Texto publicado na página web classwardogz.files.wordpress.com.

Marina não quer trabalhar nos domingos. Prefere descansar (o que possa) ou dar algum passeio com o pequeno. De qualquer forma, é impossível trabalhar sete dias na semana. Tampouco o patrão de Marina quer “trabalhar” (no domingo). Ou antes, não quer abrir seu negócio no domingo. Não quer que nenhum negócio abra no domingo. É que sabe que sairá perdendo, se competir com as lojas de departamentos.

Durante as últimas semanas Marina está farta de ouvir que “todos juntos temos que lutar contra os grandes negócios e contra o governo que os apoia”. E que em última instância todos temos o mesmo objetivo e os mesmos interesses. E depois das palavras doces, vem a ameaça: “Se não abro o negócio nos domingos, vou perder dinheiro e me verei forçado a cortar os salários”.

Um dia Marina não se pode conter mais: “Trabalho de dez a doze horas diárias e me pagas por seis. Me deves os salários dos três últimos meses e me pagas quando te dá vontade, como se o salário fosse uma gorjeta. Não me pagas as horas extras, me obrigas a trabalhar quando tenho dia livre, não pagas minha seguridade social. De que interesses comuns me estás falando?” Read the rest of this entry »

Rosa Nera é uma okupa que está funcionando há 13 anos em Chania, na ilha de Creta. Estamos há 13 anos enfrentando o modelo de cidade baseado no mercantilismo e na gentrificação. A partir de 2004, foi ocupado por um grupo de estudantes, anarquistas, habitantes de Chania, e convertemos este edifício abandonado, propriedade da Universidade de Creta, num espaço para a auto-organização popular, e ainda possibilitando alojamento para 15 pessoas.

Este espaço político que tem um pequeno teatro, uma sala de conferências, bar, creche, biblioteca, oficinas e vista para lindos entardeceres no mar, desenvolveu campanhas contra a OTAN e os exércitos, difundindo o antifascismo, na defesa das terras dos agricultores contra os parques eólicos, contra a gentrificação, praticamos a solidariedade com as pessoas migrantes e sempre nos vinculamos a outras okupas e lutas.

Hoje, em contrapartida, Vasilis Digalakis, reitor da Universidade e pessoa próxima ao partido Nova Democracia, querendo impulsionar a sua carreira política nos próximos meses, decidiu oferecer várias propriedades da Universidade a barões do turismo. E justamente o edifício que okupa Rosa Nera. O objetivo, dizem, é transformá-lo num complexo hoteleiro de luxo, numa cidade já saturada de hotéis. Onde centenas de pessoas de Chania põem as suas casas em airbnb, tornando-se mais complicado ainda para os trabalhadores viverem no lugar. A mesma história de sempre, solucionar a precariedade capitalista com mais precariedade. Mesmo assim, os habitantes de Chania sabem que o verdadeiro sentido desta operação são os ingressos políticos na bolsa de votos direitista, que consequentemente implica desalojar os anarquistas. Read the rest of this entry »

Chania, Creta: Informação sobre a manifestação em solidariedade com a okupa Rosa NeraChania, Creta: Informação sobre a manifestação em solidariedade com a okupa Rosa NeraChania, Creta: Informação sobre a manifestação em solidariedade com a okupa Rosa NeraChania, Creta: Informação sobre a manifestação em solidariedade com a okupa Rosa Nera
Μas 600-700 pessoas participaram na manifestação realizada em 13 de junho de 2017 na cidade de Chania, em solidariedade com a okupa Rosa Nera. A manifestação aconteceu contra os planos do reitor da Universidade de Creta de vender ao Capital privado o edifício da okupa, assim como o edifício da reitoria, com o fim de que se convertam em hotéis, cuja exploração será pelas mãos de uma empresa hoteleira.

A concentração foi realizada às 18h na praça do mercado de Chania, e contou com a participação de gente da cidade e de Réthimno. A marcha começou uma hora mais tarde. Passou pelo centro da cidade, parou em frente da Prefeitura, onde se pintaram lemas, e continuou até o velho porto veneziano, plenamente turístico, onde se gritaram lemas associados com as condições laborais dos trabalhadores no setor do turismo.

Ao passar a marcha pelo hotel Ambassador, os manifestantes procederam a um bloqueio simbólico do hotel, já que há indícios de que seu dono é o que se esconde atrás de uma empresa chipriota (off shore), à qual se concederá pelos próximos 25 anos a exploração comercial dos edifícios da okupa e da reitoria da Universidade. Hora e meia depois de seu começo, a marcha terminou na okupa, onde se organizaram um café e uma ceia auto-organizados.

Durante a concentração e a marcha se distribuiu um texto, que esperamos poder traduzir nos próximos dias.

Na faixa que se vê nas fotos, o lema é: “As okupas são barricadas contra a investida da barbárie”.

Tradução: Agência de Notícias Anarquistas.

O texto em castelhano.

Na quarta-feira 31 de maio de 2017 a Assembleia de Trabalhadores, Desempregados e Estudantes nos Mass Media (meios de comunicação de massa) realizou uma concentração do lado de fora do edifício do grupo midiático Real Group. Os trabalhadores no grupo midiático Real Group estão protestando pelos cortes salariais impostos pela patronal do grupo, pelas condições de trabalho exaustivas, assim como por levar meses sem receber seu salário, ao mesmo tempo que a patronal do grupo lançou ao mercado um novo periódico.

Durante a concentração umas dezenas de manifestantes distribuíram centenas de folhetos, gritaram lemas e espalharam volantes em todo o bairro. O dono do grupo saiu do edifício com muita pressa, antes de acabar seu programa de desinformação burguesa e lavagem cerebral. A Polícia proibiu aos manifestantes a entrada no edifício para distribuir folhetos aos trabalhadores no grupo midiático. No entanto, eles conseguiram colocar-se em contato com muitos dos trabalhadores.

No texto informativo da Assembleia lemos umas horas antes da concentração que o dono do grupo pagou a alguns trabalhadores uma pequena parte do dinheiro que lhes deve. Em seu programa de rádio quando um ouvinte lhe fez uma pergunta sobre o tema, ficou muito irritado e se viu forçado a aceitar que em suas empresas há trabalhadores que estão a meses sem receber seu salário. Read the rest of this entry »

Foi realizada na terça-feira, 13 de junho, em Chania, Creta, uma manifestação em solidariedade com a okupa Rosa Nera, posta no ponto de mira das autoridades universitárias da cidade e do Capital local. O texto que publicamos a seguir foi escrito por duas coletividades de Creta, que participam nas mobilizações em defesa da okupa, em Chania e em outras cidades de Creta.

Em um período no qual a economia promissora (capitalismo) anda muito mal, quem paga o preço, como sempre, são os estratos inferiores e lutadores da sociedade. Neste período tão agitado, os soberanos inventam vários truques para conseguir mais recursos. Neste marco a Universidade de Creta pensou matar dois pássaros com um tiro, pondo no ponto de mira a okupa Rosa Nera no casco velho da cidade de Chania.

O primeiro pássaro é tirar de cima do status quo local um lugar de luta social. O segundo é conseguir dinheiro, o qual se demostrará que é pouco, desinteressando-se da longa história do edifício, e claro das ações políticas e culturais realizadas no espaço aberto da okupa. Read the rest of this entry »

Informação sobre a mobilização do 4 de junho contra o desvio do rio AquelooInformação sobre a mobilização do 4 de junho contra o desvio do rio AquelooInformação sobre a mobilização do 4 de junho contra o desvio do rio AquelooInformação sobre a mobilização do 4 de junho contra o desvio do rio Aqueloo
Segue o texto informativo do Encontro Autônomo de Luta sobre a mobilização do 4 de junho em Mesojora (província de Tríkala) contra o desvio do rio Aqueloo. Mais fotos da mobilização, aqui.

A destruição iminente do rio Aqueloo, com o funcionamento de uma central hidroelétrica e uma represa em Mesojora, terá umas consequências desastrosas tanto para os planaltos da província, como para seus ecossistemas naturais, para a área vulnerável do delta do rio no mar Jônico, e para as populações humanas (entre estas últimas, a principal é a expropriação forçada das casas de Mesojora, a evacuação do povoado e sua inundação), as quais se afundarão no barro.

Hoje em dia esta perspectiva desastrosa para a província é mais visível que quando começaram a construir as represas gigantescas até finais da década de 80. O governo atual, estando em plena concordância com as políticas neoliberais de saque do meio ambiente e das pessoas trabalhadoras, impostas pelos governos anteriores, a União Europeia e o Fundo Monetário Internacional (nas quais estão incluídos a complementação das obras da construção da represa e sua privatização), completou os processos da separação da represa de Mesojora das obras do desvio, bloqueadas temporariamente pelo Conselho de Estado, com o fim de que se ponha em marcha o funcionamento da represa, tal como declararam desde outubro de 2015 o chefe dos prefeitos da região de Tesalia K. Agorastós e o vice-presidente da Companhia de Eletricidade G. Andriotis. Read the rest of this entry »

Texto da União Sindical Libertária de Réthimno, publicado em sua página web por causa da ofensiva desatada recentemente pela Universidade de Creta contra a okupa Rosa Nera.

Não faltam os hotéis de Creta. Faltam os espaços livres.

Durante os últimos anos todos os governos realizaram várias campanhas de eliminação dos espaços autogestionados e livres. O que querem conseguir é que nos encontremos só em nossas casas, nas cafeterias, nos bares e nos centros comerciais. Quer dizer, que querem que sejamos só consumidores e clientes. Por conseguinte, a ofensiva que está recebendo a okupa Rosa Nera em Chania não é fortuita.

O edifício da okupa pertence à Escola Politécnica de Chania, e faz treze anos constitui um lugar de luta e cultura emblemático, cobrindo também necessidades de teto. Em suas instalações as pessoas incansáveis que se esforçaram por dar vida ao edifício criaram um teatro, uma biblioteca e sala de leitura, um espaço de apresentações (de criações artísticas), um parque de crianças, uma oficina de construções, um espaço em que se celebra um bazar de artigos doados, um forno de produção de pão artesanal, e um café. Read the rest of this entry »

Na sexta-feira, 26 de maio de 2017, aconteceu uma ação contra as novas medidas nos meios de transporte massivos. A ação foi realizada em uma estação de metrô de Atenas por estudantes de três faculdades da Universidade de Atenas. Recordamos que as novas medidas preveem várias formas de controle e de vigilância estritas, a colocação de barras nos ônibus e no metrô, a instalação de câmeras de vigilância no interior dos vagões, a contratação de um corpo espacial de vigilantes para os meios de transporte massivos, que terão colaboração com a Polícia, assim como a aplicação da medida do bilhete eletrônico (registrando os dados pessoais do passageiro e excluindo a pessoas do uso dos meios de transporte massivos).

A Polícia e os encarregados da empresa privada que tem a seu cargo a exploração do metrô trataram de proibir a concentração dentro da estação. Os manifestantes fizeram caso omisso das ameaças e procederam à realização da ação. Foram espalhados muitos volantes e distribuídos 1.500 folhetos sobre o bilhete eletrônico, e se inutilizaram temporariamente todas as máquinas de validação de bilhetes.

As reações das pessoas foram várias, algumas positivas, outras negativas, enquanto que houve muitas pessoas que não mostraram o mínimo interesse pelo tema. Além das repercussões econômicas das novas medidas, na ação se pôs em relevo seu caráter social. É duvidoso que a maioria das pessoas que participaram em breves diálogos com os manifestantes entenderam o que significam as novas medidas. É ainda mais duvidosa a vontade (dos que reagiram positivamente) de lutar pela anulação das medidas. Read the rest of this entry »

O texto a seguir pertence à Iniciativa Anarcossindicalista Rocinante e foi publicado na sua página web, sobre o motivo de uma alegada agressão por parte de um grupo no dia das eleições estudantis na Universidade de Atenas.

Na quarta-feira, 24 de maio de 2017, desde a manhã até o fim da tarde, realizaram-se as eleições estudantis na maior parte das universidades do país. Nos dias anteriores realizaram-se intervenções e mobilizações, e repartiu-se material contra as eleições, no âmbito de uma campanha anti-eleitoral realizada por grupos e coletivos libertários.

Num evidente contraste com esta posição política, na quarta-feira 24 de maio realizaram-se ataques em várias universidades. Foi, particularmente, chamativa a brutalidade de um grupo de pessoas que tratou de se aproximar à Faculdade de Química durante o processo eleitoral. Com latas de fumaça, paus e, até com um machado! Os membros das associações estudantis, responsáveis da proteção das eleições, foram os que no começo repeliram os agressores e depois mais tarde a Polícia, usando gás lacrimogêneo e bloqueando a Faculdade durante muito tempo. Read the rest of this entry »

Na quarta-feira, 31 de maio de 2017 os trabalhadores no grupo midiático Real Group realizaram uma concentração fora dos escritórios do grupo. Este grupo midiático tem várias mídias desinformativas como periódicos, revistas e emissoras de rádio. O dono do grupo é Nikos Jatzinikolau, jornalista e presidente da Associação de Proprietários de Jornais de Atenas. Dito sujeito é sócio de Andreas Kurís, dono de canais televisivos, páginas web, emissoras de rádio, jornais e revistas. Este último é bem conhecido por ficar anos sem pagar os trabalhadores em suas empresas.

Os trabalhadores no grupo midiático Real Group estão protestando pelos cortes salariais impostos pela patronal do grupo, pelas condições de trabalho exaustivas, assim como por não pagar seu salário, ao mesmo tempo que a patronal do grupo lançou no mercado um novo jornal. Ante a ameaça de uma greve, a patronal do Real Group se valeu de uma chusma de jornalistas-esbirros, membros do sindicato amarelo dos jornalistas, que cobram uns salários bastante gordos por seus serviços, e durante as últimas semanas estão tratando de convencer os escravos assalariados de que tenham paciência e não reajam. Ao mesmo tempo, a patronal do grupo recorreu à bem conhecida tática de prometer a chegada de um messias investidor, que supostamente comprará o grupo inteiro ou em parte e resolverá todos os problemas dos trabalhadores…

O dono deste grupo midiático é por sua vez apresentador do tele diário do canal televisivo Ant1 (pertencente a outro grupo, no entanto, é bem conhecida a inter-relação entre os patrões). “Repreende” os outros “patrões maus” por serem inadimplentes, mas não diz nem uma só palavra sobre a situação em seu grupo. Quando os ouvintes de sua emissora de rádio fazem perguntas sobre este tema, responde de maneira genérica, falando de “tentativas de difamação” por parte de seus competidores… Na Internet simplesmente bloqueia os que o perguntam sobre este tema. Read the rest of this entry »

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