Segue-se o texto do grupo de anarquistas e comunistas Contra-ataque de Classe, chamando a uma concentração fora da Embaixada da Argentina, por ocasião do assassinato do anarquista Santiago Maldonado pelas forças repressivas deste país.

Honra ao anarquista Santiago Maldonado

Em 1º de agosto de 2017, na cidade Cushamen da Argentina, a polícia atacou uma manifestação solidária com os Mapuches, que lutam pela recuperação de suas terras, contra os colonos da Benetton. É uma área de terra enorme de 900.000 hectares, comprado pela empresa italiana em 1991, em que tal empresa cria 250.000 ovelhas. Nesta área, são produzidos 10% do gás utilizado pela empresa. Durante um ataque policial, os agentes policialescos sequestraram o companheiro Santiago Maldonado de 28 anos.

A repressão da luta dos povos indígenas da Argentina é uma das prioridades do governo. “De forma alguma permitiremos uma República Mapuche no meio da Argentina”, disse a Ministra de Segurança. A operação policial de 1º de agosto foi planejada e coordenada por um consultor e colaborador próximo seu. Já em junho passado tinha prendido Facundo Huala Jones (membro da comunidade Mapuche que tinha recuperado uma pequena parte dos territórios indígenas pertencentes ao grupo Benetton), já que havia contra ele no Chile um mandado de detenção acusando-o de “terrorista”, por ter incendiado uma fazenda e por posse de armas ilícitas.

As manifestações massivas e as ações combativas necessárias para retornar vivo Santiago Maldonado, forçou o governo da Argentina a reunir-se com o Alto Comissariado de Direitos Humanos, que foi para Buenos Aires para investigar esta questão, e os Juiz Otranto para começar (alegadamente) a investigar o caso de sequestro, apesar de suas declarações iniciais de que “não podemos irritar o Sr. Benetton com tolices”.

Durante estes meses, Santiago Maldonado tem sido o símbolo da luta histórica dos Mapuche pela recuperação de suas terras, bem como da luta de um povo inteiro que pede justiça e igualdade. O sequestro do companheiro desencadeou as mobilizações massivas e enfrentamentos, pois despertaram memórias do período ditatorial (quando de 1976 a 1983 morreram ou desapareceram em torno de 30.000 pessoas), bem como o sequestro, a execução e a cremação dos corpos de 43 estudantes esquerdistas pelo Estado mexicano em 2014.

Hoje, os furgões brancos da Gendarmeria e do governo neoliberal e pró-americano de Mauricio Macri, substituíram o Ford Falcão da Polícia Secreta da ditadura. Hoje em dia as delegacias de polícia e a base secreta da Gendarmeria localizada na propriedade da Benetton, junto com sua guarda armada, substituíram os soldados de Videla, cujos quartéis estavam localizados dentro da fábrica da Ford, e que torturaram trabalhadores sindicalistas. Na Argentina, e em todos os lugares, o Estado como uma organização política da classe burguesa tem continuação. É uma continuação histórica de sangue derramado. É o sangue dos indígenas, dos pobres, dos sem-teto, dos trabalhadores e dos desempregados. É o sangue dos lutadores.

Em 18 de outubro de 2017 o companheiro foi encontrado morto em um rio na Patagônia. As manifestações e os confrontos na Argentina não são nada mais do que uma justiça mínima contra a violência do Capital e de seu Estado. São ações de fúria justa contra a plutocracia e seus valentões uniformizados, e de honra ao companheiro assassinado.

Santiago Maldonado: Presente! A luta continua.

Concentração: terça-feira 31 outubro 2017, às 18h, fora da Embaixada da Argentina (c. Vassilisis Sofias, 59).

Contra-Ataque de Classe (grupo de anarquistas e comunistas)

Tradução: Agência de Notícias Anarquistas.

O texto grego, castelhano.

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