontade de celebrá-la sem estorvos, dentro do possível, pretenderam apresentar a resistência como um assunto marginal e sem nenhuma importância política.

Foram desmentidos da pior maneira, já que o fato político mais importante (central) dos últimos dias não foram as reuniões e os banquetes luxuosos da elite política mundial, celebrados sob a custódia de um exército repressivo de 20.000 policiais. (O fato político mais importante) foram os enfrentamentos, as barricadas e as manifestações, demostrando que a ditadura estatal e capitalista reina, não governa, e que a vontade dos soberanos do mundo se impõe por poderem exercer a violência com seus exércitos. Os disparos ao ar, os ataques selvagens contra os manifestantes que resistem, as detenções e os manifestantes lesionados, nos exasperam e por sua vez constituem uma derrota política grande para os soberanos do mundo, já que estropiaram a falsa imagem do consentimento a sua vontade, e ridiculizaram sua cara democrática.

A história segue escrevendo-se nas ruas, e a tentativa da imposição do totalitarismo moderno se choca com a barreira das forças sociais e de classe, que existem e são as que realmente alimentam as lutas. A pobreza, a miséria e o temor são impostos pela minoria dos soberanos econômicos e políticos. O G20 representa esta condição e esta imposição, e as lutas em Hamburgo expressaram a vontade e a raiva de muitas mais pessoas que as que se encontraram naqueles dias nas ruas, mobilizando-se contra a reunião. São muitos os que se asfixiam dentro do regime estatal e capitalista e dirigem seu olhar à luta contra os soberanos. Queremos juntar-nos com eles nas vias (ruas) da resistência, queremos dirigir-nos a eles para organizar-nos a nível político, social e de classe. Para impedir que seja realidade a perspectiva dos soberanos, e para edificar cada vez mais comunidades de luta. Para que adquiram os enfrentamentos durante as reuniões internacionais e as resistências locais o caráter que lhes corresponde, o da Internacional dos de baixo, que colocará, além da questão da resistência à ditadura estatal e capitalista, a destruição e a organização do mundo desde baixo, tendo como embasamentos os princípios da igualdade, da liberdade e da ajuda mútua.

Cada passo que damos neste caminho deixa aberta a possibilidade de dar outro. Os enfrentamentos (batalhas) em Praga e em Gênova, a revolta de dezembro de 2008 na Grécia, as rebeliões na França e em Ferguson, as barricadas em Istambul, os senderos de Chiapas, Rojava e o movimento NoDapl, as greves, as patrulhas antifascistas, as okupas, os punhos elevados: Este é o mundo da única perspectiva que tem os milhares de milhões de pobres, indigentes e perseguidos, a única perspectiva que temos nós: A perspectiva da luta pela igualdade e pela liberdade.

Solidariedade com os que resistem à soberania mundial do Estado e do Capital. Organização e luta pela anarquia e o comunismo libertário.

Coletividade anarquista “Ciclo do Fogo”, membro da Organização Política Anarquista, desde o terreno ocupado de Lelas Karagianni 37

Tradução: Agência de Notícias Anarquistas.

O texto em gregocastelhano, inglês

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