Educação

Faz três meses o conselho de vereadores do bairro operário de Atenas Tavros tomou a decisão de conceder por dez anos o edifício e o estacionamento dos velhos laboratórios de uma escola secundária do bairro à organização não governamental (ONG) Apostolí (Missão), a qual o transformará em um “Centro de entretenimento de crianças”. A decisão da concessão foi tomada com o procedimento de urgência e foi antecedida por decisões semelhantes de vários comitês burocráticos municipais e estatais. Durante a sessão do conselho a União das Associações dos Pais dos alunos se opôs redondamente à concessão.

No contrato firmado com a ONG se citam explicitamente as obrigações do Município de Tavros, mas curiosamente não se citam as da ONG, a qual, como comenta a União, não tem nenhum compromisso. Não se sabe quanto dinheiro aportará à restauração do edifício, ou qual será o programa do “Centro de entretenimento de crianças”. E claro, a ONG não se compromete de que os serviços prestados sejam gratuitos e de acesso livre. E não o fará, dado que o que quer montar é um negócio lucrativo.

Antes da concessão do edifício à ONG, a Associação de Mestres do bairro havia solicitado ao Município o edifício para organizar comidas gratuitas aos alunos necessitados. Sua solicitação, no entanto, não foi respondida…As associações de pais, de professores e de mestres não se opõem à privatização parcial ou total dos espaços dedicados ao ensino. Criticam tão só o fato de que o uso do edifício pela ONG não foi legitimado pelos processos verticais e hierarquizados nos quais participam, e por sua vez elogiam o sistema de ensino estatal. Read the rest of this entry »

O texto que publicamos neste post é uma informação do Grupo autônomo de estudantes “Ataxía” (Desobediência) sobre uma ação contra os desfiles durante o desfile escolar no dia 25 de março, em Tessalônica.

Hoje (25 de março) realizamos uma ação programada para acontecer no desfile escolar do dia 25 de março, em Tessalônica. Fomos para o lugar onde os alunos se reúnem antes de desfilar e distribuímos textos destinados apenas aos nossos colegas de classe. Infelizmente, as reações deles não foram muito positivas, uma vez que a escola burguesa conseguiu com grande sucesso inculcar as suas mensagens nacionalistas e militaristas aos estudantes. No entanto, apesar de tudo, houve casos de estudantes que responderam de uma forma mais positiva a nossa ação. O texto que temos distribuído é o seguinte: “Texto de estudantes contra os desfiles escolares”.

Quando começou o desfile, depois de um atraso por causa da chuva, nós também avançamos ao lado dos estudantes que estavam desfilando, para logo sair, já que a primeira fase da nossa ação foi concluída. Em seguida, assim que chegamos quase em frente à tribuna das autoridades, um grupo de policiais da polícia motorizada Dias nos deteve. Eles vinham nos seguindo desde o início da ação, juntamente com outros policiais que estavam naquele lugar. Os policiais nos retiveram e depois de registrar os nossos dados pessoais mediante um processo claramente surreal, nos disseram que deixássemos o desfile. Nos controlaram e revistaram cuidadosamente, chegando ao ponto até de ler os livros que tínhamos em nossos sacos, ou os panfletos que carregávamos. Read the rest of this entry »

A seguir, texto escrito pelo grupo autônomo de estudantes de Tessalônica “Ataxia” (Desobediência) e publicado em seu site, e que foi distribuído aos alunos que participaram no desfile estudantil de 25 de março nesta cidade.

Somos estudantes de várias escolas de Tessalônica, e decidimos abordar longamente a questão dos desfiles escolares. Por ocasião desta questão e da celebração do desfile de 25 de março, escrevemos o seguinte texto:

Os desfiles foram estabelecidos em 1936 pelo ditador Metaxas, que esteve influenciado e impressionado com os “desfiles” da Alemanha nazista. O objetivo da introdução dos desfiles escolares foi a de que os jovens gregos obtivessem consciência militar e que se familiarizassem com a disciplina militar. Portanto, os desfiles funcionam como um veículo para a difusão do nacionalismo e do militarismo na sociedade.

Os desfiles estão integrados na lógica do aspecto homogêneo, uniforme, passo, alinhamento e tem como objetivo a eliminação da nossa diversidade. Especificamente, você é forçado a comprar ou alugar as mesmas roupas que seus colegas de classe, para que o seu vestuário seja formal. Provavelmente, você não usará nunca mais essa roupa, por achar tão ridícula ou não gostar dela. No entanto, para o desfile ela é necessária. Todos estarão andando ou como dizemos: estarão desfilando da mesma forma, e qualquer desvio é incorreto e é punido. Haverá alguma pessoa encarregada de dar ordens e o ritmo para desfilar, impor a sua superioridade. Read the rest of this entry »

Nas escolas da hipnose, os sonhos nos mantém vivos

Neste post publicamos o texto de um grupo de estudantes, sobre uma ação realizada por seus membros, após a tentativa da direção da escola de aterrorizar e reprimir alguns estudantes secundaristas, por seu envolvimento na ocupação dela há algumas semanas.

Durante as festas natalinas, após uma denúncia apresentada pela diretora da escola de Malakopí (na periferia de Tessalônica), a Polícia chamou alguns de nossos colegas de classe para interrogá-los sobre seu envolvimento na ocupação da escola, que foi realizada em período anterior as festas.

Este fato não nos surpreendente em nada. Em nossas escolas estamos acostumados às ameaças de professores e diretores, as queixas às delegacias de Polícia: Esta é a parte mais importante da repressão das lutas estudantis. As leis e a criminalização das lutas estudantis não vão nos deter. faz parte do seu sistema de ensino. O objetivo da “escola” é aterrorizar dos alunos, para tolher a nossa personalidade, nosso caráter, e para reprimir qualquer luta nossa.

Como uma resposta direta, no domingo 30 de janeiro de 2016 visitamos dita escola. Durante a nossa visita, decoramos as paredes exteriores com pichações, e espalhamos panfletos no pátio da escola, enviando uma mensagem clara aos diretores e professores. Read the rest of this entry »

Na quarta-feira, 7 de outubro, um grupo de estudantes da Esquerda parlamentar pediu para o reitor da Universidade da Macedônia (Tessalônica) um espaço universitário para realizar uma festa, com os rendimentos direcionados para o auxílio dos refugiados que estão chegando à Grécia em ondas imigratórias. O reitor recusou-se a dar aos estudantes o espaço solicitado, ameaçando processá-los, argumentando que a organização de tais festas constitui um delito penal…

No mesmo dia, o reitor da Universidade da Macedônia, Zapranis, ameaçou os estudantes com ligações telefônicas para a Polícia e o Ministério Público, corte do fornecimento de energia e fechamento da Universidade, caso realizassem a festa. Reproduzindo de uma maneira irritante os pretextos das autoridades, não parou de se referir aos… “vandalismos” que segundo ele ocorre em tais festas. Os estudantes o ignoraram, fazendo propaganda da festa e comunicando a todos que ela seria realizada, apesar da proibição do reitor.

Em 9 de outubro, enquanto os estudantes estavam realizando a festa de solidariedade com os refugiados, o reitor ordenou o corte de energia, e voltou a ameaçar os estudantes, de recorrer ao Ministério Público. Poucos dias depois, em 15 de outubro, o reitor chamou os organizadores da festa em seu escritório. Algumas horas antes, ele havia publicado em vários meios de desinformação de massa um comunicado sobre esta questão, assinado por ele (não pelo Senado Universitário). Nesta “reunião” Zapranis começou a gritar e agir como um vândalo, repetindo a ladainha dos “vandalismos”, e tudo isso por que na festa do 9 de outubro não ocorreu absolutamente nada que pudesse justificar no mínimo tal afirmação. Read the rest of this entry »

Texto da “Assembleia autônoma de estudantes das universidades de Atenas” sobre o papel das universidades e seu pessoal acadêmico na guerra contra os imigrantes nas fronteiras.

Podemos imaginar a fronteira como um imenso laboratório? Podemos imaginar a maioria dos/das mil imigrantes mortos/as como os resíduos estatísticos das negociações entre as formações sociais/estatais europeias, o complexo industrial da segurança e a Polícia-Exército da Frontex [agência europeia de controle das fronteiras]? Trata-se do cinismo do Poder. Trata-se dos pequenos e grandes fascismos que fazem derrubar as barcas e se enriquecem, já que o fluxo do dinheiro dos fundos europeus passa por seus bolsos. As fronteiras são um negócio interessante, não é verdade? E isto é algo que sabem não só os patrões do complexo da segurança.

Este conceito é compartilhado por vários departamentos das comunidades acadêmicas das universidades e os institutos politécnicos da Europa. Todas essas relações/infraestruturas que estavam sob a vigilância direta ou discreta da OTAN, agora parecem nadar a gosto nas águas turvas das tecnologias da segurança fronteiriça. O conhecimento acumulado nos níveis superiores dos programas de pós-graduação e de investigação, paulatinamente vai encontrando um novo limite. Mais especificamente, o complexo industrial da segurança está obcecado por promover o uso dos aviões não tripulados e de controle remoto, e dos sistemas de identificação digital de qualquer movimento nas fronteiras. Frontex o deseja, os Estados o desejam, os policiais da autoridade portuária o desejam (lhes parece algo como PlayStation), mas todavia há dificuldades técnicas. Read the rest of this entry »

Neste post publicamos o comunicado da Associação de Professores de Atenas, em que junta a questão da greve de fome de Nikos Romanós com o assassinato de seu amigo Alexis Grigoropoulos em dezembro de 2008. O comunicado se refere ao atual Estado de assassinos, incitando os estudantes a se rebelar contra ele. Tal comunicado causou diversas reações entre a turba de políticos e jornalistas. Alguns deles chegaram a pedir abertamente para a punição e a repressão dos professores que participaram da assembleia que o aprovou.

Em 6 de dezembro de 2008 o estudante Alexis Grigoropoulos foi morto por um policial, nos braços de seu amigo desde a infância Nikos. O adolescente Nikos Romanós optou por um caminho pessoal para enfrentar um Estado de assassinos, alimentado por uma sociedade passiva, indiferente e cúmplice. Ao mesmo tempo, esgotando as margens oferecidas pelo sistema educativo duro e de aulas, que nós, seus professores e pais, enfrentamos juntos com você, Nikos entrou na universidade.

Desde fevereiro de 2013, quando ele foi preso por roubo em Velvendós, Kozani, têm sido repetidamente torturado e brutalmente maltratado pelos guardas de seres humanos, colegas do assassino de seu amigo Alexis. Durante todo este período de sua prisão e os abusos que recebeu, Nikos se recusou a submeter-se. Ele manteve a cabeça erguida, ele tem resistido, ele cuspiu na cara de seus torturadores e de seus superiores políticos, que chegam até ao presidente “lutador” da atual “República¹”. Read the rest of this entry »

Pôster do centro social autogestionado de Galatsi (Atenas) Stegastro (Telhado).

A “nova escola secundária” das discriminações econômicas

Ensino privado (“escolas” privadas de aulas de apoio) e exames de admissão nos últimos três cursos da escola secundária. “Banco de temas” para os exames e plano de estudos demasiadamente grandes. Aqueles que não puderem atender às demandas econômicas do ensino privado ficarão excluídos do sistema de ensino, e no futuro do trabalho qualificado.

Ficha, “mySchool”

Registro eletrônico em um banco de informações central dos dados e das sanções dos estudantes secundaristas, e de suas necessidades especiais, dos dados do seu ambiente familiar, dos tratamentos médicos que foram submetidos e dos medicamentos tomados, e da participação dos professores em greves ou paralisações.

Repressão, intimidação

Policiais vigiando as escolas 24 horas por dia, e de vez em quando detendo os alunos ou os pais deles (Lamía) ou atirando contra estudantes (Kesarianí, Atenas). Diretores de escolas difamando, colocando os alunos em ponto de mira e os delatando (Nikea, Atenas). Promotores esperando na esquina para colocar em marcha procedimentos de perseguição. Ministro ameaçando aulas aos sábados e no Natal. Read the rest of this entry »

Na quarta-feira, 12 de novembro de 2014, o reitor da Universidade de Atenas, apoiado pelo governo, ordenou o fechamento dos prédios da Universidade localizados no centro de Atenas. O documento oficial assinado pelo reitor (nem sequer pelo senado universitário) citou que os prédios da Universidade no centro de Atenas permaneceriam fechados desde quinta-feira, 13 de novembro, até terça-feira, 18 de novembro, com vista à celebração dos eventos comemorativos de 17 de novembro na Escola Politécnica de Atenas.

A cada ano acontecem eventos de comemoração e manifestações em memória da revolta estudantil e popular de 17 de novembro de 1973 contra a ditadura de então. Poucos dias antes da ordem do reitor, a assembleia dos estudantes da Faculdade de Direito (cujo edifício é um dos poucos localizados no centro da cidade e não no campus universitário) tomou a decisão de proceder a ocupação dos edifícios da Universidade desde sexta-feira, 14 de novembro.

Esta ordem do reitor da Universidade de Atenas vem poucos dias depois de as ocupações e mobilizações dos estudantes secundaristas em todo o território do Estado grego, e, certamente, após a decisão da assembleia dos estudantes universitários de ocupar o prédio da Faculdade de Direito. Read the rest of this entry »

Enquanto em Corinto uns professores de uma escola secundarista optaram por encarregar-se com a repressão das mobilizações estudantis, em várias outras cidades foram realizadas massivas manifestações de estudantes secundaristas.

Em Corinto, uma pequena cidade perto de Atenas, o diretor e alguns professores de uma escola secundarista trancaram dentro dela seus alunos, para impedir a participação deles na manifestação que aconteceria hoje (13 de novembro de 2014) no centro da cidade. Contudo, os estudantes desta escola avisaram os colegas de outras escolas da cidade, que chegaram em massa fora da escola isolada, gritando lemas de solidariedade e exigindo o fim do cativeiro de seus companheiros.

O diretor da escola chamou a Polícia, e prontamente a escola foi cercada por um bom número de policiais. No entanto, os jovens que estavam dentro e fora da escola não se curvaram ante as ameaças e o terrorismo dos professores e dos policiais. E continuaram se manifestando, e logo os alunos que estavam trancados conseguiram abrir as portas da escola, sair dela e participar na manifestação, juntamente com os jovens de outras escolas da cidade. Read the rest of this entry »

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