Texto de auto-apresentação da nova okupa de Corfu Allerta, publicado no site do grupo anarquista Cumulonimbus.

A okupa Allerta (7º beco da rua Nikiforou Theotoki, bairro de Spiliá) é um espaço auto-organizado criado após uma iniciativa do grupo anarquista de Corfu Cumulonimbus, uma coletividade política cuja fundação remonta ao ano de 2011. A prática da ocupação de um espaço municipal abandonado, para reabilitá-lo e revivê-lo, não é uma opção fortuita, mas uma ação consciente que funciona como um meio de luta pela criação de comunidades de resistência e solidariedade no centro da cidade e tem conteúdo próprio, uma vez que a prática da ocupação nos conecta com as lutas do passado e do presente. Nas okupas, o controle do Estado e do Poder do Estado e do Capital são substituídos pela autogestão, a delegação da resolução de nossos problemas pela auto-organização e a ação em conjunto, e as barreiras institucionais pela luta sem mediadores. Nas okupas, são destacadas as perspectivas e as possibilidades do coletivo, são abolidas as discriminações e as distinções, e são desenvolvidas relações de igualdade, respeito mútuo e reciprocidade.

No período atual, o governo “progressista” provoca o seu pogrom de desalojos de okupas, completando as metodologias repressivas e anti-insurrecionais de seus predecessores, usando, no entanto, uma retórica diferente. Pretendemos que a criação de uma nova estrutura que desafie na prática o discurso dominante, “o obvio da existência da propriedade”, as relações de antagonismo e de exploração, constitui um lugar de luta comum. Nosso objetivo é que a okupa Allerta seja um ponto de referência na cidade de Corfu, para ações políticas e intervenções sociais, um lugar em que se organizem nosso discurso e nossa ação em torno de questões como o fascismo, a guerra de classes, a discriminação de gênero ou raça, as falsas ilusões nacionais, a religião, a escravidão assalariada, a prisão, a pilhagem da natureza, o direito à habitação, os bens sociais, a resistência social, a insurreição, a solidariedade entre os oprimidos e os lutadores presos.

O objetivo do projeto é a consolidação na consciência da sociedade local das práticas de auto-organização, sua efetividade e perspectiva. Além disso, a manutenção da memória das lutas sociais e de classe do passado, e a abertura de novos caminhos. É um projeto aberto e acessível para todos os que compartilham o interesse pela libertação individual e social. Um dos desafios da okupa é que as oficinas de auto-educação, as refeições coletivas, a biblioteca, a coleção de CD´s, as intervenções e as atividades políticas, façam parte do cotidiano da vida social. Vamos fazer uma experiência de solidariedade e de confrontação com todos os tipos de Poder, exploração e imposição. Vamos construir um espaço de luta por uma sociedade de igualdade, em que os bens sejam comuns, pela anarquia e o comunismo.

Tomemos a vida em nossas mãos. Criemos estruturas de resistência e solidariedade auto-organizadas.

Assembleia de gestão aberta, diariamente às 20h00.

Tradução: Agência de Notícias Anarquistas.

O texto em grego, castelhano.

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