Ecologia

Corfu: Ação na Câmara de Comércio contra a privatização do parque natural de ErimitisCorfu: Ação na Câmara de Comércio contra a privatização do parque natural de Erimitis
Alguns dias atrás a okupa Elea (ilha de Corfu) realizou uma ação-intervenção na Câmara de Comércio de Corfu com o motivo da privatização do parque natural de Erimitis, no nordeste da ilha, devido à intenção de construir um complexo hoteleiro. Segundo o que lemos na página web da okupa, a ação foi realizada com o motivo da emissão de um comunicado assinado por vinte associações do patronato da ilha (entre elas a Câmara do Comércio, a Associação de Hoteleiros, a Associação de Agentes de Viagens, etc). Durante a ação jogou-se tinta e picharam-se palavras de ordem na fachada do edifício da Câmara de Comércio (fotos).

O parque natural de Erimitis encontra-se na península de Kassiopi, na parte nordeste da ilha. Este tem 49 hectares de superfície, em que metade está ocupado por um bonito bosque. A praia de Erimitis tem 725 metros de comprimento. Na península há três pequenos lagos naturais. Erimitis constitui um refúgio para noventa espécies de aves migratórias e para a lontra europeia, sendo o único acesso que tem este animal em extinção na ilha. No litoral desta zona dão-se prados da planta oceânica Posidonia Oceânica, de grande importância ecológica.

O governo concedeu a exploração desta zona à empresa privada NCH Capital por 99 anos. Três iniciativas de habitantes da ilha recorreram ao Conselho de Estado argumentando que a privatização desta zona destruirá irreversivelmente os ecossistemas locais e a sua biodiversidade. Além disso, os habitantes sustentam que a privatização é ilegal, dado que está contra o Convênio de Verna, o Convênio do Rio, o Convênio de Barcelona, e a Diretiva Europeia relativa à conservação dos habitats naturais da fauna e flora silvestres, assim como contra a sentenças de tribunais gregos e de várias leis e decretos de ministérios do Estado grego. Read the rest of this entry »

Recentemente o governo tomou a decisão de privatizar as companhias de águas de Atenas e Tessalônica, passando-as ao chamado “super fundo de privatizações”. Na realidade, o governo executou uma vez mais as ordens de seus amos políticos e econômicos, ou seja da União Europeia, do Fundo Monetário Internacional e do Banco Central Europeu, cujo fim é concretamente controlar a distribuição de água, e em geral eliminar os serviços públicos e privatizar os recursos naturais, transformando-os em um negócio lucrativo, segundo as normas do neoliberalismo.

A privatização da água, no entanto, não se limita às duas cidades maiores no país. Na província de Magnesia, os habitantes dos povoados do monte Pelion estão há anos lutando pela água. Os movimentos que se desenvolveram nesta zona abundante de mananciais e fontes de água, estão lutando contra os planos das autoridades locais de ficar com o controle dos muitíssimos mananciais da montanha. O objetivo das autoridades municipais é criar as condições para vender a exploração das águas do monte Pelion ao Capital local ou transnacional, privando aos habitantes da província do acesso à água.

Durante muitos séculos a gestão das águas potável e de irrigação da montanha estiveram a cargo das comunidades locais. Elas velavam pela manutenção das fontes, das cisternas e da rede de abastecimento de água. Em 2011 se fundiram os municípios do Estado grego, diminuindo notavelmente o número deles. Como consequência desta fusão a gestão dos mananciais passou às mãos da Empresa Municipal de Águas local. Read the rest of this entry »

Chamado em solidariedade com os processados da luta antimineracao em CalcidicaEm 10 de novembro serão julgados três dos processados por sua participação na manifestação de 21 de outubro de 2012, na qual o Regime desatou um ataque cruel aos manifestantes contra a mineração de ouro. O texto que segue é um chamado a uma manifestação diante dos tribunais de Tessalônica, em solidariedade com os processados.

O texto do cartaz:

SOS Calcídica

Nos colocamos ao lado dos três detidos do 21 de outubro de 2012.

Quinta-feira, 10 de novembro, às 10h, Palácio de Justiça de Tessalônica

Comitês de Luta de Tessalônica e Calcídica contra a extração de ouro

O texto do chamado:

Em 21 de outubro de 2012 uma manifestação de mais de 2.500 pessoas percorreu uma distância de oito quilômetros no bosque de Kákavos para chegar a Skuriés. Ali lhes esperava um contingente de policiais raivosos, armados até os dentes (sendo uma dissonância dentro do bosque arcaico), havendo recebido a ordem de dispersar os manifestantes. Desataram um ataque de incrível violência contra os manifestantes, perseguindo-os por muitos quilômetros, dando-lhes surras, disparando gases e granadas aturdidoras no bosque, destruindo carros e lesionando pessoas, sem ter o mínimo pretexto. Read the rest of this entry »

Em 25 de abril de 2016 o Observatório de Atividades Mineiras apresentou uma denúncia ao ministro do Meio Ambiente contra a exploração ilegal de ouro e prata pela empresa mineira Ouro Grego (Elinikós Jrisós), filial da multinacional Eldorado Gold. Dita empresa é a que está realizando as obras de extração de ouro em Skuriés, Calcídica, tendo causado graves danos ao ecossistema local.

A denúncia foi apresentada depois da declaração de departamento competente do ministério de Meio Ambiente que a atividade mineira é “particularmente rentável para a economia nacional”. Da nossa parte deixamos claro que tais termos são totalmente falsos e enganosos, e que tais projetos são desastrosos tanto para o meio ambiente como para a vida humana, independentemente se são rentáveis ou não para os de cima. Publicamos esta not&iac ute;cia, não obstante, para pôr em manifesto a hipocrisia do Capital transnacional e o papel de seu títere, o Estado (neste caso o grego).

Dos comunicados da própria empresa se deduz que desde 2007 se exportou 14.050 quilos de ouro e 90.939 quilos de prata. O Observatório de Atividades Mineiras denuncia que as quantidades destes metais se exportam ilegalmente à China não como metais preciosos, mas sim como matéria-prima barata (material não precioso). Read the rest of this entry »

Texto da coletividade anarquista de Corfu Cumunlonimbus, sobre a exploração comercial do ilhote de Vido, por ocasião de um festival organizado por uma organização não governamental, e patrocinado por várias empresas privadas.

“Vido é uma pequena ilha de 57 hectares de superfície, situada frente ao bairro histórico da cidade de Corfu. Tem mantido inalterável sua beleza natural, sem intervenções humanas, já que está desabitado e em seu terreno não circulam veículos. É um pequeno paraíso natural, com uma rica flora e fauna, com vegetação verde típica das ilhas do mar Jônico, com caminhos e praias de cor azul-verde, e com lugares para acampar. Nessa pequena ilha verde celebramos a festa das artes e do verão em um festival de três dias (1-3 de julho)”.

De fato, a descrição do festival por seus mesmos organizadores é muito precisa e atrativa. “Vida Lasca” é um festival de três dias de acampamento, organizado pela primeira vez na ilha de Vido de 1 a 3 de julho de 2016, com concertos, exposições, oficinas e eventos artísticos, enquanto que segundo seus organizadores o objetivo do festival é “a coexistência das artes sendo suas bases a conscientização ecológica, motivado por questões sociais”. Lançando uma mirada mais detalhada ao tema, entretanto, surgem algumas interrogações acerca dos meios e dos objetivos de dita festividade, os quais são apresentados claramente embelecidos, com o fim de consolidar-se como tais na consciência social, ou são totalmente refutados pela lógica e por suas próprias contradições. Há algumas facetas de “Vida Lasca” que não apenas nos permitem pôr em dúvida as intenções de seus organizadores, senão que convertem este festival em algo totalmente problemático: tanto o conjunto como cada uma de suas facetas. Mas ponhamos as coisas em ordem: Read the rest of this entry »

Comunicado da Coordenadoria de Ierissós contra a mineração de ouro, sobre o assassinato de Berta Cáceres.

A notícia de que Berta Cáceres, líder do Conselho dos Povos Indígenas de Honduras, foi encontrada morta, crivada com dois tiros na cabeça por assaltantes em sua própria casa, tem despertado memórias tristes e familiares em nossos corações, aqui em Calcídica, Grécia. Familiares, porque os nossos povos experimentaram extrema repressão e ataques violentos nas casas daqueles que resistem nesta longa luta contra os planos extrativistas de Eldorado Gold. Triste, porque percebemos que as forças da destruição e da morte não hesitam em sacrificar vidas humanas na frenética corrida do “crescimento”. Há investimentos a qualquer custo na Grécia, Honduras e muitos outros locais em todo o mundo que estão sendo sacrificados no momento atual. Nós lutamos contra essa lógica. Talvez a dureza com que somos tratados varia de acordo com o continente do planeta que habitamos, no entanto, a mensagem das corporações multinacionais e dos políticos que servem os seus interesses é comum para todos: qualquer um que esteja no nosso caminho encontrará um final trágico.

Ironicamente, o ataque mortal na casa da ativista teve lugar em 3 de março, ao amanhecer do dia de seu aniversário. Portanto, devemos prestar homenagem à vida de Berta Cáceres. Render honra a toda luta da vida contra a lógica mortal dos lucros sobre as vidas humanas e a vida de um povo; render honra as vozes que não se calam e lutam por sua terra. Nós, os e as habitantes que vivem em Calcídica em luta nos unimos para a justa raiva dos e das que lutam em Honduras, que não se rendem e não aceitam o rolo compressor do que hoje é considerado “legal e aceitável”. Esta ameaça tem rosto e tem características – o rosto daqueles que promovem a destruição dos recursos naturais comuns para o benefício de poucos, e as características assassinas dos que sacrificam lugares e pessoas que se interpõem em seu caminho. Read the rest of this entry »

Boletim de imprensa da Coordenadoria de Ierissós contra a mineração de ouro, publicado em seu site.

O único objetivo das empresas de mineração, como todas as grandes multinacionais, é o lucro. Perfeito! Sem exceção. Às vezes, elas são forçados a se adaptar (com grande descontentamento) com algumas regras fundamentais de direitos humanos, de justiça obreira e social e de proteção ambiental. Neste caso, os seus lucros, a pedra fundamental de sua existência, são reduzidos.

A maximização do lucro é conseguida de duas maneiras: aumentando as receitas e/ou reduzindo os custos. As empresas envolvidas na extração de metais têm a vantagem de que o aumento das receitas seja inelástico. Os preços dos seus produtos estão intimamente associados com um mercado globalizado que não deixa muita margem. Portanto, a sua estratégia centra-se na redução de custos.

O que eles precisam é de matérias-primas baratas, mão de obra barata, passividade social, e a capacidade de influenciar no marco legislativo que regula suas atividades. Assim que arrebatam o espaço público e os recursos que precisam, perdem o interesse com as normas ambientais, investem fortemente na repressão de qualquer reação social, e tratam os trabalhadores como um recurso reciclável. Read the rest of this entry »

Texto da coletividade anarquista “Anarquistas pela liberação social” (AKA), publicado na sua página web.

A ameaça da empresa de extração de ouro pelo governo que, não recebendo uma resposta positiva até ao próximo mês de março, parará o seu funcionamento em Calcídica, leva a vários temas para debater e refletir. Também leva a uma conclusão fixa. Os meios de desinformação massivos começam a publicar os primeiros “super dramas” sobre os postos de trabalho que se vão perder. Se o partido governamental Syriza não assume uma posição fixa sobre este tema (independentemente das suas promessas eleitorais), todos os demais partidos estão a favor do funcionamento das minas. Só uma pequena parte da esquerda extraparlamentar tem opinião diferente sobre o tema (1). Como anarquistas estamos contra esta “inversão” desastrosa.

As minas de ouro provocaram até ao momento uma destruição ecológica enorme. Se no final a fábrica avança, os danos serão irreversíveis, ao mesmo tempo que os juros econômicos dos exploradores, locais ou não, serão imensos. Habitantes da zona, grupos anarquistas e solidários do movimento radical, têm travado uma luta enorme contra esta obra durante os últimos anos e continuam a batalhar. Somos solidários com eles. Read the rest of this entry »

Anarquistas de Kavala: Não ao gasoduto Trans-Adriático (TAP)A seguir, texto de um cartaz dos anarquistas e antiautoritários de Kavala, publicado em seu site, por ocasião da realização de um evento sobre o gasoduto Trans-Adriático (TAP) e seus impactos para o meio ambiente e a sociedade do norte da Grécia. Em breve publicaremos mais informações sobre este assunto.

Não ao gasoduto Trans-Adriático (TAP, Trans-Adriatic Pipeline), não as plataformas flutuantes de GNL, não aos dutos de gás natural e a nossa escravidão energética e econômica.

Por que:

No capitalismo cada obra e cada investimento servem aos interesses (atende às necessidades) do Capital e não das pessoas.

Somos relutantes a qualquer forma de desenvolvimento capitalista, porque a exploração e a opressão são chamadas de melhoria de nossas vidas.

A transformação do norte da Grécia em um enclave de energia significa sua conversão em uma fossa séptica ambiental. Centro energético significa “melhora” geográfica e militar, e isso traz guerras e situações semelhantes aos de uma guerra civil (Ucrânia, Iraque, Síria, etc.).

Mudando a direção dos tubos não paralisa o projeto, mas apenas muda (transfere) o problema para os outros.

As plataformas flutuantes de GNL são uma extensão (prolongação) do gasoduto Trans-Adriático (TAP, Trans-Adriatic Pipeline), e estão integradas no mesmo projeto energético. Read the rest of this entry »

Em um evento organizado pela coletividade “SOS Calcídica”, Nikos Mosjudis, professor de Engenharia Química na Universidade de Tessalônica, e Sarantis Dimitriadis, professor de Geologia na mesma Universidade, explicaram porque a extração de ouro em Calcídica é perigosa para os ecossistemas da província, e por sua vez explicitaram quais são as violações realizadas pela empresa mineradora Elinikós Jrisós (Ouro Grego), filial da multinacional Eldorado Gold, a qual está realizando as obras. Ambos sustentaram seus argumentos e suas conclusões em dados científicos, assim como nas conclusões tiradas pelos inspetores do meio ambiente. Durante o evento comentaram várias vezes que os relatórios com estas conclusões estão em mãos do fiscal designado para o caso da mineradora de ouro em Calcídica.

O professor de Geologia da Universidade de Tessalônica Sarantis Dimitriadis fez referência a uma decisão ministerial recente que anulava temporariamente as obras. A decisão da anulação temporária das obras se baseou no método de soldagem rápida utilizada pela empresa mineradora. Como assinalou, este método não foi utilizado em nenhum país no mundo, exceto com fins experimentais. Ao mesmo tempo, faz três anos que a empresa não realiza nenhuma prova de campo (sobre o terreno) de caráter semi-industrial para demostrar que este método pode aplicar-se ao caso da mina de Skuriés, Calcídica.

Ambos científicos sustentaram que as obras de extração de ouro em Calcídica contaminam as águas superficiais e subterrâneas da zona com substâncias tóxicas, e o meio ambiente com resíduos e dejetos sumamente perigosos. Também, ambos denunciaram que Ouro Grego oculta que os materiais que utiliza na extração são de alto nível de risco para a vida humana e o equilíbrio do meio ambiente. Concluíram dizendo que tudo isto está mencionado também nos relatórios dos inspetores do meio ambiente, os quais estavam a muitas semanas “descansando” fechados nas gavetas do Ministério do Meio Ambiente. Read the rest of this entry »

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