Reclusão

Texto da Iniciativa Anarcossindicalista Rocinante, publicado em sua página web por causa do suicídio recente de um imigrante no centro de reclusão para imigrantes de Amygdaleza.

A inspiração nazi dos campos de concentração (reclusão) não poderia produzir nada mais do que o que resultado de sua natureza e razão de sua existência: assassinatos de refugiados e de imigrantes. Na sexta-feira à tarde, um imigrante do Paquistão, Nadím, suicidou-se em sua cela. A morte de Nadím chegou uns dias depois da morte de um refugiado afegão, de tuberculose, e foi a quarta perda de uma vida humana no inferno de Amygdaleza. O suicídio de Nadím chegou após o anúncio da prorrogação de sua detenção em Amygdaleza por outros 24 meses.

A morte de Nadím é um assassinato. É um dos assassinatos cometidos por um sistema que gera a injustiça, a exploração e a opressão, assim como o corpo humano produz suor. É um sistema que utiliza as pessoas como máquinas de produção, e que trata aos “excedentes” do processo de produção como objetos. Ao lado de Manolada e os calabouços cheios de trabalhadores “invisíveis”, se encontra o centro de reclusão de Amygdaleza e a Direção Geral de Imigração, e todas as demais prisões, cujas celas se congestionam os refugiados e os imigrantes que não servem aos patrões. Read the rest of this entry »

Na sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015, às 20h, um imigrante paquistanês suicidou-se no centro de reclusão para imigrantes de Amygdaleza. Com 28 anos Mohamed Nadím estava a mais de um ano e meio preso quando se informou de que sua reclusão foi prolongada por outros seis meses (chegaria aos vinte e quatro meses no total), apesar de que a lei proíbe a reclusão dos imigrantes por mais de dezoito meses em qualquer centro de reclusão.

Esta é a terceira morte de um imigrante preso durante os últimos dias. Há poucos dias outro imigrante havia falecido em outro centro de reclusão sob circunstâncias pouco claras, enquanto que a semana passada um imigrante afegão havia morrido de tuberculose dentro do mesmo centro de reclusão. Nestes modernos campos de concentração milhares de imigrantes estão congestionados dentro de contêineres, as condições de higiene são péssimas e a atenção médica é inexistente.

Pouco mais de uma hora após o assassinato de Mohamed Nadím centenas de imigrantes foram à sua cela, violando as regras penitenciárias que proíbem o deslocamento dos reclusos de seu setor durante quase todo o dia. Os imigrantes permaneceram muitas horas na cela de Nadím, negando-se a entregar seu cadáver à Polícia, e exigindo o fechamento do centro de reclusão. Read the rest of this entry »

Após 31 dias de luta dura e tenaz eu abandono a greve de fome, tendo alcançado uma vitória significativa. A emenda aprovada pelo Parlamento, cujo único destinatário sou eu, teve diferenças significativas em comparação com as declarações iniciais do Ministro da Justiça, aceitando finalmente a minha exigência (pedido), inclusive se isso signifique que eu use uma “pulseira” eletrônica.

A única coisa que é certa é que esta vitória foi o resultado da pressão política exercida por nós, por isso o mundo da luta e a anarquia combativa são, sem dúvida, ética, política e praticamente, os grandes vencedores. Esta luta revolucionária polimórfica, e nós, como presos políticos, estamos saindo mais fortes desta batalha.

Levanto meu punho enviando minhas mais calorosas saudações e meu amor incondicional a todos aqueles companheiros que estiveram ao meu lado por todos os meios!

Solidariedade com os presos políticos. Viva a anarquia. Read the rest of this entry »

O preso anarquista Nikos Romanós terminou hoje (10) a greve de fome que havia iniciado em 10 de novembro, reivindicando o seu direito de sair da prisão durante o dia para frequentar um curso universitário. Romanós terminou a greve depois que o Parlamento votou uma emenda que permite aos detidos seguirem seus estudos fora da prisão munidos de uma pulseira eletrônica, mas com a condição de terem cumprido um semestre de estudos por correspondência.

Em um comunicado divulgado nesta tarde, Romanós conta que esta é uma grande vitória, e que a emenda aprovada tem diferenças significativas em relação à proposta inicial, sugerida pelo ministro da “Justiça”. Segundo Romanós, esta vitória foi fruto da forte pressão exercida, e aqueles que saíram vitoriosos são o mundo da luta e a anarquia combativa. No mesmo comunicado ele agradece aos médicos que o atenderam, que não sucumbiram às pressões do Ministério Público e que não praticaram a alimentação forçada.

Esta emenda, aprovada nesta tarde pelos deputados de todos os partidos menos o partido neonazista Aurora Dourada, será válida tanto para Romanós como para todos os presos que entraram nas Escolas Técnicas Superiores e Universidades. Romanós havia declarado antes da votação que aceitaria a condição da pulseira de monitoramento eletrônico. Como mencionamos acima, a única exigência da lei é que o preso para ter acesso a essas permissões tenha obrigatoriamente cumprido um semestre de estudos por correspondência. Durante essas saídas da prisão por razões educativas, os presos terão que usar uma pulseira eletrônica como um sistema de vigilância.

O texto em castelhano.

Milhares de pessoas encheram as ruas de Atenas nesta tarde (2 de dezembro) em uma onda de protestos. Aproximadamente 10.000 pessoas participaram da manifestação de solidariedade com a luta do grevista de fome Nikos Romanós. Nikos está a 23 dias em greve de fome, exigindo seu direito de permissão de saída da prisão por razões educativas, conforme previsto na legislação relativa às permissões de saídas dos presos que são estudantes. Este direito é negado pelo regime Democrático, que não tem o menor escrúpulo em violar suas próprias leis.

Em solidariedade com a sua luta estão em greve de fome três outros presos: Giannis Mijailidis há 15 dias, e André-Demetrio Burzukos e Demetrio Politis há dois dias. Em 28 de novembro, Heracles Kostaris, o outro preso-estudante que o Regime nega o direito de obter permissão de saída por razões educativas, encerrou sua greve de fome de 22 dias.

Esta é uma das manifestações mais massivas de solidariedade na história do movimento contestatório no território do Estado grego. De acordo com nossas estimativas e as de outros companheiros e mídias contrainformativas, o número de participantes na marcha oscilou entre 9.000 e 10.000. A faixa da cabeça da marcha dizia: “Difusa respiração até a morte do Estado e do Capital”. A marcha estava salvaguardada em toda a sua duração por grupos de manifestantes, a fim de evitar provocações por parte de policiais uniformizados ou à paisana. Read the rest of this entry »

Mais de 1.000 pessoas, a maioria anarquistas, participaram na tarde deste domingo (30) de uma marcha motorizada em solidariedade com a luta do preso grevista de fome Nikos Romanós. Nikos está a 21 dias de greve de fome exigindo seu direito de permissão de saída da prisão por razões educativas, conforme previsto na legislação relativa às permissões de saídas dos presos que são estudantes.

A marcha começou nos Propileos da velha Universidade, no centro de Atenas, e atravessou a praça principal de Syntagma (Constituição), onde os imigrantes sírios estão em greve de fome, e um pouco mais tarde chegou ao hospital no qual está internado Nikos Romanós, vigiado por fortes forças policiais. Quando os solidários chegaram ao pátio do hospital, Nikos foi para a janela com barras de seu quarto para saudá-los.

Em seguida, a marcha foi para o hospital onde se encontra o preso Giannis Mijailidis, em greve de fome há duas semanas em solidariedade com a luta de Nikos Romanós. Read the rest of this entry »

O preso político Nikos Romanós tem agora 20 dias em greve de fome, exigindo seu direito de permissão de saída da prisão por razões educativas.

Ontem, sexta-feira, 28 de novembro de 2014, o preso político Heracles Kostaris emitiu um comunicado, onde conta que acabou sua greve de fome depois de 22 dias, por causa do risco que corria sua vida, pressão familiar, o indeferimento do seu pedido para ser transferido para uma prisão em que poderia obter permissão de saída, e das condições de sua internação.

O grevista de fome Giannis Mijailidis foi transferido para um hospital em Atenas, depois de sua recusa de ser transferido para o hospital da prisão.

A seguir, publicamos o comunicado da médica Lina Vergopulu sobre o estado de saúde do grevista de fome Nikos Romanós.

Hoje, 28 de novembro de 2014, visitei o preso Nikos Romanós, em greve de fome desde 10 de novembro, no hospital Genimatás, onde ele está internado e vigiado pela Polícia. Ele afirmou que se mantém firme na sua posição original de continuar a greve de fome até o final (recusando alimentação forçada, bebendo apenas água, sem tomar líquido ou medicamentos por via intravenosa). Ele vai insistir em sua “demanda de permissão de saída da prisão por razões educativas, colocando como barricada seu próprio corpo, tendo pleno conhecimento dos riscos para a sua saúde e vida, até alcançar alguns alentos de liberdade da condição devastadora de reclusão”. A diretora da clínica onde está hospitalizado me informou que após 19 dias de greve de fome a sua saúde está ameaçada. Read the rest of this entry »

Dois presos políticos estão em greve de fome nos cárceres do Estado grego por negarem-lhes permissão de saída por razões educativas. Nikos Romanós está em greve de fome desde 28 de outubro de 2014, e Heracles Kostaris desde 10 de novembro de 2014. Com a luta destes dois presos se solidarizou o preso político Giannis Mijailidis, que iniciou uma greve de fome em 17 de novembro de 2014.

Nikos Romanós, condenado a 15 anos de prisão, é estudante em uma escola técnica superior. O sistema penitenciário lhe concedeu o direito de participar nos exames de ingresso, mas agora lhe negam o direito a sair da prisão para assistir a aula. Heracles Kostaris, condenado a prisão perpétua, está a três anos assistindo a aula em uma escola técnica superior, obtendo regularmente permissões de saída por razões educativas. Agora lhe negam o direito de acabar sua carreira.

Neste caso o Regime nega a dois presos um direito estabelecido e institucionalizado por sua própria legislação. Se nega a aplicar suas próprias leis. Para nós isto não é um paradoxo. É um dos elementos substanciais do sistema desta ditadura encoberta que hoje está vestida com o véu da democracia burguesa. O pretexto do governo neoliberal para negar a estes dois presos políticos a permissão de saída por razões educativa é a fuga da prisão faz uns meses de outro preso político, que não regressou à prisão após uma permissão de saída que obteve. Read the rest of this entry »

Sabotagem das prisões de segurança máxima

Destruir a instituição de reclusão

Luta polimorfa até a destruição de todas as prisões

Solidariedade com a luta dos prisioneiros

Manifestação-intervenção contra a votação do projeto de lei sobre as prisões de segurança máxima

Segunda-feira, 7 de julho, em Atenas, Praça de Syntagma, às 18h.

“A solidariedade na prática derruba os muros de isolamento, impede a ofensiva do totalitarismo moderno. E nesta luta vamos estar lá. Com manifestações, passeatas, panfletos, cartazes, e com tudo o que escolhermos. As lutas deles são nossas lutas também, e as respostas para os dilemas claros de nossos tempos devem ser igualmente claros.”

Fragmento da proposta (contribuição) da Assembleia de Volos Contra as Prisões de Máxima Segurança

Anarquistas Read the rest of this entry »

Mais de 4.500 presos – que estavam até ontem, 1º de julho, em greve de fome há nove dias, em quase todas as prisões do território do Estado grego contra a criação de “prisões de segurança máxima” – suspenderam a sua greve. O comunicado que emitiram (ver abaixo) por um lado faz referência à propostas para melhorar o projeto de lei do Ministério da “Justiça” e da suspensão da greve de fome e, por outro lado, alertam que não colocam fim à suas mobilizações.

As alterações introduzidas pelo Ministério são:

– Os presos nessas prisões serão aqueles que foram condenados a mais de 12 anos de prisão. Este limite no projeto de lei era de 10 anos. Nesta categoria estão incluídos todos os prisioneiros condenados por envolvimento em grupos de luta armada, ou seja, esta modificação não os afeta, porque suas penas são muito maiores.

– A duração da sua detenção inicial nestas prisões é reduzida (de quatro) em três anos. No entanto, nestes três anos podem ser dadas várias prorrogações de dois anos cada uma. Read the rest of this entry »

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