Ecologia

Em 25 de abril de 2016 o Observatório de Atividades Mineiras apresentou uma denúncia ao ministro do Meio Ambiente contra a exploração ilegal de ouro e prata pela empresa mineira Ouro Grego (Elinikós Jrisós), filial da multinacional Eldorado Gold. Dita empresa é a que está realizando as obras de extração de ouro em Skuriés, Calcídica, tendo causado graves danos ao ecossistema local.

A denúncia foi apresentada depois da declaração de departamento competente do ministério de Meio Ambiente que a atividade mineira é “particularmente rentável para a economia nacional”. Da nossa parte deixamos claro que tais termos são totalmente falsos e enganosos, e que tais projetos são desastrosos tanto para o meio ambiente como para a vida humana, independentemente se são rentáveis ou não para os de cima. Publicamos esta not&iac ute;cia, não obstante, para pôr em manifesto a hipocrisia do Capital transnacional e o papel de seu títere, o Estado (neste caso o grego).

Dos comunicados da própria empresa se deduz que desde 2007 se exportou 14.050 quilos de ouro e 90.939 quilos de prata. O Observatório de Atividades Mineiras denuncia que as quantidades destes metais se exportam ilegalmente à China não como metais preciosos, mas sim como matéria-prima barata (material não precioso). Read the rest of this entry »

Texto da coletividade anarquista de Corfu Cumunlonimbus, sobre a exploração comercial do ilhote de Vido, por ocasião de um festival organizado por uma organização não governamental, e patrocinado por várias empresas privadas.

“Vido é uma pequena ilha de 57 hectares de superfície, situada frente ao bairro histórico da cidade de Corfu. Tem mantido inalterável sua beleza natural, sem intervenções humanas, já que está desabitado e em seu terreno não circulam veículos. É um pequeno paraíso natural, com uma rica flora e fauna, com vegetação verde típica das ilhas do mar Jônico, com caminhos e praias de cor azul-verde, e com lugares para acampar. Nessa pequena ilha verde celebramos a festa das artes e do verão em um festival de três dias (1-3 de julho)”.

De fato, a descrição do festival por seus mesmos organizadores é muito precisa e atrativa. “Vida Lasca” é um festival de três dias de acampamento, organizado pela primeira vez na ilha de Vido de 1 a 3 de julho de 2016, com concertos, exposições, oficinas e eventos artísticos, enquanto que segundo seus organizadores o objetivo do festival é “a coexistência das artes sendo suas bases a conscientização ecológica, motivado por questões sociais”. Lançando uma mirada mais detalhada ao tema, entretanto, surgem algumas interrogações acerca dos meios e dos objetivos de dita festividade, os quais são apresentados claramente embelecidos, com o fim de consolidar-se como tais na consciência social, ou são totalmente refutados pela lógica e por suas próprias contradições. Há algumas facetas de “Vida Lasca” que não apenas nos permitem pôr em dúvida as intenções de seus organizadores, senão que convertem este festival em algo totalmente problemático: tanto o conjunto como cada uma de suas facetas. Mas ponhamos as coisas em ordem: Read the rest of this entry »

Comunicado da Coordenadoria de Ierissós contra a mineração de ouro, sobre o assassinato de Berta Cáceres.

A notícia de que Berta Cáceres, líder do Conselho dos Povos Indígenas de Honduras, foi encontrada morta, crivada com dois tiros na cabeça por assaltantes em sua própria casa, tem despertado memórias tristes e familiares em nossos corações, aqui em Calcídica, Grécia. Familiares, porque os nossos povos experimentaram extrema repressão e ataques violentos nas casas daqueles que resistem nesta longa luta contra os planos extrativistas de Eldorado Gold. Triste, porque percebemos que as forças da destruição e da morte não hesitam em sacrificar vidas humanas na frenética corrida do “crescimento”. Há investimentos a qualquer custo na Grécia, Honduras e muitos outros locais em todo o mundo que estão sendo sacrificados no momento atual. Nós lutamos contra essa lógica. Talvez a dureza com que somos tratados varia de acordo com o continente do planeta que habitamos, no entanto, a mensagem das corporações multinacionais e dos políticos que servem os seus interesses é comum para todos: qualquer um que esteja no nosso caminho encontrará um final trágico.

Ironicamente, o ataque mortal na casa da ativista teve lugar em 3 de março, ao amanhecer do dia de seu aniversário. Portanto, devemos prestar homenagem à vida de Berta Cáceres. Render honra a toda luta da vida contra a lógica mortal dos lucros sobre as vidas humanas e a vida de um povo; render honra as vozes que não se calam e lutam por sua terra. Nós, os e as habitantes que vivem em Calcídica em luta nos unimos para a justa raiva dos e das que lutam em Honduras, que não se rendem e não aceitam o rolo compressor do que hoje é considerado “legal e aceitável”. Esta ameaça tem rosto e tem características – o rosto daqueles que promovem a destruição dos recursos naturais comuns para o benefício de poucos, e as características assassinas dos que sacrificam lugares e pessoas que se interpõem em seu caminho. Read the rest of this entry »

Boletim de imprensa da Coordenadoria de Ierissós contra a mineração de ouro, publicado em seu site.

O único objetivo das empresas de mineração, como todas as grandes multinacionais, é o lucro. Perfeito! Sem exceção. Às vezes, elas são forçados a se adaptar (com grande descontentamento) com algumas regras fundamentais de direitos humanos, de justiça obreira e social e de proteção ambiental. Neste caso, os seus lucros, a pedra fundamental de sua existência, são reduzidos.

A maximização do lucro é conseguida de duas maneiras: aumentando as receitas e/ou reduzindo os custos. As empresas envolvidas na extração de metais têm a vantagem de que o aumento das receitas seja inelástico. Os preços dos seus produtos estão intimamente associados com um mercado globalizado que não deixa muita margem. Portanto, a sua estratégia centra-se na redução de custos.

O que eles precisam é de matérias-primas baratas, mão de obra barata, passividade social, e a capacidade de influenciar no marco legislativo que regula suas atividades. Assim que arrebatam o espaço público e os recursos que precisam, perdem o interesse com as normas ambientais, investem fortemente na repressão de qualquer reação social, e tratam os trabalhadores como um recurso reciclável. Read the rest of this entry »

Texto da coletividade anarquista “Anarquistas pela liberação social” (AKA), publicado na sua página web.

A ameaça da empresa de extração de ouro pelo governo que, não recebendo uma resposta positiva até ao próximo mês de março, parará o seu funcionamento em Calcídica, leva a vários temas para debater e refletir. Também leva a uma conclusão fixa. Os meios de desinformação massivos começam a publicar os primeiros “super dramas” sobre os postos de trabalho que se vão perder. Se o partido governamental Syriza não assume uma posição fixa sobre este tema (independentemente das suas promessas eleitorais), todos os demais partidos estão a favor do funcionamento das minas. Só uma pequena parte da esquerda extraparlamentar tem opinião diferente sobre o tema (1). Como anarquistas estamos contra esta “inversão” desastrosa.

As minas de ouro provocaram até ao momento uma destruição ecológica enorme. Se no final a fábrica avança, os danos serão irreversíveis, ao mesmo tempo que os juros econômicos dos exploradores, locais ou não, serão imensos. Habitantes da zona, grupos anarquistas e solidários do movimento radical, têm travado uma luta enorme contra esta obra durante os últimos anos e continuam a batalhar. Somos solidários com eles. Read the rest of this entry »

A seguir, texto de um cartaz dos anarquistas e antiautoritários de Kavala, publicado em seu site, por ocasião da realização de um evento sobre o gasoduto Trans-Adriático (TAP) e seus impactos para o meio ambiente e a sociedade do norte da Grécia. Em breve publicaremos mais informações sobre este assunto.

Não ao gasoduto Trans-Adriático (TAP, Trans-Adriatic Pipeline), não as plataformas flutuantes de GNL, não aos dutos de gás natural e a nossa escravidão energética e econômica.

Por que:

No capitalismo cada obra e cada investimento servem aos interesses (atende às necessidades) do Capital e não das pessoas.

Somos relutantes a qualquer forma de desenvolvimento capitalista, porque a exploração e a opressão são chamadas de melhoria de nossas vidas.

A transformação do norte da Grécia em um enclave de energia significa sua conversão em uma fossa séptica ambiental. Centro energético significa “melhora” geográfica e militar, e isso traz guerras e situações semelhantes aos de uma guerra civil (Ucrânia, Iraque, Síria, etc.).

Mudando a direção dos tubos não paralisa o projeto, mas apenas muda (transfere) o problema para os outros.

As plataformas flutuantes de GNL são uma extensão (prolongação) do gasoduto Trans-Adriático (TAP, Trans-Adriatic Pipeline), e estão integradas no mesmo projeto energético. Read the rest of this entry »

Em um evento organizado pela coletividade “SOS Calcídica”, Nikos Mosjudis, professor de Engenharia Química na Universidade de Tessalônica, e Sarantis Dimitriadis, professor de Geologia na mesma Universidade, explicaram porque a extração de ouro em Calcídica é perigosa para os ecossistemas da província, e por sua vez explicitaram quais são as violações realizadas pela empresa mineradora Elinikós Jrisós (Ouro Grego), filial da multinacional Eldorado Gold, a qual está realizando as obras. Ambos sustentaram seus argumentos e suas conclusões em dados científicos, assim como nas conclusões tiradas pelos inspetores do meio ambiente. Durante o evento comentaram várias vezes que os relatórios com estas conclusões estão em mãos do fiscal designado para o caso da mineradora de ouro em Calcídica.

O professor de Geologia da Universidade de Tessalônica Sarantis Dimitriadis fez referência a uma decisão ministerial recente que anulava temporariamente as obras. A decisão da anulação temporária das obras se baseou no método de soldagem rápida utilizada pela empresa mineradora. Como assinalou, este método não foi utilizado em nenhum país no mundo, exceto com fins experimentais. Ao mesmo tempo, faz três anos que a empresa não realiza nenhuma prova de campo (sobre o terreno) de caráter semi-industrial para demostrar que este método pode aplicar-se ao caso da mina de Skuriés, Calcídica.

Ambos científicos sustentaram que as obras de extração de ouro em Calcídica contaminam as águas superficiais e subterrâneas da zona com substâncias tóxicas, e o meio ambiente com resíduos e dejetos sumamente perigosos. Também, ambos denunciaram que Ouro Grego oculta que os materiais que utiliza na extração são de alto nível de risco para a vida humana e o equilíbrio do meio ambiente. Concluíram dizendo que tudo isto está mencionado também nos relatórios dos inspetores do meio ambiente, os quais estavam a muitas semanas “descansando” fechados nas gavetas do Ministério do Meio Ambiente. Read the rest of this entry »

Em 23 de agosto se realizou uma marcha contra a extração de ouro em Skuriés, Calcídica. Em março deste ano houve confrontos entre manifestantes e policiais, nos quais os últimos realizaram a retenção de um ônibus inteiro, no qual 78 pessoas estavam viajando. Essas retenções tornaram-se prisões, inicialmente sob a acusação de motim e, então, sob a acusação de alteração da ordem pública. 74 detidos foram liberados, enquanto que dos outros quatro, dois companheiros se recusaram a dar suas impressões digitais e outros dois não forneceram nenhum dos seus dados pessoais.

No julgamento no dia seguinte, dois companheiros foram sentenciados a 17 meses de suspensão e no mesmo dia, mais tarde, a polícia adiciona a suas penas a deportação administrativa. Deve notar-se que é a primeira vez que se condena por crimes menores. Em 25 de agosto, os dois companheiros foram transferidos da Delegacia de Poliguiros, onde estavam detidos, para a Direção Geral da Polícia em Tessalônica, esperando para ver como iria avançar o processo de sua deportação. Dois dias depois foi realizada uma concentração de solidariedade fora do edifício da Direção Geral de Polícia. Durante e após a concentração a atitude dos policiais tornou-se mais vingativa que antes (“guarda eficiente”, ameaça com o risco de redução do tempo de visitas, ameaçando-os com o isolamento e a separação de outros prisioneiros e outras bravatas deste tipo). Read the rest of this entry »

A seguir, texto da “Coletividade pelo anarquismo social Vermelho e Negro” sobre os acontecimentos na marcha antimineração de 23 de agosto, realizada em Calcídica.

Uma das questões ideológicas mais significantes do anarquismo social é a oposição a qualquer tipo de delegação. O conteúdo da própria liberdade está determinada em grande medida pela possibilidade de materializar nós mesmos as nossas decisões sem a necessidade de patrões, mediadores e especialistas. Há inúmeros exemplos na história do mundo que demonstram o valor dessa posição, no entanto, no território do Estado grego o exemplo recente de Skuriés pode convencer até os mais céticos.

Mudaram as autoridades municipais, mudou o governo (que antes de ganhar o Poder se opunha ferozmente à exploração das minas), mas a mina continua funcionando. O primeiro governo esquerdista decidiu um pouco antes de demitir-se e no meio de uma campanha eleitoral dura pelo fechamento temporário de funcionamento da mineração. Esta decisão é uma vulgaridade absoluta, dado que um governo que consentiu com a continuação de funcionamento da mineração e os ataques dos pretorianos e dos esbirros de Bóbolas [milionário empresário grego] aos manifestantes em abril de 2015, em agosto de 2015 decide pela suspensão temporária da exploração da mina para receber algum voto dos lutadores do movimento antimineração. Read the rest of this entry »

O texto abaixo foi escrito por dois anarquistas que foram detidos na marcha ao bosque de Skuriés, Calcídica, em 23 de agosto de 2015.

Ao mesmo tempo em que vão saqueando cada vez mais zonas da Terra em nome do lucro dos de cima na sociedade, vão surgindo cada vez mais lutas desde baixo, reagindo a esses planos destrutivos.

Há vários anos que a luta contra as minas de ouro em Skuriés, Calcídica, é caracterizada pela experimentação de novas técnicas de controle e repressão, como as tomadas maciças de DNA, por vezes, pela força, a proibição de se aproximar de qualquer local de trabalho da empresa de mineração Ouro Grego (Elinikós Jrisós) a uma distância de menos de quatro quilômetros, ou a invasão das forças especiais da Polícia Grega em Ierissós na primavera de 2013.

Em 23 de agosto, foi realizada uma manifestação na zona de Skuriés, no noroeste de Calcídica, com a participação massiva de muitas pessoas. Durante a marcha reiteradas vezes tratou-se de se aproximar da área das obras, que estava protegida por centenas de policiais. Depois de terminada a marcha, o último ônibus que tinha acabado de sair para voltar ao acampamento de Ierissós foi detido pela Polícia, que confirmou mais uma vez o seu papel, derrubando um manifestante ao chão e quebrando sua perna com golpes de cassetetes. Read the rest of this entry »

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