Repressão

Alguns dias atrás, a okupa de abrigo para imigrantes da rua Notará, 26 (Exarchia, Atenas), recebeu um ataque incendiário criminoso. A seguir, o comunicado emitido pela assembleia aberta da okupa por ocasião do ataque.

Na quarta-feira, 24 de agosto, às 3h45, a okupa de abrigo para imigrantes da rua Notará, 26, recebeu um ataque incendiário criminoso. Para nós, a maneira de como os incendiadores agiram foi um claro ataque assassino, planejado para causar mortes, além de danos materiais graves. Esta ação covarde foi realizada em agosto pelos incendiadores por pensarem que os reflexos do movimento de solidariedade seriam baixos. No entanto, em vão…

Depois do ataque com coquetéis molotov e bombas incendiárias, o grupo de vigilância (salvaguarda) dos imigrantes e os solidários agiram imediatamente, usando os extintores da okupa. As mais de 130 vidas que corriam um sério perigo foram salvas exclusivamente pela reação imediata de todos os residentes, dos solidários, dos vizinhos e dos bombeiros, embora em seu comunicado de imprensa a okupa é citada como armazém, insinuando que não havia pessoas dentro.

Este episódio faz parte de uma série de ataques contra as okupas dos e das imigrantes, contra os refugiados e os centros sociais livres. Estes ataques foram feitos em conjunto pelo Estado e os aparatos paraestatais. Nesta colaboração o primeiro atua “legalmente” (como no caso das três okupas desalojadas em Tessalônica) e o segundo com práticas já bem conhecidas da máfia (como nos casos de várias okupas em Atenas), colocando na mira o movimento de solidariedade. Read the rest of this entry »

O texto original, publicado na página ainfos.ca, tem o título “Carta aberta a Alexis Tsipras e a seu governo”.

Na madrugada de 27 de julho, tu e teu governo desalojaste a três okupas em Tessalônica, as quais davam alojamento a refugiados e imigrantes. Também deteve a 75 pessoas solidárias, da Grécia e da Europa, enquanto mandaste, com muita pressa, aos refugiados a vários hotspots, alguns dos quais se negaram a recebê-los por estarem cheios. Por isso, os abandonastes no meio do nada. Já que (as outras okupas desalojadas) Orfanotrofío e Hurriya têm seu próprio discurso político, ao que não queremos substituir, os lembramos como okupa “Avenida Nikis 39” que estamos um pouco mais seguro que conheces. Esta okupa foi fruto da revolta de dezembro de 2008 e foi a primeira okupa de teto para os necessitados daquele movimento.

Estando integrada neste marco, através de um edifício abandonado buscava oferecer um alojamento decente a seus “inquilinos”, re-determinando o conceito de espaço público. Por esta razão, todos estes anos tem oferecido teto a centenas de ativistas e manifestantes, não apenas da Grécia, mas do mundo todo.

Quando surgiu a crise migratória, a okupa abriu suas portas para acolher a refugiados e para coexistir, de maneira igualitária e com solidariedade, com os mais necessitados deles, como as famílias com crianças. Ao mesmo tempo, se integrou em uma rede de atenção médica e alimentícia, criada em Idomeni. Pois, a estas pessoas, na madrugada de quarta-feira 27 de julho as fizestes viver mais uma vez o pesadelo do qual trataram escapar, atravessando com milhares de outros o Egeu, o mar das hecatombes. Read the rest of this entry »

No dia 16 de agosto a Polícia grega desalojou o Centro Social No Border, instalado na praia de Kalamari, próximo a Mitilene, capital da ilha de Lesbos, que nasceu com o objetivo de oferecer ajuda aos imigrantes e refugiados necessitados mediante uma estrutura de auto-organização. O Centro Social No Border se instalou na praia após o recente desalojo do edifício em que estava instalado, situado ao lado da praia de Kalamari . Durante o desalojo não se realizaram detenções.

O edifício ocupado pelo Centro Social No Border e desalojado pela Polícia em 25 de julho, pertence juridicamente ao banco Alpha. No dia seguinte do primeiro desalojo aconteceu um protesto do lado de fora da agência deste banco em Mitilene.

As ameaças de desalojar o Centro Social pela segunda vez haviam começado no dia 4 de agosto, quando os policiais avisaram aos imigrantes e aos solidários que se encontravam na praia (depois do primeiro desalojo do edifício do Centro Social No Border) que tinham que se retirar e que lhes dariam um prazo de poucos dias para fazê-lo. As palavras que os pretorianos do Regime empregaram foram as seguintes: “Não precisamos da ajuda de vocês”… Read the rest of this entry »

Nesta quarta-feira, 3 de agosto, foi realizada no centro de Atenas uma marcha em solidariedade com as três okupas desalojadas em Tessalônica em 27 de julho. Depois de um concentração realizada no Propileos da antiga Universidade de Atenas, começou uma marcha que percorreu uma boa parte do centro de Atenas. A marcha terminou nos escritórios do Syriza, o maior partido da coalizão governista.

Recordamos que em 27 de julho a Polícia de Tessalônica realizou uma operação de desalojo de três okupas para imigrantes e refugiados. As três foram desalojadas e uma delas foi demolida logo após a sua expulsão.

A marcha foi combativa. Os 300 manifestantes gritaram palavras de ordem contra a repressão, em solidariedade com as okupas reprimidas e os imigrantes, contra a Igreja, as autoridades municipais e o Estado grego. Durante todo o percurso do protesto foram distribuídos e espalhados folhetos. A presença da Polícia foi forte. Vários esquadrões de policiais acompanharam os manifestantes desde o início até o final da marcha. Pouco antes do final da marcha, os manifestantes perceberam que em um carro que seguia o ato se encontrava um policial à paisana. Ele foi perseguido juntamente com um policial uniformizado. Ambos os policiais foram forçados a fugir.

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Na madrugada do dia 27 de julho, fortes forças policiais realizaram uma repressão coordenada de desalojamento de três edifícios ocupados em Tessalônica: A ocupação “Orfanotrofío”, a ocupação Hurriya e a ocupação “Mandalideio”. As forças repressivas prenderam preventivamente 83 pessoas: ocupantes, solidários, refugiados e imigrantes que residiam nas okupas, e em seguida as prenderam, acusando-as de “pertubação” da paz pública. Uma das detidas é uma companheira nossa, membro da coletividade pelo anarquismo social “Negro e Vermelho”. A operação repressiva seguiu com a demolição do edifício da okupa Orfanotrofío.

Trata-se de uma ampla operação repressiva, cujos objetivos políticos são dois. Por um lado, (a operação) está integrada na planificação de pôr aos refugiados e imigrantes como alvos, de seu isolamento social e de sua reclusão em centros de reclusão-campos de concentração. Por outro lado, serve às pretensões repressivas do Estado, contra os focos de resistência social e de classe, contra o mundo da luta. O segundo objetivo é a manipulação, por todos os meios, das condições de indigência e submissão. Os lugares nos quais se desenvolvem os conteúdos políticos da auto-organização e a solidariedade com os refugiados, e a prova na prática que a auto-organização social e de classe é capaz de oferecer espaço e ajuda aos perseguidos, rompendo na prática seu isolamento, constituem um perigo constante para os gestores da barbárie estatal e capitalista.

A operação repressiva do dia 27 de julho é a continuação de uma grande série de outras operações semelhantes contra os solidários “não aprovados”, contra os que lutam para derrocar as condições que conduzem à indigência e a morte, não fazendo parte dos que tentam embelezar a imagem do Regime. Também, é a continuação de dezenas de operações repressivas contra espaços e estruturas do movimento anarquista e antiautoritário, através das quais se pretende eliminar a luta social de classes, e ter como alvo e limitar o movimento anarquista-antiautoritário. Os ataques das denominadas forças antidistúrbios levam anos alternando com os dos neonazis, já que o Regime soltou seus lacaios, sendo consciente do perigo que constituem para ele os movimentos de resistência coletivos, a organização da vida social sem a intervenção do Estado e a socialização das propostas anarquistas-antiautoritárias. Read the rest of this entry »

Cartaz-chamada para uma marcha em solidariedade com as três okupas reprimidas (três desalojadas, uma demolida) em 27 de julho em Tessalônica.

Atenas, Propileos da antiga Universidade, 3 de julho de 2016, às 19h: Marcha em solidariedade com as okupas, pelo motivo dos desalojos das três okupas em Tessalônica.

Em 27 de julho o Estado, em colaboração harmoniosa com as autoridades religiosas, municipais e universitárias, atacou e desalojou três okupas de solidários e imigrantes em Tessalônica. As respostas dos solidários foram diretas e agressivas, tanto na cidade onde se encontravam as okupas, como em outras cidades. Simultaneamente, em Atenas, o prefeito [George] Kaminis ameaça abertamente realizar novos desalojos.

As okupas são o desafio na prática da propriedade e do individualismo. São espaços onde as lutas coletivas se transformam em prática, e por esta razão estão na mira da repressão.

Nenhuma perseguição aos detidos dos desalojos e das ações de solidariedade.

Solidariedade na prática com as okupas.

Ocupação das propriedades (pertencentes) do Estado, do Capital e da Igreja.

Assembleia de mobilização extraordinária contra a repressão das okupas em Tessalônica

O texto em castelhano.

Nos dias 28 e 29 de julho aconteceram, em várias cidades do território do Estado grego, mobilizações e ações contra os desalojamentos das três casas okupadas em Tessalônica em 27 de julho. Segue um breve informe sobre as mais importantes delas.

Em Tessalônica, no dia 28 de julho, umas 500 pessoas realizaram uma manifestação e marcha pelas ruas da cidade. A marcha começou no centro da cidade e se dirigiu aos bairros ocidentais, onde se cruzou com vários imigrantes de um centro de reclusão. Os manifestantes então marcharam ao centro da cidade, passando pela prefeitura (o prefeito de Tessalônica ameaçou reprimir todas as okupações) e terminando na Escola de Teatro da Faculdade de Belas Artes, cujo edifício foi okupado umas horas antes com o fim de converter-se em um centro de luta.

Em Atenas, no dia 28 de julho, foi promovida uma marcha pelo centro da cidade com a participação de uns 700 solidários com as okupações desalojadas em Tessalônica. Alguns dos manifestantes eram refugiados e imigrantes sem-teto auto-organizados de Atenas. Nesta marcha a okupa de sem-tetos do hotel City Plaza, realizada por esquerdistas, tratou de manipular a manifestação. Na realidade, apesar desta okupa não ter sido chamada à marcha, seus membros se puseram à sua frente. Os membros da okupa da Rua Tsamadú (no bairro de Exarchia), em sua grande maioria anarquistas, reagiram a esta arbitrariedade, uma vez que havia sido ela que havia chamado à manifestação. Read the rest of this entry »

No dia 27 de julho de 2016 a Polícia grega realizou três despejos de okupas na cidade de Tessalônica. Concretamente foram despejadas as okupas Orfanotrofío, Hurriya e a okupa da rua Nike. Esta última, há muito tempo, é um espaço ocupado para refugiados. Orfanotrófio é uma velha okupa já despejada pela Polícia e que fora reocupada ano passado, com o fito de dar abrigo a imigrantes e refugiados de uma maneira autogerida. A okupa Hurriya foi realizada faz apenas poucos dias no centro da cidade e com o mesmo propósito.

Na operação policial se realizaram cerca de 70 detenções e umas 30 retenções preventivas. Os imigrantes, refugiados e nativos que foram detidos foram transladados para a Direção Geral de Polícia de Tessalônica. Já os detidos na okupa da rua Nike (e a melhor das outras duas okupas) serão processados hoje, quinta-feira, 28 de julho, com o procedimento para delitos flagrantes.

A propósito, a okupa Orfanotrofio foi demolida logo depois de seu despejo. Sob os escombros foram enterrados centenas de medicamentos, alimentos, roupas e artigos de primeira necessidade, destinados para as famílias dos refugiados abrigados na okupa. Read the rest of this entry »

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Soli Café é um projeto coletivo auto-organizado alojado em uma okupa de uma casa na cidade de Quios. Ele foi criado no início de janeiro 2016 para apoiar e se solidarizar com os refugiados e os imigrantes que chegam na ilha, e, especialmente, para oferecer-lhes um lugar onde eles possam auto-organizar suas vidas. Ontem recebeu um ataque incendiário criminoso, após uma concentração fascista realizada na capital da ilha. Segue o comunicado da okupa, emitido algumas horas após o ataque. Read the rest of this entry »

Há alguns dias, o sindicato de trabalhadores no setor privado e no setor do comércio da cidade de Drama (norte da Grécia) denunciou a demissão de sua vice-presidente pelos chefes da cadeia de cafeteria Mikel.

Quando a patronal da cafetaria se inteirou de que a trabalhadora tinha ação sindical, começou a tornar a vida dela insuportável, tentando forçá-la a pedir demissão. Começaram a difamá-la ante seus companheiros de trabalho, a ameaçá-la, a insultá-la, e vendo que essas táticas não foram bem sucedidas não hesitaram em trancá-la em um armazém para aterrorizá-la e puni-la por sua atividade sindical. Quando eles se deram conta de que a trabalhadora não iria pedir demissão, se viram forçados a demiti-la.

De acordo com relatos do mesmo sindicato, a trabalhadora foi tratada desta forma cruel e desumana por sua ação sindical, e em especial por seus esforços para criar uma organização entre os trabalhadores do negócio, a fim de rechaçar coletivamente os contratos temporários, e reivindicar o dinheiro que lhes eram devidos. Read the rest of this entry »

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