Questões teóricas

Texto do Movimento Antiautoritário de Ioánnina.

Igreja S.A.:

Década de 50: Reações pela publicação do livro “A última tentação de Cristo”. Excomunhão do autor do livro, Nikos Kazantzakis e incêndio de livros seus.

Década de 80: Invasão de “fiéis piedosos” nos cinemas para anular a projeção do filme “A última tentação de Cristo”.

– Seguem chamamentos a incêndios de outros livros, como o livro “Mn” de Mimis Andrulakis, de livros do “endiabrado” Harry Potter, e de muitos outros.

– (A Igreja) chamou ao boicote de uma série de filmes “perigosos”, sendo o exemplo mais ilustrativo a ofensiva ao filme “Agora”, que tratava do assassinato de Hipatia pela Igreja.

– No setor do teatro (a Igreja) recorreu à via judicial contra a obra teatral “Corpus Christi”, baseando-se na lei sobre a blasfêmia.

É certo que a Igreja não se limita a “salvar” o mundo com a censura. Citamos os seguintes casos: Read the rest of this entry »

Texto publicado na página vforvolos.gr.

Morreu o trabalhador de 35 anos G. Stamelos em um programa de “trabalho de interesse social” de cinco meses de duração. Trabalhava fora de sua jornada laboral no setor de limpeza. Há três meses e meio o trabalhador de 35 anos tropeçou nas obras realizadas em Megara enquanto subia ao caminhão de limpeza e se machucou caindo no asfalto com a cabeça. Recebia 16,60 euros por dia. Neste posto trabalhava ilegalmente, sem a segurança social dos trabalhos penosos e insalubres, e sem ter assinado o contrato de trabalho relativo. Não se trata de um caso único, já que milhares de trabalhadores em programas de “trabalho de interesse social” de cinco meses trabalham ilegalmente e fora do seu horário de trabalho como “beneficiários”.

Tampouco a morte de um homem de 35 anos foi um acidente. Constitui, no entanto, a gota d’água. O chamado “trabalho de interesse social” dos programas de marco estratégico nacional de referência, que reflete a queda do índice da taxa de desemprego, é a realidade da barbárie capitalista do governo, que tira proveito do desemprego de milhares de pessoas.

Milhares de desempregados desesperados apresentam pedidos de participação nos programas de cinco meses de duração do marco estratégico nacional de referência. Na grande maioria dos casos as condições de trabalho durante esses cinco meses são de exploração extrema, já que o denominado “beneficiário” trabalhará duramente, e muitas vezes será tratado da pior maneira possível pelo patrão – “contratante”. Geralmente, o &l dquo;beneficiário” recebe uma parte de seus honorários dois meses depois, enquanto que o resto recebe muitos meses depois de finalizado o programa. Além do mais, ultimamente a dedução fiscal parece ser “esquecida” pelo Ministério das Finanças, destinando-se este dinheiro aos fundos do Estado. Read the rest of this entry »

O texto original, publicado na página ainfos.ca, tem o título “Carta aberta a Alexis Tsipras e a seu governo”.

Na madrugada de 27 de julho, tu e teu governo desalojaste a três okupas em Tessalônica, as quais davam alojamento a refugiados e imigrantes. Também deteve a 75 pessoas solidárias, da Grécia e da Europa, enquanto mandaste, com muita pressa, aos refugiados a vários hotspots, alguns dos quais se negaram a recebê-los por estarem cheios. Por isso, os abandonastes no meio do nada. Já que (as outras okupas desalojadas) Orfanotrofío e Hurriya têm seu próprio discurso político, ao que não queremos substituir, os lembramos como okupa “Avenida Nikis 39” que estamos um pouco mais seguro que conheces. Esta okupa foi fruto da revolta de dezembro de 2008 e foi a primeira okupa de teto para os necessitados daquele movimento.

Estando integrada neste marco, através de um edifício abandonado buscava oferecer um alojamento decente a seus “inquilinos”, re-determinando o conceito de espaço público. Por esta razão, todos estes anos tem oferecido teto a centenas de ativistas e manifestantes, não apenas da Grécia, mas do mundo todo.

Quando surgiu a crise migratória, a okupa abriu suas portas para acolher a refugiados e para coexistir, de maneira igualitária e com solidariedade, com os mais necessitados deles, como as famílias com crianças. Ao mesmo tempo, se integrou em uma rede de atenção médica e alimentícia, criada em Idomeni. Pois, a estas pessoas, na madrugada de quarta-feira 27 de julho as fizestes viver mais uma vez o pesadelo do qual trataram escapar, atravessando com milhares de outros o Egeu, o mar das hecatombes. Read the rest of this entry »

Na madrugada do dia 27 de julho, fortes forças policiais realizaram uma repressão coordenada de desalojamento de três edifícios ocupados em Tessalônica: A ocupação “Orfanotrofío”, a ocupação Hurriya e a ocupação “Mandalideio”. As forças repressivas prenderam preventivamente 83 pessoas: ocupantes, solidários, refugiados e imigrantes que residiam nas okupas, e em seguida as prenderam, acusando-as de “pertubação” da paz pública. Uma das detidas é uma companheira nossa, membro da coletividade pelo anarquismo social “Negro e Vermelho”. A operação repressiva seguiu com a demolição do edifício da okupa Orfanotrofío.

Trata-se de uma ampla operação repressiva, cujos objetivos políticos são dois. Por um lado, (a operação) está integrada na planificação de pôr aos refugiados e imigrantes como alvos, de seu isolamento social e de sua reclusão em centros de reclusão-campos de concentração. Por outro lado, serve às pretensões repressivas do Estado, contra os focos de resistência social e de classe, contra o mundo da luta. O segundo objetivo é a manipulação, por todos os meios, das condições de indigência e submissão. Os lugares nos quais se desenvolvem os conteúdos políticos da auto-organização e a solidariedade com os refugiados, e a prova na prática que a auto-organização social e de classe é capaz de oferecer espaço e ajuda aos perseguidos, rompendo na prática seu isolamento, constituem um perigo constante para os gestores da barbárie estatal e capitalista.

A operação repressiva do dia 27 de julho é a continuação de uma grande série de outras operações semelhantes contra os solidários “não aprovados”, contra os que lutam para derrocar as condições que conduzem à indigência e a morte, não fazendo parte dos que tentam embelezar a imagem do Regime. Também, é a continuação de dezenas de operações repressivas contra espaços e estruturas do movimento anarquista e antiautoritário, através das quais se pretende eliminar a luta social de classes, e ter como alvo e limitar o movimento anarquista-antiautoritário. Os ataques das denominadas forças antidistúrbios levam anos alternando com os dos neonazis, já que o Regime soltou seus lacaios, sendo consciente do perigo que constituem para ele os movimentos de resistência coletivos, a organização da vida social sem a intervenção do Estado e a socialização das propostas anarquistas-antiautoritárias. Read the rest of this entry »

Texto do local anarquista-antiautoritário Antipnoia.

Aparte dos memorando, guerras e desarraigamento, o verão de 2016 tem a Eurocopa [na França] e os Jogos Olímpicos [no Brasil]. Em condições de crise sistemática, o totalitarismo moderno se aprofunda constantemente, o estado de emergência se faz permanente, o totalitarismo parlamentar se fortalece, e os patrões se voltam cada vez mais gananciosos.

A mercantilização do esporte é total, e se pode notar desde o clube desportivo mais pequeno até as multinacionais que tem comprado equipes em todos os esportes. Promovendo como consequência os princípios de antagonismo e da vaidade, os atletas se converteram em umas caricaturas de promoção (publicidade) das oportunidades que oferece o capitalismo a todas e todos. Basta com que esteja disposto a dar tudo.

Em concreto, quando falamos de eventos esportivos de grande alcance, os interesses são ainda maiores, ainda mais globais. Os eventos de tal alcance constituem a melhor oportunidade para o Estado e o Capital para eliminar os direitos trabalhistas e para intensificar o trabalho. O resultado disso é o aumento explosivo dos acidentes de trabalho, a abolição dos acervos [conquistas] e da desvalorização da mão de obra. Ao mesmo tempo, são aplicadas umas leis novas. São umas leis que diariamente se caracterizam pela limitação de nossas liberdades, por mais controle e por mais multas. Toda esta rede, que conduz a exacerbação da exploração pelo sistema estatal-capitalista, se promove através de invenções ideológicas como a unidade nacional, o voluntarismo, etc. Read the rest of this entry »

Texto do Coletivo Libertário Diapasão do bairro ateniense de Marusi, cuja publicação foi motivada pela decisão das autoridades municipais de contratar seguranças privados para proteger o centro comercial do bairro.

No começo de abril foi posto em marcha o projeto do prefeito de Marusi, Patulis, que queria que o centro comercial de Marusi fosse protegido por um grupo de agentes de segurança privados, além das forças policiais. Esta decisão não foi feita por terem percebido algo que justifica, embora fosse aparente, a presença de mais guardas nas ruas de nosso bairro, mas sim porque o senhor prefeito pensa em algo mais profundo. Se não havia nenhum perigo de dano ao centro comercial, então o que será que o conduziu a tomar esta decisão?

O principal objetivo da autoridade municipal é de demonstrar, por todos os meios possíveis, que Marusi é, e seguirá sendo cada vez mais, única e exclusivamente um centro de consumo esterilizado. Podemos andar livremente pelas ruas do bairro enquanto vemos as vitrines das lojas, podemos fazer uso das praças do bairro se participamos das festinhas comerciais (mercantis) do tipo “Noite Branca”. Se temos, contudo, uma outra opinião sobre o que é o espaço público, qual é nossa posição neste e quais são as ações que podemos fazer para aproveitá-lo, o senhor Patulis está dedicado a lembrar-nos que a liberdade dos cidadãos começa e termina nas bolsas cheias de compras dos consumidores. E não dizemos que estes senhores (que costumam ser muito mais velhos) podem impedir alguma ação nossa no bairro, e sim que contribuem para a criação de uma imagem de Marusi à beira da “tranquilidade, ordem, segurança”. Read the rest of this entry »

Texto da Assembleia de Anarquistas para a Intervenção na Universidade, publicado em sua página da web.

A guerra que os soberanos do mundo estão fazendo para submeter e saquear os povos do Próximo Oriente tem consequências sociais e ambientais que são infinitas e irreversíveis. Este feito conduz grandíssimas reclassificações geopolíticas, já que populações inteiras se veem obrigadas a viver em condições de pobreza, indigência, doença e morte, enquanto uma boa parte delas se vê forçada a abandonar seus lares buscando uma vida melhor no interior do “paraíso capitalista” das sociedades ocidentais. É assim que se criam massas de pessoas indigentes que se dirigem ao oeste e ao norte da Europa. Muitas destas pessoas nunca conseguem chegar no interior da Europa-fortaleza, seja por serem assassinadas em suas fronteiras férreas, seja por afogarem-se ao naufragar nos barcos de lixo que atravessam o Egeu ou o Mediterrâneo. Claro, os que conseguem chegar à Europa rapidamente se dão conta que o paraíso com que sonhavam não é nada mais que um inferno de cruel exploração, repressão, racismo e morte, já que são usados como mão de obra barata nos calabouços laborais do Capital.

A imagem dos estados-nação modernos lembra terrenos rodeados de arames farpados, exércitos e meios de vigilância avançadíssimos, as quais são acessíveis aos imigrantes perseguidos segundo as necessidades dos patrões e segundo as correlações políticas e econômicas. A história nos ensinou que quando o Capital necessita de mão de obra barata para conseguir baixo custo de produção, as fronteiras estão abertas para os imigrantes (o caso dos Jogos Olímpicos, o caso das estufas e plantações de Manolada, o caso da Copa do Mundo de Futebol, etc), enquanto que quando deixam de ser úteis são congestionados, a modo de mercadoria excedente, em hotspots-campo de reclusão, ou são enviados a seus países de origem. Read the rest of this entry »

A seguir, texto escrito pelo grupo autônomo de estudantes de Tessalônica “Ataxia” (Desobediência) e publicado em seu site, e que foi distribuído aos alunos que participaram no desfile estudantil de 25 de março nesta cidade.

Somos estudantes de várias escolas de Tessalônica, e decidimos abordar longamente a questão dos desfiles escolares. Por ocasião desta questão e da celebração do desfile de 25 de março, escrevemos o seguinte texto:

Os desfiles foram estabelecidos em 1936 pelo ditador Metaxas, que esteve influenciado e impressionado com os “desfiles” da Alemanha nazista. O objetivo da introdução dos desfiles escolares foi a de que os jovens gregos obtivessem consciência militar e que se familiarizassem com a disciplina militar. Portanto, os desfiles funcionam como um veículo para a difusão do nacionalismo e do militarismo na sociedade.

Os desfiles estão integrados na lógica do aspecto homogêneo, uniforme, passo, alinhamento e tem como objetivo a eliminação da nossa diversidade. Especificamente, você é forçado a comprar ou alugar as mesmas roupas que seus colegas de classe, para que o seu vestuário seja formal. Provavelmente, você não usará nunca mais essa roupa, por achar tão ridícula ou não gostar dela. No entanto, para o desfile ela é necessária. Todos estarão andando ou como dizemos: estarão desfilando da mesma forma, e qualquer desvio é incorreto e é punido. Haverá alguma pessoa encarregada de dar ordens e o ritmo para desfilar, impor a sua superioridade. Read the rest of this entry »

Comunicado da Coordenadoria de Ierissós contra a mineração de ouro, sobre o assassinato de Berta Cáceres.

A notícia de que Berta Cáceres, líder do Conselho dos Povos Indígenas de Honduras, foi encontrada morta, crivada com dois tiros na cabeça por assaltantes em sua própria casa, tem despertado memórias tristes e familiares em nossos corações, aqui em Calcídica, Grécia. Familiares, porque os nossos povos experimentaram extrema repressão e ataques violentos nas casas daqueles que resistem nesta longa luta contra os planos extrativistas de Eldorado Gold. Triste, porque percebemos que as forças da destruição e da morte não hesitam em sacrificar vidas humanas na frenética corrida do “crescimento”. Há investimentos a qualquer custo na Grécia, Honduras e muitos outros locais em todo o mundo que estão sendo sacrificados no momento atual. Nós lutamos contra essa lógica. Talvez a dureza com que somos tratados varia de acordo com o continente do planeta que habitamos, no entanto, a mensagem das corporações multinacionais e dos políticos que servem os seus interesses é comum para todos: qualquer um que esteja no nosso caminho encontrará um final trágico.

Ironicamente, o ataque mortal na casa da ativista teve lugar em 3 de março, ao amanhecer do dia de seu aniversário. Portanto, devemos prestar homenagem à vida de Berta Cáceres. Render honra a toda luta da vida contra a lógica mortal dos lucros sobre as vidas humanas e a vida de um povo; render honra as vozes que não se calam e lutam por sua terra. Nós, os e as habitantes que vivem em Calcídica em luta nos unimos para a justa raiva dos e das que lutam em Honduras, que não se rendem e não aceitam o rolo compressor do que hoje é considerado “legal e aceitável”. Esta ameaça tem rosto e tem características – o rosto daqueles que promovem a destruição dos recursos naturais comuns para o benefício de poucos, e as características assassinas dos que sacrificam lugares e pessoas que se interpõem em seu caminho. Read the rest of this entry »

Boletim de imprensa da Coordenadoria de Ierissós contra a mineração de ouro, publicado em seu site.

O único objetivo das empresas de mineração, como todas as grandes multinacionais, é o lucro. Perfeito! Sem exceção. Às vezes, elas são forçados a se adaptar (com grande descontentamento) com algumas regras fundamentais de direitos humanos, de justiça obreira e social e de proteção ambiental. Neste caso, os seus lucros, a pedra fundamental de sua existência, são reduzidos.

A maximização do lucro é conseguida de duas maneiras: aumentando as receitas e/ou reduzindo os custos. As empresas envolvidas na extração de metais têm a vantagem de que o aumento das receitas seja inelástico. Os preços dos seus produtos estão intimamente associados com um mercado globalizado que não deixa muita margem. Portanto, a sua estratégia centra-se na redução de custos.

O que eles precisam é de matérias-primas baratas, mão de obra barata, passividade social, e a capacidade de influenciar no marco legislativo que regula suas atividades. Assim que arrebatam o espaço público e os recursos que precisam, perdem o interesse com as normas ambientais, investem fortemente na repressão de qualquer reação social, e tratam os trabalhadores como um recurso reciclável. Read the rest of this entry »

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