Escravidão assalariada

O texto publicado neste post é uma denúncia de uma trabalhadora da ONG Praksis sobre o papel da empresa na questão do alojamento dos refugiados. O texto foi publicado no site da Organização de Antifascismo Combativo.

Nos últimos anos, estou trabalhando como cientista social no programa de Recolocação da ONG Praksis, que, como é bem conhecido, recebeu muito dinheiro do Alto Comissariado das Nações Unidas para dar asilo aos refugiados a serem transferidos para outros países da União Europeia.

Contudo, apesar deste generoso financiamento, a situação é a seguinte: Os refugiados são empilhados como ratos em casas cujas paredes são pretas da umidade, em algumas sequer têm camas, mas colchões no chão, e em nenhuma delas há aquecimento, embora o Alto Comissariado das Nações Unidas repasse dinheiro para ela. Especificamente, das 1.200 casas alugadas pela Praksis, apenas 200 têm aquecedores, que, no entanto, quebraram na primeira semana do seu funcionamento. Note-se que este programa diz respeito às pessoas com doenças graves, para crianças recém-nascidas e idosos que não têm nenhum aquecimento em períodos de temperaturas muito baixas, com tudo o que isso implica. O mais irritante é que os refugiados são obrigados a comprar cobertores usando os cupons de 45 euros por pessoa, que são fornecidos somente para alimentos. O resultado desta situação é que eles estão severamente em desacordo com os cientistas sociais responsáveis ​​pelos apartamentos em que vivem. Estes cientistas agem como policiais, verificando os recibos de supermercados que trazem os refugiados. Além disso, também verificam se causaram algum dano às casas onde os refugiados vivem, ameaçando-os pagar por qualquer prejuízo e que vão jogá-los na rua, se não forem obedientes. Não é por acaso que os refugiados têm denunciado ao Alto Comissariado muitos casos de comportamentos racistas por parte dos trabalhadores de dita ONG. Os refugiados são chamados de desagradáveis, de perigosos, de maus pais, e muitas vezes são chamados de “animais”. Read the rest of this entry »

Em 2 de fevereiro de 2017 o grupo “Contra-ataque de Classe (grupo de anarquistas e comunistas)” realizou uma ação no Organismo de Emprego do bairro ateniense de Peristeri, contra a nova normativa sobre os desempregados. Segue o texto que se distribuiu durante a concentração de protesto. Cremos que é interessante a parte do texto na qual se faz referência a algumas das cláusulas da nova normativa.

Qual luta contra o desemprego? Sua guerra contra os desempregados vai se intensificando…

Na conjuntura atual do saque de classe e social, e aguardando a aprovação de mais um pacote de medidas antitrabalhadores e antipopulares coordenadas pelos credores imperialistas como requisito para o encerramento da segunda avaliação, com a nova normativa do Organismo de Emprego, votada já pela maioria dos membros de sua junta diretiva e apresentada no ministério de Emprego, a coalizão governamental está intensificando a guerra contra aqueles estratos da classe trabalhadora que experimentam da maneira mais cruel as consequências da crise capitalista e destes sete anos de memorandos.

No contexto da submissão à União Europeia e suas diretivas, com dita normativa, cujo título ilustrativo é “Determinação de medidas de controle do desemprego, dos direitos e as obrigações dos desempregados, assim como das sanções impostas em caso de não cumprir com as obrigações”, se pretende institucionalizar o fichamento mediante a imposição de sanções, a distinção entre desempregados “respeitosos da lei” e não “respeitosos da lei”, a consolidação da opinião errônea de que o responsável do desemprego (o qual segundo os dados oficiais afeta a um de cada quatro trabalhadores e a um de cada dois novos trabalhadores) não é o mesmo sistema capitalista que diacronicamente o enge ndra e nutre, senão os mesmos desempregados e as mesmas desempregadas. Read the rest of this entry »

Segue o curto texto informativo da União Sindical Libertária de Ioannina sobre um protesto realizado fora da hamburgueria na cidade de Ioannina, pelo fato dos empregadores não terem pago os salários dos trabalhadores quando de suas demissões. Também segue o comunicado emitido pela União sobre o mesmo assunto.

Em 4 de fevereiro de 2017 foi bloqueado por solidários e solidárias e pela União Sindical Libertária de Ioannina, a hamburgueria Fat Angus, situada na esquina das ruas Averof e Anexartisias, no centro do mercado de Ioannina. A patronal desse negócio se nega a pagar a dois trabalhadores seus salários (desde o verão passado), o pagamento extraordinário da Páscoa e as férias do verão de 2016. A cada um deles deve 550 euros. O bloqueio durou uma hora, durante o qual se distribuíram folhetos e se gritaram lemas incessantemente. Pode ser que o caso tenha tomado a via judicial, por outro lado, os trabalhadores e trabalhadoras sabem muito bem que as lutas, as reivindicações e a dignidade se conquistam, sobretudo, nas ruas. Não esquecemos e não nos tranquilizamos. O sindicalismo sem hierarquia é o pesadelo dos patrões e do Estado.

Nenhuma paz com a patronal. A solidariedade sairá vitoriosa.

Segue o texto distribuído durante o bloqueio: Read the rest of this entry »

Atenas: Manifestação contra o salário "submínimo"Atenas: Manifestação contra o salário "submínimo"Atenas: Manifestação contra o salário "submínimo"Atenas: Manifestação contra o salário "submínimo"Atenas: Manifestação contra o salário "submínimo"
Texto informativo de vários coletivos estudantis sobre uma manifestação contra o salário “submínimo”, realizada em 17 de dezembro no centro de Atenas.

Após uma iniciativa de grupos estudantis autônomos da Escola Politécnica de Atenas, e de grupos libertários de Atenas, no sábado 17 de dezembro de 2016 ao meio-dia se realizou uma manifestação contra o salário “submínimo” e em geral contra a desvalorização de nosso trabalho. Ao chamado (da iniciativa) responderam a Associação de cozinheiros, a Assembleia aberta popular de Peristeri, a Assembleia de resistência e solidariedade de Kipseli-Patission, a Assembleia de trabalhadores e desempregados da praça Sintagma, a Iniciativa anarcossindicalista Rocinante, a União Sindical Libertária, a Assembleia de anarquistas pela emancipação social e de classe, assim como companheiros de associações e grupos de trabalhadores, assembleias e okupas de bairros, e coletividades políticas.

Mais de 150 estudantes, colegas e companheiros nos marchamos em várias ruas centrais do centro comercial e turístico de Atenas, acabando, ainda que fora temporariamente, com o ambiente “festivo”, com o qual o Estado, os prefeitos e os patrões tratam de ocultar os salários de fome, o trabalho sem segurança social, as horas extras não pagas, o trabalho no domingo, e a intensificação do trabalho excessivo que prevalece neste período. Read the rest of this entry »

Texto da Assembleia de anarquistas e antiautoritários/as de Lâmia sobre as denominadas “Noites Brancas”. O texto foi distribuído em uma ação realizada faz uns dias no centro da cidade.

Que vão os ministros, os prefeitos e todos os patrões a trabalhar no domingo e pelas noites.

Em 13 de outubro de 2016, após uma convocatória da junta diretora da Associação de Comerciantes de Lâmia, se realizou um conselho, no qual um dos temas principais debatidos foi a organização de uma “Noite Branca” na cidade. No conselho anteriormente mencionado muitos donos de lojas exigiram de maneira insistente “que se celebra-se por fim em Lâmia” uma “Noite Branca”, onde a junta diretora tomou a relativa decisão, sendo seu argumento principal a “melhora e a tonificação da psicologia dos consumidores”. Claro, não nos surpreendeu que não lhes interessasse o mínimo os empregados das lojas, os quais vão dar uma surra por causa da festa. Assim, pois, ao mesmo tempo que os donos dos grandes negócios comerciais montam festinhas para “tonificar” a economia e o mercado local destroçados, seus empregados, assim como todos os que estão trabalhando nesta época, sentem em seu corpo a violação constante de seus direitos e de sua dignidade. Os salários de fome, o trabalho não remunerado durante muitos meses, os horários comerciais flexíveis, os convênios individuais, as horas extras não pagas, e já o trabalho no domingo, não são nada mais que o terrorismo patronal moderno. É um terrorismo, o qual já considera normal obrigar diretamente aos trabalhadores a trabalhar até a meia-noite, até às 12 da noite! De fato, é esta condição miserável para os trabalhadores a campanha de publicidade, com o fim de chamar o “público consumidor” a participar neste evento e a aumentar os lucros dos comerciantes locais. Read the rest of this entry »

Reproduzimos o texto da Assembleia de anarquistas e antiautoritários/as de Lâmia sobre uma ação realizada em 2 de dezembro de 2016 na cidade contra as chamadas “Noites Brancas”.

Na sexta-feira 2 de dezembro de 2016 se realizou pela primeira vez em Lâmia uma “Noite Branca”, após uma decisão tomada pela Associação de Comerciantes da cidade. O evento foi apoiado pela prefeitura de Lâmia. Como assembleia cremos que as “Noites Brancas” não são nada mais que mais um golpe da patronal ao mundo do trabalho, o qual, de todas as formas, está indigente. Por muito que alguns tratem de ocultar sua motivação real com respeito aos objetivos de dita festa celebrada na cidade, falando por exemplo de reforço da economia local destroçada, nós insistiremos e seguiremos recordando que os trabalhadores, as trabalhadoras e seus direitos laborais estão sempre no ponto de mira de tais medidas.

Assim que uns membros da assembleia nos concentramos por volta das 20h30 na praça principal da cidade, onde no início abrimos algumas faixas, e durante as próximas duas horas se distribuíram textos da assembleia e volantes por todo o centro da cidade. Durante a ação (intervenção) o centro estava cheio de gente, se celebrava um concerto organizado pela prefeitura, e os donos das lojas haviam montado alto falantes tocando música em dezenas de lugares. Apesar da grande afluência de gente ao centro durante a “Noite Branca”, temos a sensação de que poucos foram os que chegaram a comprar nas lojas. Conscientemente fomos a única exceção dentro de uma festa consumista, e nossas impressões são algo mais que positivas, posto que em muitas ocasiões houve muita gente que estava de acordo com nosso discurso político. Read the rest of this entry »

Continua a "história de êxito" gregaPublicamos aqui uns dados sobre o emprego, o desemprego, os salários e as pensões, publicados na conta de Jo Di no Twitter. Como explicamos em outras postagens, as cifras não dizem toda a verdade, no entanto, são indicativas da “história de êxito” (success story) grega da qual nos falam todos os gestores do Poder, nos provocando. Assinalamos que as cifras são do Instituto Nacional de Estatística, ou seja, que as cifras reais são piores que estas.

Continua a “história de êxito” grega

Desempregados: 1.196.736. Os 90% destes não recebem o subsídio por desemprego do Instituto Nacional de Emprego. 350.000 famílias não tem nenhum membro que trabalhe. Os 73% dos desempregados são desempregados de longa duração. Segundo o Instituto de Emprego da Confederação Geral de Trabalhadores da Grécia, a taxa de desemprego é de 31%.

Aposentados: 2.656.707. Os 60% dos aposentados recebem uma pensão inferior a 700 euros. Os 65% dos aposentados recebem uma pensão inferior a linha de pobreza relativa (665 euros). Os cortes das pensões chegaram a 50% e continuarão… 650.000 pessoas abandonaram o país.

Empregados: 3.591.407. O salário médio é de 810 euros. O salário recebido por 15% dos empregados (500.000 pessoas) é de 346 euros. 1.000.000 de trabalhadores no setor privado estão de um a cinco meses sem receber. Os 70% dos novos postos de trabalho são postos de trabalho temporários. Read the rest of this entry »

O texto a seguir foi publicado no site da Associação Sindical de Trabalhadores em Papelarias, Livrarias, Editoras e Meios Digitais de Ática, sob o título “Notas adicionais sobre o comunicado da nossa associação sobre a Black Friday”. A parte I pode ser lida aqui.

1. Ao registrar as facetas da ofensiva que estamos recebendo, não nos referimos às “Noites Brancas”, que, de acordo com a área geográfica e a conjuntura temporária aparecem como “Noites Vermelhas” ou “Noites de Amor”. Esta é uma outra instituição vil, batizada de “festa”, em que os patrões tentam estender o horário comercial e montar mais um circo consumista para os clientes totalmente degenerados e dependentes. É outro evento, que de longa data nos opomos na prática, e que estamos determinados a bloquear completamente, seja ele realizado ilegalmente, por exemplo, em alguns bairros de Atenas, ou sob um “manto de legalidade”.

2. Quanto a isso, observamos que, com base na imagem que temos, pelo menos para a temporada deste ano não acreditamos que será tentado uma extensão dos horários comerciais, fora dos marcos “legais”. No entanto, estamos em alerta, para agir de qualquer forma, a nível de movimento e no plano jurídico, para bloquear qualquer pretensão semelhante. Em qualquer caso, como ocorre nos Estados Unidos e em outros países, acreditamos que muito em breve a “Black Friday” (Sexta-feira Negra) significará trabalhar até a meia-noite. Read the rest of this entry »

Neste post publicamos a primeira parte de um texto da Associação sindical de trabalhadores em papelarias, livrarias, editoras e meios digitais de Ática, sobre a chamada “Black Friday”, apesar de que cremos que para analisar e opor-se a esta barbárie consumista anti-trabalhadores não é suficiente focar só nos perigos que existem para os trabalhadores, do congestionamento dentro das lojas e da conduta agressiva dos consumidores para com eles. Nos próximos dias publicaremos a segunda parte.

Com orgulho excessivo a cadeia de grandes armazéns Public informou ao público consumidor, através de uma campanha publicitária, que o 25 de novembro de 2016 traria pela primeira vez à Grécia a “Black Friday” (Sexta-feira Negra). Trata-se de uma instituição procedente da América, com umas “ofertas únicas por umas poucas horas”. A notícia foi difundida por vários meios informativos, eletrônicos ou não, como uma iniciativa pioneira.

No entanto, parece que ninguém buscou um pouco mais o quê significa realmente esta tal “Black Friday”, tanto com respeito aos hábitos consumistas que introduz, como com respeito à surra que constitui para os trabalhadores nas lojas comerciais. Tampouco alguém fez alguma referência às condições caóticas que acontecem dentro das lojas (na Internet há uma infinidade de vídeos relativos), ou às mortes e as lesões que acontecem e estão associados a ela (7 e 98 respectivamente nos Estados Unidos. Ver blackfridaydeathcount.com). Os consumidores, que podem ficar horas inteiras esperando fora das lojas para aproveitar as ofertas, acabam pisoteados e esmagados, literalmente entre eles. E desde logo sua obsessão arrasta os trabalhadores, que além dos horários comerciais estendidos e o trabalho intensificado que lhes impõem durante a “Black Friday”, tem que atender ou confrontar-se com os consumidores raivosos. Também tem que confrontar as agressões dos consumidores, que arrasam tudo na sua passagem, ao passar pelos corredores buscando ofertas. De fato, em 2008 um trabalhador de 34 anos do Walmart perdeu sua vida ao ser literalmente pisoteado por uns 200 consumidores. Read the rest of this entry »

Informações sobre as manifestações de 6 de novembro contra a abolição do domingo como dia festivoInformações sobre as manifestações de 6 de novembro contra a abolição do domingo como dia festivoInformações sobre as manifestações de 6 de novembro contra a abolição do domingo como dia festivoInformações sobre as manifestações de 6 de novembro contra a abolição do domingo como dia festivoInformações sobre as manifestações de 6 de novembro contra a abolição do domingo como dia festivo
No domingo, 6 de novembro de 2016, vários sindicatos de base convocaram uma greve no setor do comércio, contra a política do governo (bem como dos governos anteriores) e de seus mestres econômicos para abolir o domingo como dia festivo, legislando a abertura das lojas alguns domingos por ano, a fim de generalizá-la durante todo o ano. A seguir, informações das manifestações realizadas em várias cidades contra a abolição do domingo como dia festivo.

Atenas

A Coordenação de ação contra a abolição do domingo como dia festivo e contra os horários comerciais “liberalizados”, realizou bloqueios em quinze estabelecimentos da rua de pedestres mais comercial do centro de Atenas (Ermú). Dois deles (Plaisio e Wind) permaneceram fechados durante todo o dia e outros foram bloqueados até às 13h. Durante a semana anterior à mobilização, foram distribuídos panfletos e colados cartazes na mesma rua comercial.

No dia 5 de novembro, no bairro de Ilion (fora de Atenas), aconteceu uma ação contra a abolição do domingo como dia festivo, a “liberalização dos horários comerciais”, as chamadas “noites brancas” e tudo o que conduz à submissão e ao totalitarismo. Read the rest of this entry »

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