Escravidão assalariada

Texto da iniciativa de trabalhadores no setor do comércio Orthostasía (Trabalhar de Pé) sobre as mobilizações recentes no marco da luta contra os planos da patronal de eliminar o caráter festivo do domingo.

O domingo 23 de julho de 2017 foi o primeiro domingo no qual os empregadores no setor do comércio aplicaram a “legislação beneficiosa” do governo sobre os 32 domingos laborais em umas zonas supostamente turísticas. Não temos ilusões falsas: Os 32 domingos laborais desde maio até outubro criam umas condições infernais para todos os que trabalhamos no setor do comércio: Intensificação asfixiante do trabalho, eliminação do já reduzido tempo livre, extensão excessiva das jornadas laborais, e aumento das horas de trabalho. Já nossos convênios são uns trapos.

Companheiros e companheiras de trabalho, chegou junho e estamos fora das lojas comerciais do centro de Atenas, tratando de bloquear a aplicação da lei. É algo que conseguimos com nossas forças, com nossas lutas. Os sindicatos, as assembleias obreiras e as coletividades que participamos na “Coordenadora de ação contra a eliminação do domingo como dia festivo e contra os horários liberalizados”, com nossas mobilizações contínuas demos umas freada à violência do grupo de empresas multinacional Inditex, e os obrigamos a retroceder, junto com outros patrões que supostamente estão na “vanguarda” (por exemplo, H&M). Demostramos a nós mesmos que tudo é possível, basta tomar o assunto em nossas mãos. Read the rest of this entry »

Nesta postagem tocamos no tema da iminente destruição ecológica da ilha de Samotracia, com a construção de dois parques eólicos compostos por trinta e nove aero-geradores gigantescos. Segue um comunicado relativo de iniciativa de habitantes da ilha “Samotracia contra a construção do parque eólico”.

Alguns dias atrás nos informamos que em Samotracia, em Anemómetra e Luludi (Flor), no cume da segunda mais alta das montanhas da ilha depois de Saos, foram instaladas três e trinta e seis aerogeradores respectivamente. Quer dizer, que nossa ilha se converterá em uma indústria de fontes de energia renováveis.

Os grandes investidores Bóbolas e Kopeluzos, os quais operam como mediadores dos colossos energéticos franceses e alemães que tem dezenas de centrais nucleares nestes países, estão tentando destroçar de maneira irreversível nossa montanha de vegetação arcaica e de beleza única, tirando partido de umas leis aprovadas em 2014 e 2015, adaptadas a suas necessidades.

Para fazê-los entender o tamanho da catástrofe, dizemos que para a instalação dos aerogeradores gigantescos de 90 metros, terão que abrir caminhos de 30 ou 40 metros de largura até os cumes. Uma vez feitos os caminhos, construirão as bases dos trinta e nove aerogeradores. Cada um deles pesará 1,3 toneladas de cimento, ou seja, colocarão 47 toneladas de cimento sobre os cumes das montanhas. Isto significa a morte de todos os bosques das montanhas, que já estão sofridas pelo pastoreio excessivo durante muitos anos. Com os caminhos (pistas) franqueados se pavimentará o caminho para o corte ilegal das árvores dos bosques das montanhas. Read the rest of this entry »

Em 13 de julho de 2017 realizou-se nas ruas do centro de Atenas a marcha que havia sido convocada pela “Coordenadora de ação contra a abolição do domingo como dia festivo e contra os horários ‘liberalizados'”. Esta mobilização aconteceu três dias antes da greve a nível nacional convocada no setor do comércio para o domingo 16 de julho.

A marcha durou duas horas e meia e percorreu uma boa parte do centro de Atenas, passando pelas ruas mais comerciais, informando às pessoas e os trabalhadores nas lojas sobre a greve, oralmente ou com folhetos distribuídos. Terminou na praça do bairro turístico de Monastiraki. Além dos membros da Coordenadora, na marcha participaram membros de sindicatos de base, coletividades e assembleias. Segue o texto que liam por megafone, os membros da iniciativa de trabalhadores no setor do comércio “Orthostasía” em cada parada realizada durante a marcha.

“Colegas,

A nova lei sobre os 32 domingos ao ano de lojas abertas, não concerne só ao setor do comércio. Concerne a todos os trabalhadores, seu objetivo é eliminar nosso tempo livre e nossos direitos. Read the rest of this entry »

Texto da Iniciativa Libertária de Tessalônica, publicado em sua página web, por causa do suicídio de uma trabalhadora na rede de supermercados Karypidis, após quinze meses sem receber seus salários. Faz uns dias a Iniciativa realizou uma ação de protesto fora de um dos supermercados da empresa em Tessalônica. Notamos que esta concentração foi a única reação coletiva realizada após o suicídio-assassinato da trabalhadora.

Não nos acostumaremos à morte. Lutaremos pela vida.

Na terça-feira, 11 de julho de 2017, uma mulher de 42 anos, trabalhadora na rede de supermercados “Karypidis” na cidade de Giannitsá, pôs fim a sua vida. A trabalhadora estava a 15 meses sem receber seus salários. O trabalho sem receber durante muito tempo e o estado de indigência no qual se encontrava por causa disso, a conduziram ao suicídio.

A empresa “Karypidis” tem uma longa tradição em fraudes, arbitrariedade e exploração dos trabalhadores. Para começar, em 2004 os irmãos Karypidis compraram a rede de supermercados “Arvanitidis” que corria o perigo de fechar por causa de suas enormes dívidas ao Fundo de Seguridade Social dos Trabalhadores. Uma vez completada a transação da rede, a dívida dos donos anteriores ao Fundo, que chegavam aos 18.250.000 de euros, foram “presenteadas” ao devedor, com a intervenção direta do ex-secretário do Fundo de Seguridade Social, R. Spyrópulos. Queremos assinalar que Spyrópulos foi absolvido por um tribunal desta “iniciativa”. Com a assinatura do contrato de franquia entre Karypidis e Carrefour-Marinopoulos (caducou em fevereiro de 2016), Karypidis entrou forte no mercado sob o nome de “Carrefour-Marinopoulos”, com o fim de recuperar a confiança perdida ante seus provedores quando a rede de supermercados funcionava com o nome “Karypidis”. Read the rest of this entry »

Informação sobre as mobilizações recentes em Tessalônica contra a abolição do domingo como dia festivoInformação sobre as mobilizações recentes em Tessalônica contra a abolição do domingo como dia festivoInformação sobre as mobilizações recentes em Tessalônica contra a abolição do domingo como dia festivoInformação sobre as mobilizações recentes em Tessalônica contra a abolição do domingo como dia festivo
Em Tessalônica no domingo 16 de julho de 2017, no marco da greve convocada no setor do comércio a nível nacional, a “Coordenadora de ação contra a abolição do domingo como dia festivo e contra os horários ‘liberalizados'” procedeu a piquetes e bloqueios de lojas na avenida mais comercial do centro da cidade. A mobilização começou um pouco antes das 11h e terminou por volta das 14h. Muitas lojas não abriram durante a realização dos bloqueios. Entre elas várias lojas de marca, como Zara, Benetton, H&M, Marks & Spencer, Massimo Dutti, Stradivarious, etc.

Os trabalhadores nas lojas do centro reagiram positivamente à mobilização, no entanto, muito poucos foram os que participaram nela. Não faltaram os casos de “consumidores indignados”, ou seja de consumistas lobotomizados, aos quais fizemos várias referências em postagens anteriores. Vale a pena mencionar que em 16 de julho pela primeira vez se realizaram mobilizações semelhantes em várias cidades provincianas.

A União de Trabalhadores no Setor do Comércio de Tessalônica se viu obrigada a participar nas mobilizações, realizando bloqueios em várias lojas comerciais e grandes armazéns (Public, Notos, H/M, Attica). Evidentemente, este sindicato vertical (assim como a fração sindical do autodenominado Partido “Comunista”) nem propõe a organização horizontal e desde baixo, nem tem a intenção de levar alguma luta combativa contra os interesses dos patrões, pequenos e grandes. Read the rest of this entry »

Neste post publicamos um texto da Assembleia de anarquistas pela emancipação social e de classe sobre as contínuas tentativas das elites econômicas e sociais de eliminar o caráter festivo do domingo.

Nenhum domingo com lojas abertas. Contra-ataque social e de classe contra o Estado e o Capital

No marco da reestruturação capitalista a ofensiva do Estado e do Capital está se intensificando. Os gestores políticos continuam a ofensiva contra a sociedade sem parar, demonstrando a continuidade do Estado, não apenas apoiando e materializando as medidas no marco dos memorandos impostos por seus predecessores, mas impondo um quarto memorando e intensificando a indigência e o empobrecimento dos explorados e dos oprimidos, rebaixando constantemente os salários e as pensões, impondo a precariedade, o desemprego e a privatização da riqueza pública e dos recursos naturais.

Depois de várias tentativas de legislar a abolição do domingo como dia festivo, ou seja abolindo um direito trabalhista conquistado com duras lutas, recentemente foi votada a lei que prevê a abertura das lojas todos os domingos desde maio até outubro, ou seja 32 domingos ao ano. A abertura das lojas aos domingos vem a legalizar-se em nome do cobiçado desenvolvimento, do aquecimento da economia nacional e da criação de novos postos de trabalho, no entanto, não é nada mais que a continuação do agravamento das condições de exploração. Vem se somar à mudança violenta das condições de trabalho nas quais se inclui o trabalho remunerado, os horários de trabalho flexíveis, os contratos de trabalho individuais, a reciclagem dos desempregados através dos denominados programas de trabalho de interesse social, o trabalho sem seguro social, etc. Esta mudança conduz à continuação da desvalorização da força laboral, sempre beneficiando o Capital. Está integrada na tentativa de impor (consolidar) um modelo laboral mais flexível, no qual os trabalhadores terão que estar constantemente dispostos, segundo as necessidades dos patrões. No mesmo marco estão integradas as chamadas “Noites Brancas”, com os dependentes sendo obrigados a trabalhar até uma ou duas da madrugada. Read the rest of this entry »

Texto da assembleia de trabalhadores e trabalhadoras no setor do comércio “Ortostatismo” (a ação de estar de pé), publicado em sua página web em razão das mobilizações recentes contra as tentativas da abolição do domingo como dia festivo, e da celebração das festas consumistas e antiobreiras chamadas “Noites Brancas”, com as quais se tenta abolir a jornada e os direitos laborais dos escravos assalariados neste setor.

Em 4, 11 e 18 de junho, a Coordenadora de ação contra a abolição do domingo como dia festivo e contra os horários liberalizados, vários sindicatos, assembleias, coletividades e companheiros e companheiras que apoiam suas ações, conseguiram bloquear na prática os planos da patronal e dos grupos multinacionais. Se em 4 de junho foi preciso realizar piquetes (bloqueios) combativos no centro de Atenas para impedir que os diretores e os executivos da Inditex abrissem as lojas desta empresa, em 11 e 18 de junho o anúncio de nossas mobilizações dominicais, e nossas intervenções nos locais de trabalho obrigaram a patronal a retroceder, anunciando no último momento a nossos companheiros e companheiras de trabalho que as lojas iriam permanecer fechadas.

Durante todo este período nas lojas do grupo Inditex no centro de Atenas, nossos companheiros de trabalho experimentam uma chantagem, já que a patronal anuncia de repente e no último momento que se abrirá as lojas no domingo, mantendo nossos companheiros de trabalho em um estado de cativeiro. Read the rest of this entry »

Informação sobre a concentração de 24 de junho em Ilion contra as chamadas "Noites Brancas"Informação sobre a concentração de 24 de junho em Ilion contra as chamadas "Noites Brancas"Informação sobre a concentração de 24 de junho em Ilion contra as chamadas "Noites Brancas"Informação sobre a concentração de 24 de junho em Ilion contra as chamadas "Noites Brancas"
No sábado, 24 junho de 2017, no bairro de Ilion, subúrbio de Atenas, foi realizada uma concentração contra a “festa” modorrenta, consumista e anti-obreira chamada “Noite Branca”. Aproximadamente 200 pessoas participaram na concentração realizada na praça principal do bairro. Em frente a elas se alinharam uns 15 funcionários da Prefeitura, esbirros de seus amos e fura-greves, assim como policiais de todos os tipos, uniformizados e à paisana. Os fura-greves-trabalhadores no setor de limpeza do bairro ficaram ao lado dos policiais, para vigiar, junto com eles, os manifestantes, e para garantir o funcionamento das lojas até tarde da noite, e, no geral, para a realização regular da “Noite Branca”.

Os manifestantes começaram os bloqueios das lojas às 18h30. No início, foram bloqueadas 6 lojas por aproximadamente 100 pessoas, e duas horas depois cerca de 200 manifestantes bloquearam o acesso a 10 lojas. Em uma das três ruas de pedestres do centro do bairro, nenhuma loja foi aberta. Outras lojas localizadas em diferentes ruas do centro não abriram, pois seus proprietários decidiram evitar os protestos. Nas fachadas dessas lojas seus proprietários tinham colado avisos anunciando o fechamento. Outros empresários abriram seus negócios, ou trataram de abri-los depois das 20h.

Os bloqueios continuaram até às 22h. Durante a ação, que durou aproximadamente quatro horas, milhares de folhetos foram distribuídos, e travadas conversas com centenas de transeuntes e de trabalhadores nas lojas. Às vezes, alguns donos de lojas tentaram provocar os manifestantes, mas sem sucesso. Nenhuma loja bloqueada foi aberta, apesar das tentativas de seus proprietários. Igualmente provocativa foi a atitude dos lacaios do prefeito, que foram repelidos pelos manifestantes e expulsos dos lugares onde aconteciam os bloqueios de lojas. Read the rest of this entry »

Ilion, Atenas: Ações contra as "Noites Brancas"Ilion, Atenas: Ações contra as "Noites Brancas"Ilion, Atenas: Ações contra as "Noites Brancas"Ilion, Atenas: Ações contra as "Noites Brancas"
Nas últimas semanas se intensificaram as ações contra as chamadas “Noites Brancas” no bairro de Ilion (fora de Atenas). Neste bairro, em 24 de junho de 2017, as autoridades municipais e o Capital local vão tentar celebrar a festa comercial, consumista e anti-obreira chamada “Noite Branca”.

Em 2 de junho de 2017, a coletividade de trabalhadores no setor do comércio “Orthostasia” distribuiu panfletos contra as chamadas “Noites Brancas”. Em 12 de junho foram pichados lemas nas ruas do bairro de Ilion. Já no sábado, 17 de junho de 2017, nas ruas mais comerciais do mesmo bairro foi realizada uma ação contra as chamadas “Noites Brancas”, em que participaram membros de okupas e coletividades dos bairros ocidentais de Atenas, membros da Coordenação de ação contra a abolição do domingo como dia festivo, e vários ativistas contra as denominadas “Noites Brancas”.

A ação aconteceu na praça principal e nas principais ruas comerciais do bairro, que serão palco, no dia 24 de junho de 2017, da festa comercial e anti-obreira chamada “Noite Branca”. Durante duas horas foram coladas faixas, distribuídos folhetos, pichações de lemas e travadas conversas com trabalhadores nas lojas do bairro. Vale ressaltar que durante a ação o pavilhão montado pela prefeitura de Ilion para divulgar a “Noite Branca” foi inutilizado. Foram jogados no lixo as faixas e todo o material impresso encontrado no interior do pavilhão, enquanto do lado de fora foram pichados lemas. Esta ação irritou as autoridades locais e os patrões, pequenos e grandes, donos de lojas no bairro. Em um tempo recorde as equipes de serviços técnicos da prefeitura removeram os cartazes colados durante a ação. Read the rest of this entry »

Texto publicado na página web classwardogz.files.wordpress.com.

Marina não quer trabalhar nos domingos. Prefere descansar (o que possa) ou dar algum passeio com o pequeno. De qualquer forma, é impossível trabalhar sete dias na semana. Tampouco o patrão de Marina quer “trabalhar” (no domingo). Ou antes, não quer abrir seu negócio no domingo. Não quer que nenhum negócio abra no domingo. É que sabe que sairá perdendo, se competir com as lojas de departamentos.

Durante as últimas semanas Marina está farta de ouvir que “todos juntos temos que lutar contra os grandes negócios e contra o governo que os apoia”. E que em última instância todos temos o mesmo objetivo e os mesmos interesses. E depois das palavras doces, vem a ameaça: “Se não abro o negócio nos domingos, vou perder dinheiro e me verei forçado a cortar os salários”.

Um dia Marina não se pode conter mais: “Trabalho de dez a doze horas diárias e me pagas por seis. Me deves os salários dos três últimos meses e me pagas quando te dá vontade, como se o salário fosse uma gorjeta. Não me pagas as horas extras, me obrigas a trabalhar quando tenho dia livre, não pagas minha seguridade social. De que interesses comuns me estás falando?” Read the rest of this entry »

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