A seguir, comunicado emitido pelo Local Antiautoritário da Universidade de Ciências Sociais e Políticas para uma passeata contra o bilhete eletrônico e tudo o que implica para nossa vida a sua introdução nos meios de transportes coletivos.

Estamos em uma época de agudização das diferenças de classe e de empobrecimento intencional dos estratos sociais inferiores. Nesta época o Estado, em colaboração com a chamada “iniciativa privada”, pôs em marcha mais uma tentativa de controle da vida pública. Desta vez colocou em ponto de mira o setor do transporte público. O objetivo da introdução do novo sistema do bilhete eletrônico é o controle absoluto de um direito que já está mercantilizado.

Desde logo o bilhete eletrônico ultrapassa o tema da mercantilização e entra em um novo campo, importado do exterior, de sociedades em que o controle das populações está mais avançado. Tentam conseguir a normalidade na consciência e na cotidianidade das pessoas, criando-se desta maneira um precedente muito perigoso para a violação da liberdade individual, e conseguindo-se uma vitória da cultura liberal de controle e da vigilância.

Concretamente, o fato de que se requer o número da segurança social e da carteira de identidade, faz com que a identificação do possuidor da tarjeta eletrônica seja total. Desta maneira o possuidor compartilha com o Estado todas as informações de seus deslocamentos, com tudo o que este fato implica. Ao mesmo tempo, se desconhece quem e como vão realizar a gestão destas informações, as quais concernem à cotidianidade de milhares de pessoas, tornando em transparente uma faceta a mais de nossa vida.

Todos os que optem por não picar o bilhete para usar os meios de transporte, experimentarão sua exclusão já física do uso destes meios. Apesar de tudo isso, os revisores seguirão existindo, já que por muito que avance a tecnologia, os agentes da repressãoterão que seguir tendo trabalho. De todas as formas, por muito avançada que seja a tecnologia, o controle requer a existência de pessoas que o imponham.

Nós como anarquistas resistimos e seguiremos resistindo por todos os meios a qualquer bilhete, velho ou novo, a todo tipo de controle, e chamamos a todos e todas a fazer o mesmo.

Desobediência a qualquer metodização cujo fim é o controle. Resistência por todos os meios.

Passeata, 20 de dezembro, às 18h00, Monastiraki.

O texto em castelhano.

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