Escravidão assalariada

Re-editamos o comunicado da União Sindical Libertária de Atenas sobre a luta dos trabalhadores do jornal AGR-Clarín (Argentina).

A União Sindical Libertária de Atenas saúda a luta dos trabalhadores da gráfica do jornal AGR-Clarín da Argentina, que está há muito tempo lutando (com ocupação de seu local de trabalho), pedindo a revogação das despedidas ocorridas.

Denunciamos a estratégia reacionária da patronal que imprime a revista dominical no Chile para esmagar a luta obreira. A comissão interna dos trabalhadores da AGR-Clarín enviou uma carta para as centrais sindicais do Chile e aos sindicatos dos gráficos e caminhoneiros deste país pedindo solidariedade e que não imprimam ou transportem nada para este jornal.

A luta dos trabalhadores gráficos do Clarín é parte da luta geral de todo o movimento trabalhador argentino contra as medida de ajuste econômico do governo Macri e dos ataques do empresariado argentino aos direitos dos trabalhadores. O próprio governo Macri ataca as conquistas obreiras e pretende retirar direitos e liberdades conquistadas com lutas. Uma amostra a mais da agressividade do governo está na intenção de oprimir e dissolver o hotel autogerido Bauen, de Buenos Aires. Read the rest of this entry »

Segue um breve texto informativo da União Sindical Libertária de Emacia (norte da Grécia) sobre uma concentração realizada faz uns dias do lado de fora da cafeteria Mikel em Berea, assim como o texto do folheto que se distribuiu durante a concentração.

Na quinta-feira 23 de março de 2017 realizamos uma intervenção do lado de fora da cafeteria Mikel no centro de Berea, por causa da morte do jovem de 22 anos que trabalhava nesta empresa. A morte aconteceu faz umas duas semanas enquanto o trabalhador estava trabalhando. Foram jogados folhetos, e distribuíram centenas de folhetos a clientes e transeuntes, e claro aos trabalhadores e as trabalhadoras que naquele momento se encontravam na cafeteria.

Segue o texto que se distribuiu:

Contra o terrorismo dos patrões. A fazer de novo o sindicalismo perigoso para os patrões

Uma vez mais as condições laborais miseráveis que prevalecem em todos os lugares de trabalho, e concretamente no setor dos entregadores, conduziram à morte do entregador de 22 anos que trabalhava na loja da cadeia de cafeterias Mikel, localizada no bairro de Colono, Atenas. O entregador foi lesionado gravemente enquanto estava trabalhando na quinta-feira 2 de março, e depois de estar muitos dias hospitalizado faleceu em 10 de março. Read the rest of this entry »

Nesta postagem publicamos o comunicado da Associação de camareiros, cozinheiros e outros trabalhadores no setor de alimentação na Macedônia Central, relativo à recente morte de um trabalhador na rede de cafés Mikel, durante o trabalho. A primeira concentração em Tessalônica realizou-se no sábado 18 de março em frente da Mikel, no centro da cidade. Este mesmo dia o grupo anarquista de Patras também realizou uma intervenção numa cafeteria desta rede no centro de Patras, durante uma manifestação contra as fronteiras, a guerra e o totalitarismo moderno. A segunda realizou-se na sexta-feira, 24 de março, em Tessalônica, no mesmo local.

Em Mikel (e não apenas em Mikel) os patrões assassinam os trabalhadores. Não são acidentes, não tenhamos falsas ilusões

Na quinta-feira, 2 de março, ocorreu um “acidente” de trabalho em que se acrescentou apenas mais um morto à lista de obreiros falecidos. Um entregador da bem conhecida rede de cafés Mikel foi gravemente ferido enquanto estava trabalhando, e faleceu após estar quase uma semana hospitalizado. Apesar dos esforços para encobrir os verdadeiros motivos dos “acidentes”, nós defendemos que se trata de mais um assassinato.

Sim, trata-se de um assassinato. Ao mesmo tempo que a “crise” está se intensificando, como nos estão informando, também se intensifica a desvalorização e a exploração das nossas vidas. Somos obrigados, portanto, a sobreviver num setor totalmente fragmentado, o da alimentação, na qual as condições de trabalho estão regidas por temporalidade, precariedade, intensificação, agressões sexistas (etc.) e, por vezes acabam com as nossas vidas. Read the rest of this entry »

O texto publicado neste post é uma denúncia de uma trabalhadora da ONG Praksis sobre o papel da empresa na questão do alojamento dos refugiados. O texto foi publicado no site da Organização de Antifascismo Combativo.

Nos últimos anos, estou trabalhando como cientista social no programa de Recolocação da ONG Praksis, que, como é bem conhecido, recebeu muito dinheiro do Alto Comissariado das Nações Unidas para dar asilo aos refugiados a serem transferidos para outros países da União Europeia.

Contudo, apesar deste generoso financiamento, a situação é a seguinte: Os refugiados são empilhados como ratos em casas cujas paredes são pretas da umidade, em algumas sequer têm camas, mas colchões no chão, e em nenhuma delas há aquecimento, embora o Alto Comissariado das Nações Unidas repasse dinheiro para ela. Especificamente, das 1.200 casas alugadas pela Praksis, apenas 200 têm aquecedores, que, no entanto, quebraram na primeira semana do seu funcionamento. Note-se que este programa diz respeito às pessoas com doenças graves, para crianças recém-nascidas e idosos que não têm nenhum aquecimento em períodos de temperaturas muito baixas, com tudo o que isso implica. O mais irritante é que os refugiados são obrigados a comprar cobertores usando os cupons de 45 euros por pessoa, que são fornecidos somente para alimentos. O resultado desta situação é que eles estão severamente em desacordo com os cientistas sociais responsáveis ​​pelos apartamentos em que vivem. Estes cientistas agem como policiais, verificando os recibos de supermercados que trazem os refugiados. Além disso, também verificam se causaram algum dano às casas onde os refugiados vivem, ameaçando-os pagar por qualquer prejuízo e que vão jogá-los na rua, se não forem obedientes. Não é por acaso que os refugiados têm denunciado ao Alto Comissariado muitos casos de comportamentos racistas por parte dos trabalhadores de dita ONG. Os refugiados são chamados de desagradáveis, de perigosos, de maus pais, e muitas vezes são chamados de “animais”. Read the rest of this entry »

Em 2 de fevereiro de 2017 o grupo “Contra-ataque de Classe (grupo de anarquistas e comunistas)” realizou uma ação no Organismo de Emprego do bairro ateniense de Peristeri, contra a nova normativa sobre os desempregados. Segue o texto que se distribuiu durante a concentração de protesto. Cremos que é interessante a parte do texto na qual se faz referência a algumas das cláusulas da nova normativa.

Qual luta contra o desemprego? Sua guerra contra os desempregados vai se intensificando…

Na conjuntura atual do saque de classe e social, e aguardando a aprovação de mais um pacote de medidas antitrabalhadores e antipopulares coordenadas pelos credores imperialistas como requisito para o encerramento da segunda avaliação, com a nova normativa do Organismo de Emprego, votada já pela maioria dos membros de sua junta diretiva e apresentada no ministério de Emprego, a coalizão governamental está intensificando a guerra contra aqueles estratos da classe trabalhadora que experimentam da maneira mais cruel as consequências da crise capitalista e destes sete anos de memorandos.

No contexto da submissão à União Europeia e suas diretivas, com dita normativa, cujo título ilustrativo é “Determinação de medidas de controle do desemprego, dos direitos e as obrigações dos desempregados, assim como das sanções impostas em caso de não cumprir com as obrigações”, se pretende institucionalizar o fichamento mediante a imposição de sanções, a distinção entre desempregados “respeitosos da lei” e não “respeitosos da lei”, a consolidação da opinião errônea de que o responsável do desemprego (o qual segundo os dados oficiais afeta a um de cada quatro trabalhadores e a um de cada dois novos trabalhadores) não é o mesmo sistema capitalista que diacronicamente o enge ndra e nutre, senão os mesmos desempregados e as mesmas desempregadas. Read the rest of this entry »

Segue o curto texto informativo da União Sindical Libertária de Ioannina sobre um protesto realizado fora da hamburgueria na cidade de Ioannina, pelo fato dos empregadores não terem pago os salários dos trabalhadores quando de suas demissões. Também segue o comunicado emitido pela União sobre o mesmo assunto.

Em 4 de fevereiro de 2017 foi bloqueado por solidários e solidárias e pela União Sindical Libertária de Ioannina, a hamburgueria Fat Angus, situada na esquina das ruas Averof e Anexartisias, no centro do mercado de Ioannina. A patronal desse negócio se nega a pagar a dois trabalhadores seus salários (desde o verão passado), o pagamento extraordinário da Páscoa e as férias do verão de 2016. A cada um deles deve 550 euros. O bloqueio durou uma hora, durante o qual se distribuíram folhetos e se gritaram lemas incessantemente. Pode ser que o caso tenha tomado a via judicial, por outro lado, os trabalhadores e trabalhadoras sabem muito bem que as lutas, as reivindicações e a dignidade se conquistam, sobretudo, nas ruas. Não esquecemos e não nos tranquilizamos. O sindicalismo sem hierarquia é o pesadelo dos patrões e do Estado.

Nenhuma paz com a patronal. A solidariedade sairá vitoriosa.

Segue o texto distribuído durante o bloqueio: Read the rest of this entry »

Atenas: Manifestação contra o salário "submínimo"Atenas: Manifestação contra o salário "submínimo"Atenas: Manifestação contra o salário "submínimo"Atenas: Manifestação contra o salário "submínimo"Atenas: Manifestação contra o salário "submínimo"
Texto informativo de vários coletivos estudantis sobre uma manifestação contra o salário “submínimo”, realizada em 17 de dezembro no centro de Atenas.

Após uma iniciativa de grupos estudantis autônomos da Escola Politécnica de Atenas, e de grupos libertários de Atenas, no sábado 17 de dezembro de 2016 ao meio-dia se realizou uma manifestação contra o salário “submínimo” e em geral contra a desvalorização de nosso trabalho. Ao chamado (da iniciativa) responderam a Associação de cozinheiros, a Assembleia aberta popular de Peristeri, a Assembleia de resistência e solidariedade de Kipseli-Patission, a Assembleia de trabalhadores e desempregados da praça Sintagma, a Iniciativa anarcossindicalista Rocinante, a União Sindical Libertária, a Assembleia de anarquistas pela emancipação social e de classe, assim como companheiros de associações e grupos de trabalhadores, assembleias e okupas de bairros, e coletividades políticas.

Mais de 150 estudantes, colegas e companheiros nos marchamos em várias ruas centrais do centro comercial e turístico de Atenas, acabando, ainda que fora temporariamente, com o ambiente “festivo”, com o qual o Estado, os prefeitos e os patrões tratam de ocultar os salários de fome, o trabalho sem segurança social, as horas extras não pagas, o trabalho no domingo, e a intensificação do trabalho excessivo que prevalece neste período. Read the rest of this entry »

Texto da Assembleia de anarquistas e antiautoritários/as de Lâmia sobre as denominadas “Noites Brancas”. O texto foi distribuído em uma ação realizada faz uns dias no centro da cidade.

Que vão os ministros, os prefeitos e todos os patrões a trabalhar no domingo e pelas noites.

Em 13 de outubro de 2016, após uma convocatória da junta diretora da Associação de Comerciantes de Lâmia, se realizou um conselho, no qual um dos temas principais debatidos foi a organização de uma “Noite Branca” na cidade. No conselho anteriormente mencionado muitos donos de lojas exigiram de maneira insistente “que se celebra-se por fim em Lâmia” uma “Noite Branca”, onde a junta diretora tomou a relativa decisão, sendo seu argumento principal a “melhora e a tonificação da psicologia dos consumidores”. Claro, não nos surpreendeu que não lhes interessasse o mínimo os empregados das lojas, os quais vão dar uma surra por causa da festa. Assim, pois, ao mesmo tempo que os donos dos grandes negócios comerciais montam festinhas para “tonificar” a economia e o mercado local destroçados, seus empregados, assim como todos os que estão trabalhando nesta época, sentem em seu corpo a violação constante de seus direitos e de sua dignidade. Os salários de fome, o trabalho não remunerado durante muitos meses, os horários comerciais flexíveis, os convênios individuais, as horas extras não pagas, e já o trabalho no domingo, não são nada mais que o terrorismo patronal moderno. É um terrorismo, o qual já considera normal obrigar diretamente aos trabalhadores a trabalhar até a meia-noite, até às 12 da noite! De fato, é esta condição miserável para os trabalhadores a campanha de publicidade, com o fim de chamar o “público consumidor” a participar neste evento e a aumentar os lucros dos comerciantes locais. Read the rest of this entry »

Reproduzimos o texto da Assembleia de anarquistas e antiautoritários/as de Lâmia sobre uma ação realizada em 2 de dezembro de 2016 na cidade contra as chamadas “Noites Brancas”.

Na sexta-feira 2 de dezembro de 2016 se realizou pela primeira vez em Lâmia uma “Noite Branca”, após uma decisão tomada pela Associação de Comerciantes da cidade. O evento foi apoiado pela prefeitura de Lâmia. Como assembleia cremos que as “Noites Brancas” não são nada mais que mais um golpe da patronal ao mundo do trabalho, o qual, de todas as formas, está indigente. Por muito que alguns tratem de ocultar sua motivação real com respeito aos objetivos de dita festa celebrada na cidade, falando por exemplo de reforço da economia local destroçada, nós insistiremos e seguiremos recordando que os trabalhadores, as trabalhadoras e seus direitos laborais estão sempre no ponto de mira de tais medidas.

Assim que uns membros da assembleia nos concentramos por volta das 20h30 na praça principal da cidade, onde no início abrimos algumas faixas, e durante as próximas duas horas se distribuíram textos da assembleia e volantes por todo o centro da cidade. Durante a ação (intervenção) o centro estava cheio de gente, se celebrava um concerto organizado pela prefeitura, e os donos das lojas haviam montado alto falantes tocando música em dezenas de lugares. Apesar da grande afluência de gente ao centro durante a “Noite Branca”, temos a sensação de que poucos foram os que chegaram a comprar nas lojas. Conscientemente fomos a única exceção dentro de uma festa consumista, e nossas impressões são algo mais que positivas, posto que em muitas ocasiões houve muita gente que estava de acordo com nosso discurso político. Read the rest of this entry »

Continua a "história de êxito" gregaPublicamos aqui uns dados sobre o emprego, o desemprego, os salários e as pensões, publicados na conta de Jo Di no Twitter. Como explicamos em outras postagens, as cifras não dizem toda a verdade, no entanto, são indicativas da “história de êxito” (success story) grega da qual nos falam todos os gestores do Poder, nos provocando. Assinalamos que as cifras são do Instituto Nacional de Estatística, ou seja, que as cifras reais são piores que estas.

Continua a “história de êxito” grega

Desempregados: 1.196.736. Os 90% destes não recebem o subsídio por desemprego do Instituto Nacional de Emprego. 350.000 famílias não tem nenhum membro que trabalhe. Os 73% dos desempregados são desempregados de longa duração. Segundo o Instituto de Emprego da Confederação Geral de Trabalhadores da Grécia, a taxa de desemprego é de 31%.

Aposentados: 2.656.707. Os 60% dos aposentados recebem uma pensão inferior a 700 euros. Os 65% dos aposentados recebem uma pensão inferior a linha de pobreza relativa (665 euros). Os cortes das pensões chegaram a 50% e continuarão… 650.000 pessoas abandonaram o país.

Empregados: 3.591.407. O salário médio é de 810 euros. O salário recebido por 15% dos empregados (500.000 pessoas) é de 346 euros. 1.000.000 de trabalhadores no setor privado estão de um a cinco meses sem receber. Os 70% dos novos postos de trabalho são postos de trabalho temporários. Read the rest of this entry »

Arquivo