Texto da “Assembleia de estudantes do âmbito anarquista (Atenas)”, publicado na página web da Assembleia em razão das mobilizações dos estudantes do secundário. O título do texto original em grego é “A tomar de novo a vida em nossas mãos”.

Uma vez mais os alunos não estão em suas escolas senão nas ruas reclamando a vida e a dignidade que merecem. É uma vida que vamos perdendo minuto a minuto dentro da escola-opressora. E uma dignidade pisoteada diariamente com dezenas de pretextos: Eliminações de faculdades nas escolas técnicas, escassez de professores, de material e livros escolares, escolas sem calefação por falta de petróleo, desmaios de alunos por fome, edifícios perigosos, abuso de poder por parte de muitos professores, regulamentos escolares muito opressivos, com umas multas igualmente opressivas, um sistema educativo baseado nos exames e no antagonismo, que nos extermina e elimina todo pensamento criativo e livre, as “aulas de apoio” (em institutos privados) que já são necessárias e eliminam na prática a “educação livre e gratuita”, a pressão dos exames de ingresso, que nos conduz a todos a um estado de estresse e de aflição, e a alguns, lamentavelmente, até o suicídio. Refletindo sobre tudo isto (e sobre muito mais que não cabe em uma folha de papel) tiramos a conclusão que temos todas as razões para nos organizarmos como comunidade escolar, e para lutar, na rua e em nossas escolas, reclamando a vida que nós merecemos.

Reclamamos:

• Transporte à escola, gratuito e seguro, para todos os que o necessitam;

• Comida grátis para todos os alunos;

• Financiamento das necessidades de fundos estatais;

• Eliminação da abolição das faculdades das escolas técnicas, e por fim às demissões dos professores;

• Integração imediata nas escolas dos filhos dos imigrantes-refugiados que o desejem;

• Uma comunidade escolar aberta a todos, sem discriminações e distinções;

• Bloqueio imediato às medidas penosas, como a do trabalho gratuito dos alunos das escolas técnicas como aprendizes, rechaço das propostas do Comitê de Diálogo e da escola-calabouço que pretendem nos impor.

Não vamos consentir que ninguém manipule nossas lutas.

Todos sabemos que as concentrações e marchas estudantis, como a do 7 de novembro, são chamadas por “comitês de coordenação de escolas-estudantes-escolas técnicas” etc. Ao mesmo tempo, no entanto, parece que ninguém sabe algo mais destes “comitês”, os quais, ainda por cima, nos chamam a sair à rua! Ninguém sabe onde e quando se realizam suas reuniões, quem as convocam, quem as organizam, como e com que critérios são tomadas as decisões nelas. Apesar de tudo isso, estes poucos que participam nas sessões destes comitês de coordenação sem pedir a opinião de ninguém, tomam decisões sobre temas importantes que concernem a todos/as os/as que participam nas mobilizações, e os “manipulam” segundo lhes convenha. De vez em quando pode ser que nos façam o “favor” de chamar-nos a alguma assembleia aberta, na qual sempre se saem com as suas.

Por quê tal secretismo? Porque as pessoas e os grupos como os que estão detrás dos (supostamente “apolíticos”) comitês estudantis, querem atuar como manipuladores e dirigir a seus companheiros de classe às organizações partidárias às quais eles já participam. Porque os que querem se passar como uns “meros estudantes”, na realidade são membros de juventudes partidárias, cuja linha adotam. E para ser mais concretos, os que sabem algo da organização das mobilizações estudantis e optaram por não fazer vista grossa, sabem de sobra que estes “comitês” são manipulados por membros e aliciadores da juventude do partido “Comunista” (KNE) e em geral por este partido. A razão pela qual estas pessoas não vão admitir (reconhecer) nunca suas relações com as juventudes partidárias, é porque simplesmente se a comunidade estudantil as souber, em seguida lhes daria as costas e se organizaria para tomar o assunto da luta estudantil em suas mãos. Pela mesma razão constantemente velam por isolar, silenciar e caçoar dos que tenham (expressem) ideias diferentes das suas, dos que se atrevam a participar na luta expressando seus ideais, e dos que resistam à manipulação e o partidarismo, informando a seus companheiros de classe de sua existência.

Um exemplo ilustrativo de como estes comitês conseguem fazer retroceder nossa luta constituem as características que adquirem as mobilizações organizadas por eles. As mesmas marchas protocolares cada ano, as quais na realidade são uns meros passeios pelo centro de Atenas. As mesmas concentrações diante do Ministério da Educação, onde esperamos com paciência até que se satisfaçam nossas demandas de uma maneira desconhecida para nós. Nestas concentrações os representantes dos manifestantes dialogam com ministros, secretários gerais e prefeitos, e logo saem para confirmar o que todos sabíamos, ou seja, que não conseguiram nada. É algo totalmente lógico, já que nada se consegue suplicando, por muito alto que gritemos as súplicas.

Se os estudantes do secundário não tirarem de cima estes elementos do partidarismo e da manipulação, a luta e suas demandas justas nunca vão avançar, senão que seguirão sendo o terreno adequado para que KNE (e de qualquer KNE) possa recrutar membros e jogar seus jogos micropolíticos.

A lutar por uma educação e um mundo diferentes.

Como coletividade de estudantes anarquistas do secundário, procedentes de vários bairros e escolas de Atenas, apoiamos as mobilizações estudantis, participando ativamente na luta, até a satisfação de suas demandas. Ocupações de escolas, marchas estudantis, concentrações e protestos, ações de informação de nossos companheiros de classe, intervenções combativas, enfrentamentos com os policiais: Todos os meios de ação devem ser utilizados no marco de nossa luta, já que todos (cada um a sua maneira) constituem uns meios de pressão necessários para alcançar nossa meta. Como mencionamos anteriormente, nada, nunca e em nenhum lugar foi conseguido suplicando.

Participamos nos movimentos cujo fim é a satisfação das demandas da comunidade estudantil, no entanto, não nos limitamos a isso. Lutamos por uma educação realmente livre, à qual todos e todas tenham acesso e a possibilidade de adaptá-la a suas necessidades. Queremos uma escola cujo epicentro seja o estudante e seus desejos, não as necessidades do Mercado e do sistema capitalista, e os desejos dos patrões, pequenos e grandes. Optamos por organizar, aqui e agora, nossas resistências ao sistema educativo (e não só educativo), por enfrentar-nos ao Estado, o Capital e seus protetores. Nos opomos à exploração do homem pelo homem, ao Poder e a todas as estruturas hierárquicas. Defendemos os interesses e as lutas dos oprimidos deste mundo contra seus opressores, contra os opressores de todos. Nos opomos ao Estado, aos fascistas e à patronal, avançando até uma sociedade de solidariedade e de companheirismo, na qual as decisões sejam tomadas por todos de maneira igualitária, até uma sociedade na qual cada qual participe na produção segundo suas possibilidades, e desfrute de seus produtos segundo suas necessidades. O queremos todo para todos. E vamos conseguir.

Todos e todas nos Propileos (da velha Universidade de Atenas), em 7 de novembro, às 12h.

Satisfação imediata das demandas estudantis. Todos e todas nas ocupações, nas mobilizações, nos enfrentamentos.

Organização e luta pela revolução social, a anarquia e o comunismo.

Assembleia de estudantes do âmbito anarquista (Atenas)

Tradução: Agência de Notícias Anarquistas.

O texto em grego, castelhano.

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