Este comunicado da Organização Política Anarquista, em solidariedade com a okupa Mundo Nuevo, foi publicado em sua página web em sequência a uma publicação em um meio de desinformação digital, através da qual os aparatos repressivos do Estado puseram a okupa no ponto de mira. Esperamos poder difundir logo mais notícias sobre este caso.

Solidariedade com a okupa Mundo Nuevo. Tirem as mãos das okupas

Continuam os ataques a okupas políticas e a lugares ocupados para oferecer alojamento a refugiados e imigrantes, através de contínuas publicações na imprensa. A mais recente delas foi um artigo contra a okupa Nuevo Mundo, escrito obviamente pela Polícia Secreta, e publicado em uma página web de Tessalônica. Recentemente o Centro Social Ocupado Sxoleio (Escola) recebeu ameaças por parte da prefeitura de Tessalônica. Ao mesmo tempo a okupa Rosa Nera em Chania está ameaçada com desalojo, devido aos acordos de caráter lucrativo entre a Escola Politécnica de Creta e empresários da indústria turística. O reitor da Universidade, jogando o papel de homem de negócios, declarou descaradamente que a repressão iminente será “para o bem da sociedade”. Durante o último tempo foi se intensificando a propaganda repressiva contra as okupas.

As referências (em vários artigos publicados) a ordens fiscais de desalojo das okupas de Papoutsadiko, do hotel City Plaza e da okupa de teto para imigrantes na rua Zoodoxou Pigis, 119, em Atenas, assim como a pressão exercida nos casos nos quais os donos dos edifícios das okupas são universidades, como os casos das okupas Lelas Karagianni 37 e Vankouver, em Atenas, e Evangelismos, em Heraclión, são feitas para penalizar o caráter anarquista e antiautoritário destes projetos, assim como a solidariedade na prática com os refugiados e os imigrantes.

Tratam-se de artigos montados pela Polícia, os quais no geral tem a forma de “sugestões” ao governo. Na realidade, vem servir diretamente às planificações do Estado, criando um ambiente repressivo. Uma histeria midiática semelhante aconteceu no verão passado, quando justo depois da celebração do “No Border” em Tessalônica se desalojaram as okupas Orfanotrofío (cujo edifício foi demolido), Mandalideio e Hurriya. O sinal de partida para a recente onda repressiva foi dada pelo próprio ministro da Ordem Pública, N. Toskas, com sucessivas entrevistas e declarações, primeiro depois do desalojo das okupas Villa Zografou e Alkiviadou em Atenas, e em seguida, depois do desalojo da okupa Albatroz em Tessalônica, confirmando a planificação estatal dos desalojos, pré anunciando a continuação das operações policiais e pondo o marco da ofensiva ideológica do governo contra as pessoas que lutam desde baixo.

Os ataques e a repressão das okupas fazem parte da ofensiva do Estado e da patronal às resistências sociais e de classe que estão surgindo contra suas planificações assassinas. Refugiados e imigrantes são encarcerados em quartéis, e o racismo institucional vai crescendo (aplanando o caminho aos bandos neonazis e cultivando o canibalismo social), a ofensiva do Capital arrasa a vida e a dignidade de trabalhadores e desempregados com a imposição contínua de cada vez novas medidas que conduzem à indigência e a submissão, os acidentes/assassinatos de obreiros da patronal vão aumentando, as mobilizações de classe e sociais são confrontadas com a violência policial e a difamação (como ocorreu no caso da pessoas que lutam pelo uso livre dos meios de transporte massivos, e que foram retidas durante uma concentração na garagem dos ônibus urbanos), acervos (conquistas) obreiros, como o do caráter festivo do domingo, são pisoteados, pessoas são condenadas a vários anos de cárcere, com acusações falsas baseadas em contos da Agência Antiterrorista, e os espaços públicos e o meio ambiente são saqueados e mercantilizados.

Neste enfrentamento entre os depredadores do Poder e das pessoas lutadoras por liberdade, igualdade e dignidade, as okupas constituem tanto refúgios como lugares nos quais se desenvolve a solidariedade, a auto-organização e a resistência em todas as frentes da guerra social e de classe. Como tais vamos defendê-las por todos os meios, de maneira combativa e organizada.

Nenhuma entrega, nenhuma trégua, na luta contra os planos repressivos do Estado. A coletivizar nossas resistências, a organizar a autodefesa do movimento, para passar ao contra-ataque social e de classe, à revolução social, a anarquia e o comunismo libertário.

Organização Política Anarquista Federação de Coletividades

Tradução: Agência de Notícias Anarquistas.

O texto em grego, castelhano.

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