Questões históricas

Segue a terceira parte de uma série de artigos temáticos sobre a diacronia do fascismo no território do Estado grego. O artigo original, intitulado “Falemos sobre o fascismo moderno” e subtitulado “atualizando nossa análise e organizando a guerra contra suas raízes e não apenas contra os fascistas declarados”, foi publicado no site da coletividade anarquista de Volos Manifesto. A primeira parte pode ser lida aqui e a segunda parte aqui.

Desde o fascismo do regime de Metaxás e do estado de emergência posteriormente a guerra civil, ao nacionalismo grego de “tipo europeu” da Transição

O Estado sempre foi o patrimônio de alguma classe privilegiada: classe sacerdotal, classe nobre, classe burguesa; com a classe burocrática finalmente, quando, exauriu todas as outras classes, o Estado cai ou ressurgiu, como se deseja, na condição de máquina; mas é absolutamente necessário para a salvação do Estado que haja alguma classe privilegiada interessada em sua existência. E é precisamente o interesse solidário desta classe privilegiada que se chama patriotismo“. Mikail Bakunin, 1869: “Aos companheiros da Associação Internacional dos Trabalhadores em Locle e Chaux-de-Fonds”, revista O Progressos, Genebra. Read the rest of this entry »

Neste sábado, 2 de dezembro de 2017, aconteceu na okupa Antiviosi (cidade de Ioánnina) a apresentação do livro do companheiro Dimitris Troaditis “O sol da anarquia saiu – Por uma história do movimento anarquista no território do Estado grego”. A seguir, o texto do chamado à apresentação.

Depois de uma pesquisa de muitos anos, um trabalho diligente, assim como muitas expectativas, foi publicado pelas edições libertárias “Koursal” o livro de Dimitris Troaditis “O sol da anarquia saiu – Por uma história do movimento anarquista no território do Estado grego”.

Este livro constitui uma primeira tentativa de registrar e apresentar quantos mais traços possíveis da galáxia multicor das primeiras formações anarquistas ou próximas da anarquia, assim como das tentativas de formação de um movimento semelhante no território do Estado grego no último quarto do século XIX e nas primeiras décadas do século XX.

Com uma infinidade de informações históricas sobre a vida e a ação de certas pessoas e de coletivos, e com a justaposição meticulosa de textos originais e de outros documentos, o objetivo desta obra é duplo: a. Cobrir o vazio que havia na historiografia anarquista, e b. Dar um impulso para a continuação da pesquisa e o estudo deste tema. Read the rest of this entry »

Texto de Nikos Adamópulos, publicado no Indymedia Atenas.

Uma festa de “memória nacional”, reiterada constantemente, sempre adquire aquelas características que são proibitivas para poder alcançar o conhecimento frutífero, histórico e real. Esta é uma constatação comum e universal.

Os aniversários nacionais do 25 de março de 1821 e do 28 de outubro de 1940 são dois exemplos ilustrativos da falta em nosso país de uma comemoração frutífera do passado, que produza o conhecimento histórico necessário para o cidadão e para o povo grego em sua totalidade. No melhor dos casos, poderíamos dizer que estas festas nacionais são uma oportunidade para que os trabalhadores tenham um dia livre e descansem, devido a que são dias festivos [feriados], ou no pior dos casos, para muitos são uma oportunidade de surgimento da parte mais cruel e paranoica de seu inconsciente, a qual, neste caso toma a forma de uma histeria nacionalista e racista, e de vingança contra qualquer inimigo, real ou fictício, de nossa pátria… gloriosa.

A celebração do aniversário da revolta da Escola Politécnica, e sobretudo em forma de eventos de três dias, com o tempo foi se degradando e chegou a tocar fundo, assim como umas festinhas nacionais-nacionalistas similares, como as dos aniversários de 1821 e de 1940. E isto é devido principalmente ao fato de que o Estado que sucedeu à Ditadura, o chamado Estado da Transição, se apropriou de uma revolta estudantil espontânea, a qual (mutatis mutandis) foi se desenvolvendo em uma solidariedade popular, emocional e a distância, com os estudantes em luta. O Estado da Transição percebeu aquela mobilização popular histórica como uma… “revolução” sistêmica sua (própria), cujo fim era a abolição de um Estado ditatorial, arbitrário e militar, e sua substituição por seu Estado parlamentar… ideal! E não poderia ser de outra maneira, já que muitos dos participantes ou protagonistas daquela rebelião de novembro de 1973, ostentaram cargos muito altos no Estado burguês. O importante é que isto aconteceu tão só uns anos depois, quando as memórias dos acontecimentos da rebelião todavia não se haviam desvanecido (apagado). Read the rest of this entry »

Cartaz da coletividade anarquista de Tessalônica Negro e Vermelho.

Escola Politécnica, 1973-2017. Contra o mito da Democracia que segue:

– Formando as condições da imposição da ditadura moderna do Estado e do Capital, ou seja o sistema do totalitarismo moderno, chamando “inimigos” aos alter ego da Dominação.

– Armando, respaldando e apoiando ativamente a criminosos e fascistas de todo tipo.

– Ampliando o estado de exceção, legalizando o estado de emergência permanente.

– Aplicando a política da morte contra os imigrantes e os refugiados, reprimindo violentamente todas suas revoltas por uma vida melhor.

– Aumentando o custo de vida, esmagando os estratos sociais plebeus.

– Intensificando a exploração. Isto tem como resultado o aumento do número dos “acidentes laborais”, ou seja dos assassinatos da patronal.

– Malbaratando as casas dos pobres em nome da proteção da propriedade privada.

– Reprimindo, encarcerando, perseguindo, deixando no cárcere a Irianna e Pericles, processando constantemente a anarquistas e antifascistas, respaldando as agressões dos fascistas fora dos tribunais, etc. Read the rest of this entry »

Texto da Assembleia de anarquistas e antiautoritários/as de Lâmia sobre as denominadas “Noites Brancas”. O texto foi distribuído em uma ação realizada faz uns dias no centro da cidade.

Que vão os ministros, os prefeitos e todos os patrões a trabalhar no domingo e pelas noites.

Em 13 de outubro de 2016, após uma convocatória da junta diretora da Associação de Comerciantes de Lâmia, se realizou um conselho, no qual um dos temas principais debatidos foi a organização de uma “Noite Branca” na cidade. No conselho anteriormente mencionado muitos donos de lojas exigiram de maneira insistente “que se celebra-se por fim em Lâmia” uma “Noite Branca”, onde a junta diretora tomou a relativa decisão, sendo seu argumento principal a “melhora e a tonificação da psicologia dos consumidores”. Claro, não nos surpreendeu que não lhes interessasse o mínimo os empregados das lojas, os quais vão dar uma surra por causa da festa. Assim, pois, ao mesmo tempo que os donos dos grandes negócios comerciais montam festinhas para “tonificar” a economia e o mercado local destroçados, seus empregados, assim como todos os que estão trabalhando nesta época, sentem em seu corpo a violação constante de seus direitos e de sua dignidade. Os salários de fome, o trabalho não remunerado durante muitos meses, os horários comerciais flexíveis, os convênios individuais, as horas extras não pagas, e já o trabalho no domingo, não são nada mais que o terrorismo patronal moderno. É um terrorismo, o qual já considera normal obrigar diretamente aos trabalhadores a trabalhar até a meia-noite, até às 12 da noite! De fato, é esta condição miserável para os trabalhadores a campanha de publicidade, com o fim de chamar o “público consumidor” a participar neste evento e a aumentar os lucros dos comerciantes locais. Read the rest of this entry »

Texto do Grupo Autônomo da Faculdade de Física de Tessalônica, escrito sobre a questão migratória.

Durante o último ano estamos a seguir de perto e com angústia o drama que se desenvolve em volta do tema dos imigrantes (refugiados). A sociedade grega e os meios de desinformação massivos, de repente, mostraram “sensibilidade” e uma faceta caritativa com os imigrantes, enquanto há uns anos se referiam a eles da forma mais depreciativa possível. Também vemos que uma parte da sociedade não tem dúvidas em expressar os seus reflexos racistas. Não temos, no entanto, ilusões sobre a gestão das relações de Poder que ocorrem à nossa volta.

O que nos escapa, à partida é que sempre existiram imigrantes sendo estes sempre a parte mais sub-valorizada (menosprezada) da sociedade. Devido à situação em que se encontram, são discriminados e explorados pelo que em períodos de desenvolvimento constituem a mão de obra barata do Capital, enquanto que em tempos modernos como os de agora – em que aumentou significativamente o número de imigrantes, no meio da crise financeira – o capitalismo europeu não é capaz de explorá-los e absorvê-los, de modo que os classifica como mão de obra excedente, reduzindo-os desta forma a uma parte do problema (migratório). Read the rest of this entry »

Editorial publicado na página athens.indymedia.org pela ocasião da comemoração de aniversário da revolta da Escola Politécnica em 1973.

Quarenta e um ano depois da revolta da Escola Politécnica a realidade segue sendo o testemunho irrefutável de que não há nenhum direito, nenhuma liberdade, nenhuma prosperidade que possa existir para o conjunto da sociedade se ela não se livra da turba partidária dos atuais ou iminentes “salvadores”, se não desata as amarras da escravidão assalariada, se não sobrepõe o benefício do conjunto da sociedade ao interesse individual.

Para a Grécia da fome, da miséria, da extrema repressão, da submissão, da resignação e da depressão, a única solução é a insurreição generalizada imediata. Essa insurreição que, negando qualquer compromisso, derrotará a situação desumana que nos foi imposta, e colocará em marcha os processos revolucionários de organização espontânea da sociedade, para que ela atenda às suas necessidades, com base na igualdade, na liberdade e na solidariedade. Sem governantes e governados. Sem exploradores e explorados. Sem amos e submissos.

As batalhas para a criação de um mundo livre e justo nunca deixaram de ser parte da história da humanidade. Uma história cheia de pequenos e grandes esforços para romper as amarras que mantêm quase toda a sociedade espiritualmente infeliz e materialmente marginalizada. Read the rest of this entry »

Texto publicado na página imf-fuck-off.blogspot.gr.

Já que entramos em novembro e a temperatura no termômetro político aumenta, é mais do que certo de que em breve começará o debate sobre a revolta da Escola Politécnica em 1973, suas demandas e sua conexão com o presente.

Junto com o debate vamos ter também os típicos “resíduos”. Como já escrevemos no texto intitulado “Democracia versus Ditadura”, publicado em novembro de 2013, “Os jornais mais leais ao Regime circulam junto com suplementos de muitas páginas que descrevem as lutas que produziram aqueles que se rebelaram, os canais de TV ilegais dos empresários “cafetões” colocam documentários dos acontecimentos que fizeram história, os políticos mais submissos declaram sua fé eterna na Democracia, e as prostitutas jornalísticas desonradas estão furiosas contra os militares que tiveram em suas mãos o Poder na Grécia por 7 anos”.

O que querem todos os porta-vozes do exposto anteriormente, especialmente àqueles que têm uma opinião mais “elaborada” sobre o caso da revolta da Escola Politécnica, ou seja, as prostitutas jornalísticas “de esquerda”, é evitar qualquer tentativa que poderia ser feita em público de conectar o mito da revolta da Escola Politécnica em 1973, com a sua substância mais profunda: Com a luta antiautoritária. Eles querem impor a versão da revolta da democracia burguesa, da folia estudantil, do Pasok [partido socialista grego], dos deputados, dos esquerdistas, do democrata que já é um menino grande e agora condena todas as formas de violência, menos a estatal, e que vota pelo novo partido apolítico-neoliberal chamado Potami (rio). Read the rest of this entry »

“[…] Quando chegaram a Patission e encontraram-se nos arredores do portão histórico da Politécnica, que havia sido atacada por tanques em 1973, cortaram a avenida sem perguntar o que fazer e, a seguir, cantaram o típico lema “Batsi, gourounya, dolofoni!” – “Policiais, porcos, assassinos”. Ao presenciar esta cena, me senti em êxtase. Compreendi neste momento que o avião da insurreição havia decolado. Era maior do que nós. Não estou dizendo que nos superou, embora muitos de seus participantes pensem assim. Talvez tivessem superado-os porque eles achavam que nunca iriam passar por uma coisa dessas. O que a insurreição conseguiu foi superar as idéias pessimistas, que pensavam que algo assim nunca poderia acontecer”.

Este livro reúne os testemunhos de vários dos protagonistas de Dezembro de 2008, um momento carregado de um profundo fundo social, político e histórico, que se vinculam com a história das lutas dos últimos trinta anos. O livro, cujo título – ‘Policiais, porcos, assassinos’ – é uma canção popular em todas as manifestações gregas; descreve o que aconteceu na Revolta de Dezembro em diferentes partes de Atenas e outras cidades helênicas e a participação dos anarquistas. Tal participação se caracterizou – e se caracteriza – para a prática da revolta social sem mediadores e sem ilusões de fazer mudanças dentro do sistema existente, propondo a auto-organização contra qualquer tipo de organização hierárquica, propondo a contraviolência frente à violência estatal e a solidariedade contra a individualização e as divisões artificiais criadas pelo poder. Read the rest of this entry »

A seguir comunicado da Iniciativa de Alunos do 4º Liceu (dos três últimos cursos do Ensino Médio) do bairro de Zografu, em Atenas, que será distribuído na terça-feira, 6 de dezembro de 2011, três anos após o assassinato pela polícia do adolescente Alexis Grigoropoulos e a rebelião de dezembro de 2008.

Em dezembro de 2008 estourou uma rebelião sem precedentes após o assassinato do nosso companheiro de classe Alexandros Grigoropoulos pela polícia da Democracia grega. As causas que levaram três anos atrás os jovens a saírem às ruas permanecem as mesmas, mas num contexto de crise econômica internacional e grega cada vez pior. Pobreza, desemprego, miséria, repressão estatal, racismo. No entanto, parece que a sociedade está abandonando sua atitude derrotista. Nos últimos três anos, com a intensificação da crise, a sociedade está dando uma resposta. Após uma série de greves gerais, o pico foi o movimento das praças e as duas grandes greves gerais de 48 horas. Sob esta pressão, as máscaras do sistema político burguês caíram, com a formação do governo de “unidade” e a participação neste dos fascistas e banqueiros, para conseguir roubar a nossa renda familiar de forma mais eficaz. Assim, enquanto os ministérios são dados aos nostálgicos de Hitler e de Papadopoulos¹, para nossos pais são enviados impostos, mais uma vez lhes cortam os salários, levando-os a indignação; e a nós nos cortam os sonhos, baixando o nível da Educação, na verdade nos jogando no lixo. Read the rest of this entry »

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